A Copa do Mundo não é nossa. O “circo” acabou pelos pés e cabeça de um norueguês de nome Haaland, enquanto alguns dos nossos caminhavam pelo campo, como se o pentacampeonato fosse naturalmente o passaporte para o hexa.
As conquistas do passado são troféus de estantes, de gavetas e quadros; adoráveis lembranças que suaram para tomar tal espaço; agora, respiram suavemente, vivem pelos seus exemplos de superação, mas não carimbam ou selam no presente, por si só, um novo triunfo, que requer um novo fazer por merecer, pois, no esporte, ao menos por enquanto, a faixa no peito não vem de graça.
Se o “circo’ acabou, a corrida pelo pão de cada dia não cessa, aliás, ao contrário, a fila da doação de cesta básica não para de aumentar, embora o presidente tenha dito na semana passada que o país vive seu melhor momento econômico. Acredito que deve ter feito referência ao recorde de liberação de emendas parlamentares de 33,89 bilhões, o maior valor já liberado no primeiro semestre desde o ano de 2016.
A propósito, falando em recordes, ainda no primeiro trimestre deste ano, os pedidos de recuperação judicial e extrajudicial de empresas têm batido no teto, uma estatística que revela a real situação econômica do país, cuja tábua de salvação empresarial tem sido um recurso muito adotado e eficaz.
Entretanto, a mesma tábua de salvação não consegue abarcar a todos e, nesse mar revolto chamado mercado,pequenas e médias empresas sem recursos ou cuja dependência de juros elevadíssimos se revela uma pedra no pescoço, tendem a se afogar, levando consigo uma história, algumas até mesmo de décadas de sucesso, cujas lembranças ficarão guardadas no silêncio das gavetas, quadros e troféus empoeirados. Trata-se, infelizmente, de memória dos tempos em que, para empreender, nesse país, não havia impedimento, era motivo de aplauso, cujo som agora se ouve eco lá pelas bandas do Paraguai, país que cresceu em média 5,5% nos últimos três anos, uma goleada no campo econômico em relação aos países vizinhos, um placar que, certamente, alivia e muito o day after (dia seguinte) após a eliminação da Copa pela França.
Mas… nada de ficar no banco, tão pouco fazer o jogo cai-cai, pois, essa estratégia, já se viu, de geração a geração, jamais levantou uma taça e, assim, vamos seguindo, pois, lance após lance, a partida somente termina ao apito do árbitro, mesmo que as vezes, ainda que contrariados, a boca muito pequena, entremeio ao jogo de poder entre pares e ímpares, quase todos iguais, ousemos corajosamente dizer: PODE ISSO, ARNALDO???





