Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026

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Pediatria: uma das especialidades mais essenciais e desafiadoras da medicina em estado de escassez

Presidente da Associação Médica de Bento Gonçalves, Dr. Rodrigo Casagrande Tramontini, explica quais fatores influenciam na baixa oferta de profissionais

Já vem sendo recorrente nas últimas semanas, a reclamação de diversas pessoas pela falta de profissionais para atendimento do público infantil na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h de Bento Gonçalves e consequentemente da demora na espera.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o motivo seria o aumento no fluxo de pacientes que estão procurando o serviço médico, que estaria ligado às mudanças na temperatura e o retorno das aulas. De acordo com informações divulgadas pela Prefeitura, em abril de 2021, foram realizados 1.125 atendimentos pediátricos na UPA. O dado no mesmo período, em 2022, é 149% maior, chegando a 3.031.

Na tentativa de conseguir profissionais para suprir a demanda, a Administração Municipal abriu o processo seletivo 10/2022 que visava a contratação de 14 médicos plantonistas pediátricos. No entanto, apenas duas inscrições para o cargo foram efetivadas.

Em entrevista ao Jornal Semanário, o presidente da Associação Médica de Bento Gonçalves (Ameb), Dr. Rodrigo Casagrande Tramontini, ressaltou que a questão salarial está relacionada com a baixa procura por inscrições. “O médico, como qualquer cidadão, tem suas necessidades financeiras e, principalmente, custos para manter seu trabalho, que necessita de estudo e atualização constantes. Para se manter como bom profissional, ele precisa frequentar congressos e cursos, assinar periódicos e estudar muito. Isto exige tempo e recursos que não são financiados pelo poder público e precisam ser arcados pelo próprio profissional. Na maioria das prefeituras não há um plano de carreira que dê estabilidade e que premie pelos anos de trabalho; ademais, as empresas terceirizadas geralmente contratam por horas de serviço, sem reconhecer o tempo de trabalho e a experiência do médico. Contando todos esses fatores, para nós é evidente que a oferta salarial dos editais é incompatível com o grau de responsabilidade exigido, com os custos de treinamento e aperfeiçoamento e com as condições de trabalho oferecidas ao médico que pleiteia o cargo”, salienta.

Segundo ele, outra dificuldade é a escassez de pediatras no mercado. “Esta é uma das especialidades mais essenciais e desafiadoras da medicina. Tratar crianças exige coragem e muita dedicação, o risco profissional é grande e o reconhecimento costuma ser pequeno. Como em qualquer profissão, os estudantes de medicina buscam especialidades que remuneram adequadamente, oferecem riscos aceitáveis comparado com os ganhos e dão satisfação. Qualquer pessoa busca isso e na medicina não é diferente; assim sendo, já existe sim uma carência de profissionais especializados na área. Quando você leva seu filho para uma consulta com pediatra, você espera um profissional humano, atualizado, disponível e confiável e isso exige uma boa e longa formação”, explica Tramontini.

O doutor também ressalta a falta de suporte das prefeituras na hora da contratação. “A população precisa saber do desafio imposto ao médico pediatra e da falta de reconhecimento, de remuneração, de proteção e de estímulo à busca de aperfeiçoamento a que eles são submetidos pelo poder público que os contrata”, finaliza.

Ações para ampliar atendimentos

Na segunda-feira, 25, a SMS divulgou ações que estão sendo executadas para agilizar o atendimento pediátrico e desafogar o fluxo na UPA. Entre as medidas, está à abertura da Unidade Zona Sul, como unidade sentinela, das 17h às 21h. O espaço ao lado da UPA, no bairro Botafogo, está recebendo os pacientes considerados como casos leves (fichas verde e azul). Os casos graves ou emergências permanecem sendo atendidos na Unidade de Pronto Atendimento.

Outra ação, foi a ampliação do número de consultas oferecidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS’s), passando de dez para 12, e dois encaixes de emergência, possibilitando assim que os casos mais leves sejam atendidos no próprio bairro.

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