Em meio à rotina de tratamentos, internações e momentos de incerteza, o Hospital Tacchini também conta com um trabalho voltado abraço espiritual de pacientes e familiares. A Pastoral da Saúde, ligada à Paróquia Santo Antônio, atua no hospital com visitas, orações, distribuição da Eucaristia e atendimento religioso, buscando oferecer conforto e esperança durante o período de enfermidade.
O serviço é organizado em diferentes frentes e conta com ministras voluntárias das paróquias Cristo Rei, São Roque e Santo Antônio. Às quartas-feiras, dez ministras percorrem os andares de internação para oferecer a Eucaristia a pacientes e familiares que desejarem recebê-la. Antes das visitas, o grupo se reúne na capela para uma oração e a leitura do Evangelho. Em seguida, as voluntárias seguem para os setores determinados, onde conversam com os pacientes, fazem uma breve oração e oferecem a comunhão àqueles que desejarem e estiverem em condições de recebê-la.
A atuação, entretanto, vai além da distribuição da Eucaristia. A irmã Irene Benedetto, responsável pelo trabalho pastoral no hospital, também realiza visitas em diferentes setores, incluindo a Oncologia e as UTIs adulta, pediátrica e neonatal. “A Pastoral da Saúde tem o objetivo de oferecer conforto espiritual aos doentes e familiares, dando-lhes esperança através da Palavra de Deus e da Eucaristia”, afirma.
Irene explica que o acompanhamento procura oferecer também escuta e apoio às famílias, especialmente diante das dificuldades provocadas pela doença. Para ela, a presença no hospital representa uma oportunidade de transmitir força, coragem e esperança.
Apoio aos pacientes
Na Oncologia, Irene realiza o trabalho pastoral de segunda a quinta-feira, conforme a possibilidade e o volume de solicitações nos diferentes andares. Também há um trabalho pastoral desenvolvido no Instituto do Câncer de segunda a sexta-feira pela manhã.
As visitas incluem orações breves, cantos e momentos de descontração, com o propósito de tornar o período do tratamento um pouco mais leve. Irene conta que, em algumas ocasiões, faz perguntas de brincadeira e propõe atividades simples, como contar números, para ajudar os pacientes a desviarem, ainda que por alguns instantes, a atenção da preocupação com o câncer.
A atuação também envolve a escuta. Quando há tempo, Irene conversa individualmente com os pacientes, que compartilham histórias, preocupações e sentimentos. Ela ressalta que essas conversas são tratadas com discrição e respeito. “Elas me contam as coisas, eu fico ouvindo e guardo para mim o que é dito, pois é um segredo”, ressalta.
Para a religiosa, enfrentar uma doença envolve diferentes aspectos e não se resume ao tratamento médico. Ela considera que o esforço pessoal, o acompanhamento dos profissionais e a presença da família também têm importância no processo. “Se esses quatro pilares não existirem, a pessoa não tem condições de superar essa doença para viver mais. Mesmo se não houver cura, o conforto espiritual e uma palavra de fé e esperança ajudam muito”, aponta.
A Pastoral também reconhece a atuação dos profissionais que acompanham os pacientes. Irene ressalta o trabalho desenvolvido por médicos e equipes de enfermagem, especialmente pela relação de cuidado estabelecida com quem está em tratamento.
Presença também nas UTIs
Nas Unidades de Tratamento Intensivo pediátrica e neonatal, o trabalho assume características próprias. Com as crianças, a Irmã conversa com os familiares e procura respeitar a religião de cada família. “Se forem católicos, rezamos juntos. Se forem evangélicos, faço a oração que tenho e eles agradecem muito”, diz.
Na UTI adulta, as visitas ocorrem especialmente às segundas-feiras e também quando há solicitação. A entrada nos ambientes segue as orientações de segurança do hospital. Em situações que exigem restrições, como casos de doenças contagiosas, há sinalização indicando a necessidade de paramentação adequada ou impedindo o acesso. Quando não pode entrar, Irene permanece pelos corredores e mantém o trabalho de oração. “Rezo e peço a Deus que dê saúde e esperança para que possam sair dali e voltar para casa”, explica.
A presença frequente também criou vínculos com as equipes. Segundo a Irmã, quando ela não consegue comparecer, os profissionais de enfermagem percebem sua ausência e perguntam por ela, demonstrando que o trabalho passou a fazer parte da rotina do setor. Além das visitas, a irmã Irene pode ser acionada para solicitar a presença de um padre no quarto de pacientes que desejarem atendimento religioso. Ela também permanece disponível aos sábados e domingos.

Eucaristia chega aos quartos
A distribuição da Eucaristia é realizada semanalmente. As ministras se dividem pelos andares e visitam os quartos, sempre pedindo autorização para entrar e perguntando aos pacientes quem deseja comungar. Antes da entrega, é feita uma breve oração e preparação. O atendimento considera também as condições clínicas de cada pessoa, já que alguns pacientes podem estar em jejum ou utilizando sonda.
O trabalho realizado ao longo de 2025 demonstra a dimensão alcançada pela Pastoral. No período, foram registradas 33.085 comunhões e visitas, além de 498 confissões e unções e três batizados.
Os números refletem uma atuação que ocorre de forma contínua e voluntária. As dez ministras comparecem ao hospital todas as quartas-feiras, independentemente da presença da irmã Irene. O grupo mantém a organização do serviço e conta com uma responsável para dar continuidade às atividades quando necessário.
Segundo Irene, a presença das voluntárias é esperada pelos pacientes, que mantêm o vínculo criado durante as visitas. Para ela, essa relação também contribui para que o trabalho tenha continuidade mesmo durante seus períodos de ausência.
Um espaço de oração
Além dos atendimentos nos quartos e setores, pacientes e familiares internados podem utilizar a capela do hospital. O espaço permanece aberto das 7h às 17h30min. Atualmente, não há missa no local, mas as ministras realizam a oração do terço após a distribuição da Eucaristia.
A Pastoral da Saúde é formada por diferentes equipes, incluindo a Pastoral da Acolhida, responsável pelas visitas aos pacientes, a equipe que leva a comunhão aos doentes e a equipe de Liturgia, composta por sete integrantes. A proposta é oferecer presença e assistência religiosa de acordo com a necessidade de cada pessoa.
Para Irene, a importância do trabalho também está na possibilidade de levar ao ambiente hospitalar uma dimensão de humanidade e proximidade. Ela afirma perceber essa relação no contato cotidiano com pacientes, profissionais e demais pessoas que fazem parte da instituição. “Sinto um clima de muito calor humano aqui dentro do hospital, tanto dos pacientes quanto das enfermeiras, dos médicos, dos funcionários e da administração”, comenta.
A experiência, segundo a religiosa, é marcada por vínculos construídos ao longo da convivência. Mais do que ocupar um espaço dentro da rotina hospitalar, ela entende a presença da Pastoral como uma forma de transmitir, por meio da proximidade e da escuta, a mensagem de amor na qual acredita. “Ninguém é santo, mas penso que estamos aqui para passar o amor de que Deus fala no Evangelho: ‘Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei’”, conclui.
Foto de capa: Tiago Flaiban




