Com presença marcante de moradores idosos, o Licorsul é considerado um bairro relativamente tranquilo por alguns moradores. A área também reúne comércio e serviços que atendem às necessidades do cotidiano.
O nome do Licorsul tem origem na empresa de licores que funcionava no bairro. A chegada de famílias vindas do interior acompanhou o crescimento do bairro, que ao longo das décadas passou a reunir mais residências, comércio e serviços.
Segurança
A tranquilidade aparece entre as características mais citadas pelos moradores, mas a segurança também é apontada como uma questão que merece atenção. Dos 12 homicídios registrados em Bento Gonçalves em 2026, dois ocorreram no Licorsul. Ainda assim, moradores relatam percepções diferentes sobre a segurança, conforme onde vivem.
Para Claudia Belotti, moradora e empreendedora, o bairro mantém um ambiente familiar, mas o policiamento poderia ser mais frequente. “Até existe, mas deveria ser mais presente nos bairros. Antigamente havia uma guarda comunitária, com uma viatura mais próxima, e isso gerava uma sensação maior de segurança. Hoje, o policiamento vem quando é chamado, mas não há uma presença constante”, afirma Claudia.
A percepção, no entanto, não é a mesma em todas as partes do bairro. Leticia Vieira, que também mora no local, considera tranquilo próxima à sua residência. “É bem calmo e familiar. As crianças vão e voltam da escola sozinhas, não vejo furtos ou roubos e não tenho sensação de insegurança. Mas há notícias de que, em outras partes do bairro, existem questões que precisam melhorar, inclusive com registros de assassinatos”, relata Leticia.
Moradores também relatam a presença frequente de pessoas de outros bairros, que, segundo eles, estaria relacionada a episódios de desordem no Licorsul. A preocupação, conforme os relatos, não está direcionada aos próprios moradores, mas a quem vem de outras regiões.
Ruas e calçadas
A conservação das vias é outro ponto citado pelos moradores. Leticia considera que o bairro possui uma estrutura de serviços capaz de atender boa parte das necessidades cotidianas, com farmácias, mercados, academias, escolas, creches e atendimento de saúde. “Existem alguns problemas nas ruas e calçadas, como buracos e restos de obras que permanecem na via. Há trechos em que a recapagem está se deteriorando e que precisarão ser refeitos”, explica.
As condições das calçadas também variam de um imóvel para outro. Segundo Leticia, há trechos sem calçamento adequado, com degraus, desníveis e diferentes tipos de revestimento. Para ela, parte da manutenção é responsabilidade dos próprios moradores, mas a falta de padronização interfere na circulação, especialmente de pessoas mais velhas. “Cada morador fez a sua calçada de uma maneira diferente e há pontos que não estão adequados ao plano diretor. Em frente ao meu prédio, por exemplo, existe um desnível entre a garagem e o portão de entrada que dificulta a mobilidade, principalmente para pessoas de mais idade”, relata.
Em períodos de chuva intensa, entretanto, Claudia relata que alguns trechos apresentam dificuldades no escoamento. Segundo ela, os bueiros podem não comportar o volume de água e acabam entupindo. Alguns equipamentos antigos foram substituídos por estruturas maiores.
Demais serviços
A limpeza urbana é apontada como um dos pontos que poderiam melhorar no Licorsul. Claudia também avalia que a limpeza pública deixa a desejar e chama atenção para o descarte de resíduos na praça. “Seriam necessárias lixeiras maiores, mas também é uma questão de conscientização da população. As pessoas precisam ter mais responsabilidade com o espaço público. Á prefeitura também poderia fazer um trabalho de conscientização”, afirma.
A iluminação pública é outro ponto citado. Claudia considera que alguns locais deveriam ser mais iluminados e observa que nem todos os pontos receberam as novas lâmpadas. Leticia destaca principalmente áreas próximas a terrenos baldios e locais de obras, onde há trechos mais escuros.
Na mobilidade, Leticia aponta dificuldades em algumas ruas estreitas, onde veículos estacionados dos dois lados reduzem o espaço para circulação. Como alternativa ela, considera que o estacionamento poderia ser permitido em apenas um dos lados da via, embora reconheça que a medida dependeria de fiscalização.
O transporte coletivo atende o bairro, mas Leticia observa que alguns pontos de parada não possuem sinalização. O abastecimento de água é considerado adequado pelas entrevistadas. Na saúde, uma moradora que também atua como personal trainer, relata que seus alunos idosos que vivem no Licorsul não costumam apresentar queixas sobre o atendimento e que, em alguns casos, conseguem realizar consultas e exames pelo serviço público com agilidade. Claudia Belotti também avalia positivamente o atendimento do posto de saúde do bairro.
Uma alteração recente nos serviços de saúde do bairro ocorreu em outubro de 2025, quando a farmácia do posto do bairro foi transferida para a Rua Carlos Dreher Neto, 664, junto à ESF Eucaliptos. A mudança não foi citada como um problema pelos entrevistados.
No cotidiano do bairro, Leticia aponta uma bica de água disponibilizada por um morador em seu terreno. A estrutura possui uma saída para a rua e é utilizada tanto por moradores do Licorsul quanto por pessoas de outras regiões da cidade.
Segundo Leticia, é comum que pessoas busquem água no local com galões, chegando a formar fila. Há uma orientação para não utilizar recipientes maiores, pois eles podem comprometer a vazão da fonte.
Entre a massoterapia e o trabalho como cuidadora
Claudia Belotti trabalha com massoterapia desde 1992 e mantém sua rotina profissional no próprio bairro. Ao longo desse período, acompanhou mudanças na profissão e na forma como os clientes procuram os serviços.
Segundo ela, quando começou, os atendimentos eram predominantemente manuais. Atualmente, equipamentos passaram a auxiliar os procedimentos, enquanto a procura também se relaciona ao bem-estar e à prevenção de dores. “Hoje existe uma procura maior por massagens voltadas ao bem-estar e à prevenção de dores. A tecnologia também trouxe mudanças na rotina das pessoas, com mais sedentarismo e movimentos repetitivos, o que pode provocar dores no corpo”, explica.
Renda complementar
Além da massoterapia, Claudia trabalha como cuidadora durante a noite, acompanhando pessoas doentes e idosas. A atividade complementa a renda obtida com os atendimentos realizados durante o dia. “Hoje é difícil conseguir viver somente de uma área. É preciso complementar o trabalho. Durante o dia faço massagem e, à noite, faço plantões como cuidadora. Um trabalho acaba complementando o outro”, relata.





