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Os relógios e anéis inteligentes podem de fato garantir a monitorização de nossa saúde?

Como tenho dito há algum tempo, a tecnologia tem vindo para nos auxiliar, e também para nos sobrecarregar ou nos confundir, a depender do uso que fazemos da tecnologia.

Sou um grande defensor dos avanços da tecnologia, sobretudo quando vem em benefício de nossa saúde, seja para descobrir precocemente doenças ou problemas que poderão reduzir nosso tempo e qualidade de vida, seja para melhorar os tratamentos e ajudar a vivermos mais e melhor.

No entanto, existe uma pressão muito grande da indústria para vender equipamentos inteligentes, com a promessa de monitorar muitos parâmetros de funcionamento de nosso corpo, tais como batimentos cardíacos, pressão arterial, glicose, oxigênio no sangue, entre outros.

Os relógios e anéis inteligentes (wearables) tornaram-se verdadeiros laboratórios de bolso. No entanto, embora sejam excelentes ferramentas de estilo de vida e triagem, eles não substituem os exames clínicos convencionais.
Certos parâmetros são já considerados muito confiáveis, como o monitoramento dos batimentos cardíacos e detectar possíveis arritmias, lembrando sempre que o diagnóstico clínico deve ser feito por um médico e mediante exame específico para este fim. O relógio ou anel podem sinalizar uma anormalidade que necessitará ser posteriormente diagnosticada.

O Monitoramento do Coração: Alta Precisão

No quesito cardíaco, os aparelhos modernos entregam dados confiáveis devido à combinação de duas tecnologias principais:

  • Frequência Cardíaca (Batimentos por minuto): A precisão é superior a 90% em repouso. Os sensores de luz (chamados PPG) medem o fluxo sanguíneo no pulso continuamente. A margem de erro aumenta ligeiramente apenas durante exercícios de alta intensidade ou movimentos bruscos do braço.
  • Eletrocardiograma (ECG) e Arritmias: Modelos validados por órgãos de saúde (como a Anvisa) conseguem realizar um ECG de uma derivação. Eles são eficazes para emitir alertas sobre a Fibrilação Atrial, uma arritmia comum que pode causar infartos ou isquemias cerebrais como AVCs.

Para o sono, os relógios não medem a atividade cerebral (como faz o exame clínico de polissonografia). Em vez disso, eles estimam o sono cruzando dados de movimento (acelerômetro) e batimentos cardíacos. No caso do sono os relógios e anéis ainda tem muito a aprender.

  • Tempo Total de Sono: A precisão é aceitável, para detectar o momento exato em que você dormiu e acordou. Embora, sem ironias, precisamos saber disto mesmo?
  • Fases do Sono (Leve, Profundo e REM): A precisão cai consideravelmente, oscilando entre 40 e 60% de acerto, dependendo da marca do dispositivo. Os algoritmos tentam adivinhar a fase cerebral com base no seu relaxamento muscular e ritmo cardíaco, o que gera frequentes erros de classificação entre sono leve e profundo. Não podemos confiar nestes parâmetros.
  • Apneia do Sono: Atualizações de grandes marcas de tecnologia incluíram recursos que medem a queda de oxigênio no sangue durante a noite. Mas cair o oxigênio não significa ter apneia, já que existem muitas outras doenças e problemas de saúde que causam queda de oxigênio. Neste aspecto ainda há muito o que avançar na tecnologia para ser chamada de confiável.

O que o wearable faz bem:

  • Contar os batimentos e registrar o histórico.
  • Flagrar arritmias cardíacas em repouso.
  • Mostrar tendências de melhora ou piora da rotina.

Onde o wearable ainda FALHA:

  • Identificar o sono profundo.
  • Diagnosticar doenças de forma definitiva.
  • Substituir os cabos e eletrodos de um exame completo de sono

Em resumo, a tecnologia tem avançado muito e muito rapidamente. Mas ainda não entrega dados totalmente confiáveis sobre diversos parâmetros. O tempo e o avanço tecnológico seguirão melhorando nossas vidas, mas por enquanto cautela e atenção. Nem tudo o que nos informam de fato é fidedigno.

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