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Mofo é um problema presente em muitas casas

Manchas escuras nas paredes, cheiro de umidade e roupas guardadas com aspecto mofado fazem parte da realidade de muitas famílias durante o inverno na região. O clima frio e úmido cria as condições ideais para a proliferação de fungos, que encontram em ambientes pouco ventilados um espaço propício para se desenvolver. Mais do que um incômodo, o mofo pode provocar prejuízos materiais e representar riscos à saúde, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Por isso, a adoção de medidas preventivas é fundamental para manter os ambientes mais seguros e saudáveis.

De acordo com a professora Marli Camassola, de biotecnologia da Universidade de Caxias do Sul (UCS), os mofos são fungos microscópicos que se reproduzem por conídios, chamados também de esporos. Por conta do frio, é comum que as pessoas deixem portas e janelas fechadas, para conservar o calor, o que reduz a ventilação e aumenta a umidade interna, criando um ambiente ideal para o crescimento desses fungos.
Além disso, ela afirma que há outras condições para a formação do mofo. “Vazamentos ocultos ou infiltrações, roupas úmidas secando dentro de casa e temperatura interna mais elevada que a externa favorece condensação em parede e retenção de umidade”, afirma.

Como saber se há mofo em casa
Muitas vezes, o mofo passa despercebido a olho nu, o que dificulta sua identificação e controle. Entre os principais sinais estão o cheiro forte e característico, provocado pelos compostos orgânicos voláteis liberados pelos fungos, aos quais muitas pessoas são alérgicas. “Também é comum o aparecimento de manchas escuras em cantos, tetos ou atrás de móveis, pintura descascando ou com bolhas nas paredes, manchas brancas em roupas e o surgimento frequente de reações alérgicas nos moradores, como espirros, tosse e irritação nos olhos”, afirma.

Mofo na parede

Como prevenir
A professora menciona que há maneiras de realizar o controle dos fungos, como: “Aumentar a ventilação (abrir janelas opostas por 10-15 minutos por dia). Usar desumidificadores ou aquecedores com função de secagem. Usar absorvedores de umidade do ar a base de cloreto de cloreto de cálcio, ideal para áreas pequenas (armários, baús) por sua alta capacidade higroscópica (absorve cerca de 200% do próprio peso em água), mas é preciso ter cuidado pois o líquido resultante é corrosivo. Sílica gel: eficaz em eletroeletrônicos e pequenos espaços, com vantagem de ser reutilizável após secagem em forno (150°C por 2h)”, orienta Marli.

Como remover
Ela explica que o mofo visível deve ser removido com um pano umedecido e uma solução específica (uma parte de água sanitária para três partes de água) ou com vinagre branco puro e deixar agir por 10 minutos e em seguida, secar a superfície. “Deve-se evitar misturar produtos químicos, como água sanitária com amônia, pois essa combinação libera gases tóxicos. Além disso, pintar sobre o mofo sem removê-lo adequadamente apenas encobre o problema, sem resolvê-lo. Em casos de superfícies porosas, como madeira, pode ser necessário lixar o material para eliminar os fungos que já penetraram nas camadas internas”, explica.
Quando a proliferação é recorrente, o ideal é procurar uma equipe especializada. “É recomendado se o problema estiver afetando áreas estruturais da casa, como paredes, tetos ou elementos de madeira. Também é necessário buscar auxílio técnico quando o mofo estiver associado a problemas respiratórios graves entre os moradores, ou ainda se houver suspeita de infiltrações, vazamentos ocultos ou falhas no isolamento térmico que favoreçam o acúmulo de umidade”, salienta.

De acordo com Alexandre Pressi, a exposição ao mofo provoca inflamação das vias respiratórias e pode desencadear sintomas tanto nas vias aéreas superiores quanto nas inferiores. Nas vias superiores, os principais sinais são espirros, coceira no nariz, lacrimejamento e congestão nasal. Já nas vias inferiores, podem ocorrer tosse, aumento da produção de muco e, em pessoas com asma, broncoespasmo, o estreitamento dos brônquios, que pode provocar falta de ar. “Em algumas situações, que a pessoa acaba inalando uma quantidade grande, pode, inclusive, apresentar um quadro grave, como uma pneumonia, necessitando de uma internação hospitalar. As pessoas mais vulneráveis são as que têm uma imunidade mais debilitada”, observa.

O médico ressalta que os efeitos do mofo não se restringem ao sistema respiratório, podendo atingir outros sistemas do organismo. “Na parte neurológica, essas microtoxinas, essa toxicidade que o fungo libera, podem provocar desde um cansaço, uma fadiga extrema, alterações de ansiedade, alterações ligadas à parte afetiva, como a depressão, e também perda temporária de memória, conhecida como névoa mental. No sistema imunológico, ele pode diminuir as defesas e, na parte respiratória, causar falta de ar, tosse crônica, chiado no peito, irritação nos olhos e congestão nasal”, afirma.

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