As frases feitas

Desde cedo meu pai e minha mãe recitavam frases feitas, normalmente para me ensinar a viver. Algumas delas marcaram minha vida e as levei para o meu cotidiano. Quando comecei a lecionar – e foi por 25 anos -, me vali delas frequentemente. Uma delas era constante e dizia (velho ditado, sempre em voga): “Mais fere a má palavra do que a espada afiada”. Emblemática, não? Mas, minha vivência me fez acrescentar a ela o seguinte: “…e muito mais que a má palavra, o TOM DA VOZ”. Sim, o tom da voz pode angariar ódios gratuitos. Pois esse está sendo, indubitavelmente, o grande problema do presidente: O tom da voz.

E mais

Claro, claríssimo, óbvio-ululante que apenas para seus mais fanáticos seguidores ele esteve certo no pronunciamento desta semana, em horário nobre da TV brasileira. Porém, para a maioria esmagadora das autoridades, de dirigentes empresariais, de trabalhadores, de entidades e, notadamente, das pessoas ligadas à área da saúde, a fala foi lamentável. E por quê? Em primeiro lugar, PELO TOM DA SUA VOZ que, como sempre, foi agressivo e contundente, quer queiram ou não seus admiradores. Em segundo lugar, pela “ocasião e local”. Bolsonaro deveria ter sido orientado por seus assessores (não, claro, por qualquer de seus filhos deslumbrados e inconsequentes) mais qualificados. O que poderia ter feito? Simples:

Em primeiro Lugar

Bolsonaro, se adequadamente assessorado, teria ouvido, inicialmente, seu Ministro da Saúde, que cumpre excelente papel no cargo e, por isso, está sendo respeitado. Depois, deveria ter convocado reunião com governadores, lideranças políticas, do judiciário, empresariais e de trabalhadores, com o objetivo primordial de, em conjunto, buscarem as melhores soluções para o trauma que nos ameaça profundamente: O BAQUE NA ECONOMIA. Sim, a economia poderá destroçar empresas e empregos. E isso poderá (certamente) acarretar numa convulsão social de proporções inimagináveis. E aqui reside a razão principal de Bolsonaro. Ele está certíssimo nisso.

Ouvir e depois agir

Mas, que fez Bolsonaro? Exerceu sua principal característica: partir para o confronto, como se levantar a voz pode impor respeito. Eu já havia comentado com muitos amigos sobre o caos que viveremos, caso essa situação persista por meses. Porém, se ele tivesse OUVIDO as pessoas que têm, obviamente, o mesmo interesse (economia crescendo, empregos e renda), e usado O TOM DE VOZ adequado, certamente teria sido aplaudido por todos. Mas, pelo histórico da vida política de Bolsonaro, não seria de se esperar diálogo de parte dele. Quando “não apitava nada” era assim, imagine-se agora, com o poder.

Como conquistar adversários

Ele continua com a cabeça de deputado do baixo clero, dando declarações polêmicas e com ações pouco recomendáveis. Saiu do partido que o abrigou (o NONO partido de sua vida política) brigando; rompeu com seus principais deputados aliados; detonou governadores que o apoiaram desde a campanha; brigou e demitiu ministros que antes participaram da sua eleição; quis inventar o filho como embaixador nos EUA,  enfim, fez o que pôde para arrumar confrontos desnecessários, inclusive com a imprensa, vendo nela “inimigos a serem abatidos”. Ele não tem oposição. Ela a cria e aumenta a cada pronunciamento, notadamente diante de seus antes aliados.

A hora é de paz

Por tudo isso, creio, piamente, que Jair Messias Bolsonaro já se deu conta de que precisa dialogar mais. Ele já conseguiu destroçar a oposição. Agora está se indispondo com todos, tendo razão nas suas ideias, mas errando na forma. Espero que ele volte atrás (algo que faz com frequência) e, com a ajuda de TODOS os que lideram aqueles que, com certeza, serão amplamente prejudicados com essa pandemia, consigam buscar as soluções. E, claro, não será com confrontos com a China, Argentina e outros que conseguirá. Petistas e antipetistas precisam ser, solenemente, ignorados. Existe vida inteligente no Brasil e ela está se posicionando distante da politicagem. Que tenham êxito e que Bolsonaro passe a OUVIR mais. Para o bem de todos e felicidade geral da Nação.

As medidas do G-20

Bolsonaro participou da reunião entre os vinte países que detém as maiores economias do mundo. Todos os brasileiros precisam torcer para que ele tenha assimilado as recomendações. O que mais chama a atenção é o volume de dinheiro que os governos estão dispostos a investir para garantir RENDA para a população. Em 2008/2009 jogaram muitos TRILHÕES DE DÓLARES na economia, para “salvar” bancos e “riquinhos”. Agora o furo é mais embaixo. Mas, bem mais perigoso. E eles sabem disso muito bem. Acredito que já é um grande passo.

Últimas

Primeira: Paulo Guedes, Ministro da Economia, afirmou que o dólar só chegaria a R$ 5,00 “se eu fizer muitas besteiras”. Não precisou fazer “muitas”. O coronavírus já fez;

Segunda: E, claro, o que especuladores faziam – empréstimos em outros países para aplicar no Brasil – arrefeceu. Por uma série de fatores, o real foi uma das quatro moedas do mundo que mais desvalorizaram;

Terceira: Pelo que se constata, não é só o Bolsonaro (e muita gente) que está preocupado com convulsões sociais. Os americanos conseguiram um aumento de 800% na venda de armas;

Quarta: Aqui, no Brasil, creio que as forças armadas (leia-se exército, marinha, aeronáutica e todas as policiais municipais, estaduais e federais – civis e militares), devem estar mobilizadas. O conflito poderá acontecer;

Quinta: Mas, alguns problemas, por mais que autoridades, emissoras de rádio, televisão, jornais, revistas e entidades médicas advirtam, ainda ocorrem. Gente que deveria estar em casa circulando por todos os locais;

Sexta: Por outro lado, pessoas que são obrigadas a estar nas ruas e estradas, se deparam com locais fechados, o que os impede de se alimentar. É o caso dos caminhoneiros, que são de vital importância para todos nós, nesse momento;

Sétima: E o vírus, aliando a uma guerra comercial, fizeram o preço do petróleo despencar. A Petrobrás, seguindo sua política de vários anos, reduziu o preço da gasolina e do diesel em mais de 40% de janeiro para cá;

Oitava: O que todos perguntam é: QUANDO ESSAS REDUÇÕES NOS PREÇOS CHEGARÃO NAS BOMBAS? E faço outra pergunta: QUANDO AS AUTORIDADES COMPETENTES AGIRÃO?

Nona: E a pergunta que não quer calar, de verdade-verdadeira é: QUANDO ACABARÁ ESSA QUARENTENA? Resposta: ninguém sabe, mesmo.