Escolher o método anticoncepcional mais adequado é uma decisão importante para a saúde reprodutiva e para a qualidade de vida. Com diferentes opções disponíveis no mercado, desde pílulas e preservativos até implantes e dispositivos intrauterinos, entender como cada método funciona, seus benefícios e possíveis efeitos colaterais ajuda homens e mulheres a planejar a gravidez de forma segura e consciente. Especialistas alertam que a escolha deve considerar estilo de vida, histórico de saúde e orientação médica, garantindo proteção eficaz e bem-estar.
De acordo com Gabriela Françoes Rostirolla, médica ginecologista e obstetra, os principais métodos contraceptivos disponíveis no Brasil incluem: “Pílula anticoncepcional, que pode ser de hormônios combinados (estrogênio e progestagênio) ou de progestagênio isolado; anticoncepcionais injetáveis; dispositivos intrauterinos (DIU de cobre e DIU hormonal); implante subdérmico; adesivo transdérmico; anel vaginal; e preservativos masculino e feminino. Também fazem parte as opções de contracepção de emergência, como a pílula do dia seguinte ou o DIU de cobre, indicado até cinco dias após a relação sexual desprotegida. Além desses, existem os métodos naturais”, frisa.

Diferentes métodos
A médica explica que as técnicas de contracepção variam conforme o funcionamento. “Os métodos hormonais atuam principalmente inibindo a ovulação e incluem a pílula anticoncepcional, os injetáveis, o implante, o adesivo e anel vaginal. Os DIUs hormonais agem no espessamento do muco cervical, inibindo a capacitação espermática e deixando o endométrio atrófico. Os métodos de barreira, como os preservativos masculino e feminino, impedem fisicamente a passagem dos espermatozoides e são os únicos que também protegem contra infecções sexualmente transmissíveis. Os métodos naturais baseiam-se na identificação do período fértil e na abstinência ou uso de outro método nesse período, apresentando menor eficácia. Já os métodos definitivos, como a laqueadura tubária e a vasectomia, são permanentes e indicados para pessoas que não desejam mais filhos”, menciona.
A ginecologista destaca que a escolha do método contraceptivo não deve ser feita de forma isolada, já que envolve diferentes fatores que precisam ser avaliados. “Depende do desejo de futuras gestações e da ausência de contraindicações”, aponta.
Gabriela ressalta que existem métodos contraceptivos indicados para diferentes perfis e objetivos. Segundo a especialista, a escolha deve levar em conta a eficácia e o planejamento reprodutivo de cada pessoa. “Os LARC (Long-Acting Reversible Contraceptives) são os métodos mais eficazes, sendo o implante subdérmico aquele com a menor taxa de falha. Os dispositivos intrauterinos, tanto o DIU hormonal quanto o de cobre, também apresentam altíssima eficácia. Para casais que não desejam mais gestar, a vasectomia e a laqueadura tubária são métodos definitivos eficazes”, explica.
Prós e contras
Os métodos hormonais têm pontos positivos e negativos que variam de pessoa para pessoa e precisam ser avaliados com orientação médica. “Os anticoncepcionais orais combinados, que associam estrogênio e progestagênio, têm como principais vantagens a boa eficácia quando utilizados corretamente, a regulação do ciclo menstrual, a redução do fluxo e da dismenorreia, além de benefícios como melhora da acne e redução do risco de câncer de ovário e endométrio. Por outro lado, exigem adesão diária e estão associados a efeitos adversos como náuseas, cefaleia e mastalgia, além de maior risco tromboembólico em mulheres com fatores de risco, sendo contraindicados em diversas condições clínicas”, destaca.
Por outro lado, os métodos que utilizam apenas progestagênio, como algumas pílulas, o injetável trimestral e o implante subdérmico, são alternativas indicadas para mulheres com contraindicação ao estrogênio ou em período de amamentação. “Entre as vantagens estão o menor risco tromboembólico e a alta eficácia, especialmente no caso do implante. Como desvantagens, destacam-se o sangramento uterino irregular, particularmente nos primeiros meses de uso, menor previsibilidade do ciclo menstrual e, no caso do injetável trimestral, possível ganho de peso, atraso no retorno da fertilidade e redução reversível da densidade mineral óssea com uso prolongado”, destaca Gabriela.
DIU hormonal ou DIU de cobre?
A especialista destaca que a definição do método deve levar em conta as preferências e o perfil de cada mulher, já que cada opção apresenta características próprias. “O DIU de cobre é um método contraceptivo não hormonal que age dificultando a ação dos espermatozoides, podendo aumentar o fluxo menstrual e as cólicas, com duração de até 10 anos, enquanto o DIU hormonal libera progestagênio (levonorgestrel), espessa o muco cervical e afina o endométrio, geralmente reduzindo o sangramento e a cólica, com duração média de cinco à oito anos; ambos são altamente eficazes, reversíveis e a escolha deve considerar o perfil clínico e a preferência da paciente”, aponta.
Quem deve evitar contraceptivos hormonais
A ginecologista alerta que esses métodos que contêm estrogênio devem ser evitados por mulheres com histórico de trombose, AVC ou infarto, trombofilias, enxaqueca com aura, câncer de mama, doença hepática grave, hipertensão não controlada, diabetes com complicações, além de fumantes com mais de 35 anos. Também não são indicados em casos de sangramento uterino sem diagnóstico e durante a gestação.
Segundo a especialista, os métodos que utilizam apenas progestagênio apresentam menos restrições em comparação aos combinados, porém também exigem avaliação cuidadosa em situações específicas, sendo fundamental que a escolha seja feita de forma individualizada e com acompanhamento médico.
Erros mais comuns
A médica destaca que os principais equívocos no uso do contraceptivo são: “Esquecer ou usar irregularmente a pílula, usar o preservativo de forma incorreta, atrasar injeções, não considerar interações medicamentosas, interromper o método sem orientação e não associar preservativo para prevenção de ISTs”, frisa Gabriela.
Além dos métodos citados, situações como cirurgias bariátricas e afecções gastrointestinais podem comprometer a absorção e a eficácia dos anticoncepcionais de uso oral, tornando essencial que as pacientes sejam devidamente orientadas e acompanhadas por profissionais de saúde.
Mitos
Apesar de serem amplamente utilizados, os métodos contraceptivos ainda são cercados por dúvidas, crenças populares e informações equivocadas que acabam influenciando diretamente a decisão das pessoas. Entre os principais mitos estão ideias que não têm respaldo científico, mas que seguem sendo reproduzidas, segundo ela: “DIU causa infertilidade, anticoncepcional engorda e reduz a libido; é preciso fazer pausa no uso do anticoncepcional para limpar o organismo; DIU é só para quem já teve filhos e que métodos hormonais são sempre prejudiciais”.