VIDA VIVIDA
HOJE E OUTRORA
Ao ouvir, na Câmara de Vereadores, nesta quarta, o Hino de Bento, música e letra, me dei conta de que ele foi composto e musicado na era romântica de Bento, mesmo que o município estivesse na efervescência política, toda voltada porem ao crescimento, em conquistas que precisávamos. E que, seu texto e música, belos e expressivos, assim como universais, dizem também respeito ao momento atual, somos uma colmeia de trabalho, unificada e abençoada.
A CLASSE DOS TRABALHADORES
Toda a ação empresarial estaria maculada não tivéssemos no município uma classe trabalhadora agregada em torno de Sindicatos com suas diretorias fortes e competentes; os comerciários fluem com alegria sob a presidência de Orildes Loticci; os metalúrgicos são liderados por dirigentes de competência com ação discreta de seu Presidente Deoclides dos Santos; os trabalhadores do ramo moveleiro são liderados pela dinâmica e eficiência de Adriana Machado de Assis, tendo a seu lado a assessoria do legendário Ivo Vailatti, ex-presidente; o Sindicato dos Trabalhadores Rurais tem na presidência um dos seus mais brilhantes líderes, Cedenir Postal, produtor rural de São Luís das Antas, que tem a família acreditando nos frutos da terra e expositora na feira livre. O Sindicato se confunde na sua essência pois reúne trabalhadores e empresários rurais, mas em convivência pacífica. ORILDES, CEDENIR, e DEOCLIDES, foram homenageados pela Câmara de Vereadores nesta quarta. O plenário das pessoas que foram prestigiar os líderes estava lotado, mas o Plenário dos Vereadores não, faltaram alguns, o que não dá para entender nem mesmo diante da justificativa de “outro compromisso”. Os homenageados ganharam o TROFÉU MÉRITO TRABALHADOR SINDICALIZADO E COMUNITÁRIO, assim como ouviram pronunciamentos e se fizeram ouvir. O evento serviu para mostrar a força, a idoneidade e competência da liderança sindical trabalhadora e o jantar (DI PAOLO lotado) que sucedeu a homenagem mostrou o quanto estão integrados no nosso meio social. Fico muito feliz ao ver as Entidades representativas do CAPITAL e TRABALHO fortes e atuantes dentro dos preceitos de paz, respeito, e gestão que agrega também o bem comum.
VIDA DE OUTRORA
Em determinado momento da minha vida cumpri vontade paterna “vai ser piloto e assim tu não vai servir o exército”. Minha carteira de piloto privado chegou atrasada e, assim, tive que servir o exército por 47 dias como o soldado 1037. Antes de escrever sobre isso quero contar sobre outras ações de vida vivida
NA ESCOLA DE ENOLOGIA
Antes de contar, quero dizer para esses jovens “poca voia” que andam por aí, que eu cursei, ao mesmo tempo, dois cursos de 2ª grau. De manhã, na Escola de Enologia, com aulas teóricas pela manhã e práticas a tarde. E, à noite, no Colégio Aparecida, curso Técnico em Contabilidade. Na Escola de Enologia, curso de Enólogo, eu, a Gircey Melo e a Regina (filha do diretor) de Assis Lage, formávamos um trio diferenciado, muita amizade, cumplicidade e solidariedade. Nas salas de aula, na matéria de enologia do professor Fenochio rolava “tentativa de cola” pois o MAGISTER, já vinha preparado para o flagra e, em acontecendo, ele não recolhia a prova e dava zero, ele anunciava em voz alta “Caprara Peneo, tá colando entrega a prova”. Ele era italiano, falava italiano misturado com português, tinha a sabedoria compatível com a altura dele, grande. Eu gostava dele, acho que ele sabia disso, pois apesar dos vários PENEOS, eu passei, ou fui passado, na disciplina dele. Mesmo tendo ele me expulsado durante aula prática no laboratório dizendo: “CAPRARA SAI DAQUI, TU VAI ME EXPLODIR O LABORATÓRIO”! Acontece que eu tinha medo que aqueles recipientes de vidro explodissem mesmo, colocados no fogo direto. Lá no BARRACÃOCITY os recipientes colocados no fogo eram de ferro, não de vidro. Nos Jogos da Primavera tinha uma modalidade, as PIRÂMIDES, ganhava o colégio que fizesse a PIRÂMIDE MAIS ALTA. No intervalo, entre uma aula e outra, nós treinávamos: primeira fila 6, segunda fila 4, terceira fila 3, quarta fila 2, lá encima 1. Eu era componente da segunda fila. Alguém não aguentou e tudo veio abaixo, eu fui jogado no chão de parquê. Tudo bem, veio a aula seguinte, de matemática, e o Prof. Raimundo olhou pra mim e disse: “Henrique, vai até o banheiro e dá uma olhada no teu nariz, tem qualquer coisa errada”. Fui e vi que meu nariz estava literalmente partido ao meio, com um leve sangramento. No hospital fui atendido pelo médico da família, Dr. Jaime Gudde. Embora Clínico Geral, ele ficou umas quatro horas consertando meu nariz, lembro dele ter dito “vou ter que caprichar se não alguém (namorada) não vai gostar”. Com o tempo formou-se uma calosidade no osso fiquei com um nariz de “papagaio”, com a parte de cima e parte de baixo separadas por um calombo, foram necessárias mais duas cirurgias para corrigir o problema. MALEDETA PIRÂMIDE! Lá na Estação de Enologia, nas aulas práticas, minha turma da escola plantou 40 pés de parreira, uma cada aluno, na base do picão e pá. Eu tirei de letra, já fazia isso, no Barracão, mas teve colega que “ao invés de plantar o pé de parreira plantou a pá e o picão com o pé de parreira”. Nas aulas de educação física, com o Professor Aimo, fizemos um time de vôlei, bicampeão dos jogos da primavera, eu e o Edes Salvador éramos levantadores e o Lyon Kunz era cortador mortal, quem mais tava no time não lembro. Com meu “saque inteligente” eu fazia vários pontos. Um belo dia eu fui chamado pelo muito querido Diretor Dr. Amintas de Assis Lage, que me disse o seguinte: “Henrique, quero te comunicar que a primeira turma de formandos te escolheu para acompanhá-los na viagem de estudos que vão fazer em São Paulo”. E eu respondi: “bah, Dr. Amintas, isso é “programa de índio”, dureza, acho que não vou não, agradeço”. E ele falou: “tu tá pegando a coisa pelo lado errado Henrique, tu foste honrado com o convite, pela tua liderança, pela tua representatividade, não deveria declinar dele”. Depois dessa colocação aceitei o convite. Visitamos três grandes cantinas em São Paulo, fomos também para São Roque e Jundiai, hoje o “Vale dos Vinhedos” deles. Na visita a MARTINI E ROSSI eu não quis visitar as dependências então fiquei na sacada existente na frente da empresa. A visita demorou o tempo que um bicho preguiça levou para subir um coqueiro existente na frente da empresa: 8 horas, a empresa ofereceu almoço, eu não participei. Eu ficava falando com ela, vamo, vamo, ela não respondia aos meus estímulos e eu lasquei, “por isso que o teu nome é preguiça”. Quando ela chegou lá encima, fim da tarde, a turma encerrou a visita. Passados 6 dias da visitação, Valdir Camerini, da revenda WILLYS de Bento, e formando, anunciou que estava voltando trazendo uma camionete RURAL, logo me escalei para voltar junto. “Tudo bem só que eu saio às 6h da manhã e pretendo chegar em Bento às 18h”, ele falou, “tudo bem” eu falei. Ele tinha que chegar” para não sei o que” e eu “queria para a sessão de cinema das 20h no Aliança”. Partimos no horário, ele voava com aquele veículo, quando chegamos na entrada de Lages, a camionete pegou fogo, não era pouco fogo. Conseguimos abrir o capô e ele ficou olhando, os moradores traziam baldes de água enquanto eu, com minha blusa, tentava apagar enquanto eles jogavam água. Dessa ação conjunta, minha blusa e água dos humildes moradores, o fogo apagou. Era um sábado guincho chamado, conseguimos uma oficina para o conserto, enquanto isso fomos a um restaurante onde comi “o melhor risoto de camarão da minha vida”. Reparados, veículo, nossas cabeças e estômagos, retornamos a estrada, chegamos em Bento lá pelas 21h, fui direto para o cinema, deixei minha maleta na bilheteria, eu já era familiar por aí, entrei, tava lotado o cinema, percorri todos os corredores com o BALEIRO-BALAS me atrapalhando, eu estava PROCURANDO ELA, não encontrei, sentamos então, eu e minha blusa “brustolada” lá atrás. E, passados dois minutos “apaguei”. Lá pelas tantas senti alguém batendo nas minhas pernas, acordei, era a faxineira me cutucando com o cabo da vassoura “pensei que o senhor tava morto” ela disse, olhei em volta, cinema vazio, perguntei que horas eram, ela respondeu “meia noite e quinze” eu tinha “assistido”, dormindo, as duas sessões. Sai do cinema, eu, minha mala e minha blusa, no meio da escuridão em direção a minha casa que ficava no bairro Humaitá, tomado de medo. Como se tudo não bastasse meus pais custaram a abrir a casa pensando se tratar de assaltante. Quem poderia ser a 1h30 da manhã com eles pensando que eu estava em São Paulo e que, voltaria dali mais uns dias? QUEM ESTÁ AÍ? É O HENRIQUE! O HENRIQUE ESTÁ EM SÃO PAULO! VOLTEI ANTES, É O HENRIQUE! Aí acendeu a luz, abriu uma janela e a constatação de que era eu, HONRADO COM O CONVITE DE TER IDO A SÃO PAULO COM OS FORMANDOS!