Estamos passando mais uma vez por significativas trocas de temperatura e umidade. Frio, calor, sol, chuva, tudo em pouco tempo e muito intenso. Isto pode afetar nossa saúde? O que fazer?
Temos acompanhado com cautela e apreensão as notícias e anúncios da meteorologia. Frio excessivo por aqui, calor excessivo no hemisfério norte. Chuvas intensas, trocas de temperatura muito abruptas. Nós humanos, sobrevivemos a milênios de mudanças climáticas, mas não sem um preço. O corpo humano funciona de maneira otimizada sob condições de estabilidade térmica e barométrica. A manutenção da temperatura interna em torno de 36,5°C exige um esforço coordenado do sistema nervoso central. Quando ocorrem quebras bruscas na temperatura e na umidade relativa do ar (grandes amplitudes térmicas em menos de 24 horas), o organismo é forçado a acionar mecanismos rápidos de compensação fisiológica.
O Impacto no Sistema Respiratório
O trato respiratório superior atua como um filtro, aquecedor e umidificador do ar inspirado.
- Ressecamento de Mucosas: A queda abrupta da umidade do ar paralisa o batimento dos cílios das vias aéreas e reduz a camada de muco protetora.
- Broncoconstrição: A inalação repentina de ar frio e seco causa irritação direta nas terminações nervosas dos brônquios, podendo causar tosse, bronquite e chiado no peito.
- Agravamento de Patologias Crônicas: Esse cenário desencadeia crises imediatas em pacientes com asma, rinite alérgica e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Muito cuidado quem tiver estas condições.
Sobrecarga Cardiovascular e Hemodinâmica.
As alterações de temperatura podem modificar o diâmetro dos vasos sanguíneos e o comportamento do coração.
- Do Calor para o Frio: A queda térmica súbita provoca vasoconstrição periférica (estreitamento dos vasos) para reter calor. Isso eleva a pressão arterial agudamente e aumenta a viscosidade do sangue. O resultado é uma sobrecarga no miocárdio, podendo favorecer dor tipo angina e até mesmo infarto do miocárdio em condições mais extremas.
- Do Frio para o Calor: O aumento rápido da temperatura induz a vasodilatação, o que causa queda abrupta da pressão arterial (hipotensão), tonturas, síncopes (desmaios) e maior taxa de desidratação.
Resposta Imunológica e Proliferação de Patógenos.
Mudanças climáticas extremas afetam tanto as nossas defesas quanto o comportamento dos microrganismos.
- Estresse Celular e Cortisol: O estresse gerado pela tentativa rápida de regulação térmica eleva os níveis de cortisol no sangue, o que deprime temporariamente a atividade das células de defesa (linfócitos e macrófagos).
- Sazonalidade e Confinamento: No frio, as pessoas tendem a permanecer em ambientes fechados e sem ventilação. Isso otimiza a sobrevida de aerossóis contendo vírus (como o da Influenza, Rinovírus e vírus sincicial respiratório), aumentando drasticamente o contágio.
Populações de Alto Risco (Vulnerabilidade Sistêmica)
Nem todos os organismos reagem da mesma forma ao choque térmico. Duas faixas etárias merecem atenção especial em qualquer estudo clínico:
- Idosos: Apresentam menor percepção de sede, artérias mais rígidas e um sistema de termorregulação menos eficiente pelo envelhecimento natural. Idosos em geral tomam menos líquidos por sentir menos sede, o que pode subestimar a percepção de uma desidratação. Vimos recentemente muitas mortes na Europa por calor excessivo e desidratação.
- Crianças: Possuem o sistema imunológico e a árvore respiratória ainda em desenvolvimento, além de uma superfície corporal proporcionalmente maior, o que facilita a perda ou ganho rápido de calor. Se tornam mais suscetíveis aos efeitos das trocas abruptas de temperatura e umidade.
O que podemos fazer?
As oscilações abruptas de temperatura e umidade deixaram de ser eventos sazonais raros e tornaram-se rotina devido ao cenário ambiental das mudanças climáticas globais.
Para mitigar os impactos na saúde pública, faz-se necessária a implementação de medidas preventivas: fortalecimento da hidratação diária, climatização gradual de ambientes fechados para evitar choques térmicos com o exterior e atenção aos portadores de doenças pulmonares e cardiovasculares crônicas, realizar vacinações periódicas recomendadas, como a vacina de gripe, por exemplo. Manter os tratamentos de suas doenças em dia, corretos e sempre sob supervisão de seu médico de confiança.





