Um grupo de mulheres de Toledo, no Paraná, passou três dias desta semana em Bento Gonçalves para conhecer experiências de turismo rural e entender como o setor é desenvolvido na região. A viagem técnica reuniu 10 das 16 integrantes do projeto Empoderando Mulheres do Campo, acompanhadas pelas professoras e doutora Carla Maria Schmidt, coordenadora da iniciativa, e Ivanete Daga Cielo, vice-coordenadora, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

Interesse pelo Vale
A aproximação com Bento não surgiu apenas pelo vinho. O projeto trabalha com diferentes possibilidades de turismo rural, e a região foi escolhida pela experiência na organização coletiva dos empreendimentos. “Não foi necessariamente a questão do vinho que nos trouxe para Bento Gonçalves, porque lá o foco não é a uva e o vinho, e sim outras possibilidades de turismo rural”, explica Carla.
O interesse pelo Vale dos Vinhedos, porém, acompanha a professora há anos. Em 2010, ao concluir o doutorado, ela defendeu uma tese com foco no roteiro, analisando a cooperação e as iniciativas coletivas entre empreendimentos de turismo rural. “A questão da cooperação, das formas de roteiro compartilhadas entre empreendimentos de turismo rural, pode desenvolver uma região, os próprios empreendimentos e até criar novas iniciativas e propriedades se desenvolverem”, afirma.
Experiências locais
Durante a passagem por Bento, o grupo conheceu o Vale dos Vinhedos e o Caminho de Pedras. Também participou de uma reunião com o prefeito e o secretário de Turismo do município, na qual, segundo Carla, foi possível conhecer a relação entre o poder público e os gestores dos empreendimentos de turismo rural, além de possibilidades de recursos, financiamentos, feiras, eventos e a construção de um CAT, central de atendimento ao turista.
Outro encontro ocorreu na Aprovale, com o consultor Jaime Milan. Para Carla, a experiência da entidade chamou atenção principalmente pela construção de uma organização coletiva. “Ele tem uma rica e vasta experiência, não só na questão do enoturismo, mas, em especial, na construção de uma associação que é a Aprovale, que é referência em termos de coletividade até pelo Brasil”, relata.
Próximos passos
A experiência é observada em um momento em que Toledo também busca fortalecer o turismo rural. A região já conta com hospedagem rural, camping, trilhas, lavandário, café rural, day use, contato com cavalos, cachoeiras e produção de queijos, geleias e torresmo, entre outras possibilidades.
Agora, a intenção é aproveitar o que foi conhecido na Serra Gaúcha sem simplesmente reproduzir os modelos. “Tem muitas ações e ideias agora que podem ser, não vou dizer replicadas, mas reconstruídas em Toledo a partir da experiência do Vale dos Vinhedos e do Caminho de Pedras, em especial da Aprovale”, afirma Carla.
Entre as principais lições levadas pelas participantes estão a continuidade do trabalho conjunto, a articulação com o poder público e a busca pela qualidade. Para a professora, o turismo também pode contribuir para a diversificação da renda e para a permanência das famílias no campo, inclusive favorecendo a sucessão familiar.





