A Justiça decretou a falência do Grupo Ditália, tradicional fabricante de móveis da Serra Gaúcha, após a rejeição do plano de recuperação judicial durante a assembleia de credores. A empresa acumula um passivo de aproximadamente R$ 85 milhões.
A recuperação judicial havia sido concedida em 2021, no segundo pedido apresentado pelo grupo. A primeira tentativa ocorreu em 2015, mas contemplava apenas uma das empresas da organização.
Na decisão, o juiz André Dal Soglio Coelho destacou que os credores optaram por não permitir a apresentação de uma nova proposta para reestruturar as dívidas. O grupo, composto por sete empresas, ainda buscou reverter a situação por meio do mecanismo conhecido como cram down, que autoriza a homologação judicial de um plano mesmo sem aprovação da assembleia de credores. No entanto, o magistrado entendeu que os requisitos legais para essa medida não foram atendidos.

A defesa da empresa informou que irá recorrer da decisão. Segundo o advogado Thiago Crippa Rey, parte significativa dos credores já recebeu os valores devidos. “Há uma irracionalidade econômica no voto da classe trabalhista. Mais de 60% dos credores, considerando todas as classes, já foram pagos à vista e sem qualquer desconto”, afirmou.
Apesar da decretação da falência, as atividades da empresa serão mantidas durante o processo de venda dos ativos. Conforme o administrador judicial, Augusto Moreira Neto, a intenção é comercializar toda a operação em conjunto, por meio de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), permitindo que um eventual comprador assuma as empresas em funcionamento.
De acordo com ele, os salários dos funcionários e os pagamentos aos fornecedores seguem sendo realizados normalmente. As propostas de interessados poderão ser apresentadas até o dia 30 de setembro. Caso haja apenas um interessado, a negociação será feita de forma direta. Se mais de uma proposta for apresentada, a venda ocorrerá por meio de leilão.
Fundada em 1990, em Bento Gonçalves, a Ditália iniciou suas atividades produzindo estofados em um espaço de apenas 70 metros quadrados. Com o crescimento da empresa, a produção foi transferida para Monte Belo do Sul. No auge da operação, o grupo chegou a empregar cerca de 600 trabalhadores. Atualmente, conta com 101 funcionários.





