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Fabiano Larentis ressalta regionalização e expansão da UCS entre municípios

A Universidade de Caxias do Sul (UCS) atravessa um novo momento de fortalecimento da atuação regional, com a ampliação da integração entre os campi de Bento Gonçalves, Nova Prata e Guaporé. À frente da unidade de Bento, o sub-reitor da UCS na Serra, Fabiano Larentis, ressalta que a estratégia busca aproximar a estrutura acadêmica das necessidades dos municípios e ampliar o acesso ao Ensino Superior.

A movimentação ocorre dentro de uma mudança mais ampla na orientação institucional. O planejamento da UCS para 2026 a 2030 incorporou, além da formação integral das pessoas, o desenvolvimento regional sustentável por meio da produção do conhecimento e da inovação. Segundo Larentis, a mudança qualifica uma estratégia que acompanha a universidade há décadas. “Eu não diria que é uma retomada, mas é muito mais uma qualificação da regionalização, que tem mais de 30 anos, desde que a gente iniciou”, comenta.

Larentis avalia que a universidade precisa ser compreendida como uma instituição única, mesmo distribuída em diferentes campi. Para ele, a integração permite potencializar estruturas, competências e relações já existentes, fortalecendo o caráter regional e comunitário da UCS.

Um novo papel para a sub-reitoria

A função de sub-reitor da Serra está diretamente relacionada à história da unidade de Bento Gonçalves. O cargo surgiu a partir do convênio entre a FERVI e a UCS e prevê uma atuação que ultrapassa os limites do campus. Com a atual gestão, essa dimensão regional volta a ganhar destaque. “Como sub-reitor, meu trabalho também é estabelecer a Universidade Comunitária da Serra no triângulo Bento-Nova Prata-Guaporé, meio que numa lógica como se fosse um cluster (grupo)”, explica.

Larentis explica que a proposta é ampliar a integração entre as unidades e aproveitar as condições e estruturas disponíveis em cada município. A ideia é fazer com que os campi atuem de maneira articulada, evitando a duplicação de estruturas e, ao mesmo tempo, aproximando os cursos dos estudantes.

Para Fabiano Larentis, compromisso com a região também passa pela formação integral e pelo desenvolvimento humano dos estudantes. Foto: Nathielly Paz

Essa lógica aparece de forma concreta na implantação dos chamados hubs. Em Nova Prata, por exemplo, parte das atividades de cursos na área das engenharias pode ser realizada localmente, enquanto as disciplinas que dependem de estruturas específicas, especialmente laboratórios, permanecem em Bento Gonçalves. A estratégia também é aplicada à Psicologia, que passou a disponibilizarr parte das disciplinas em Nova Prata. “Ao invés de o aluno vir para cá, a gente, em uma parte que nos permite, leva nossos professores para lá.”

Larentis aponta que a iniciativa considera não apenas a estrutura física disponível, mas também as dificuldades enfrentadas pelos estudantes para se deslocarem entre os municípios. Tempo de viagem, condições das estradas e custo do transporte são fatores que podem determinar a permanência ou não de um jovem no Ensino Superior.

Em Guaporé, a estratégia segue lógica semelhante. A existência de estruturas que podem ser aproveitadas permite ampliar a oferta sem necessariamente reproduzir integralmente a estrutura de Bento Gonçalves. A região, acrescenta o sub-reitor, também apresenta crescimento em setores como o metalmecânico, o que abre espaço para a expansão de cursos de Engenharia. “E tu estabelecer esses cursos lá faz uma diferença.”

A proposta também busca fortalecer a presença da UCS em uma região na qual os estudantes possuem alternativas de deslocamento para diferentes centros. Larentis considera que a oferta de parte dos cursos em Guaporé pode contribuir para que os estudantes permaneçam no próprio município, ao invés de buscar instituições em outras cidades.

Crescimento do presencial

A estratégia de regionalização ocorre em um momento de recuperação do número de estudantes. Depois de um período marcado pela redução das matrículas, influenciada pela crise econômica, pandemia e pela expansão do Ensino a Distância (EAD), a UCS registra crescimento no presencial.

Larentis informa que o campus encerrou o semestre anterior com quase 2,2 mil alunos presenciais. Somados os cerca de 300 estudantes do EAD e os mais de 200 matriculados em pós-graduação, mestrado e doutorado, a instituição se aproxima de 3 mil estudantes no conjunto.

O sub-reitor observa que a recuperação não ocorre apenas na entrada de novos estudantes. A instituição também registrou melhora nos índices de retenção, ultrapassando a meta de 90% estabelecida para os alunos aptos à rematrícula.

A ampliação da oferta de cursos também contribui para esse movimento. Após um intervalo de quatro anos sem novos lançamentos durante o período da pandemia, a UCS retomou a criação de graduações. Entre as novas opções estão Enfermagem, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Biomedicina, Engenharia de Computação, Engenharia de Software e o bacharelado em Educação Física. Em 2026, o campus também passou a contar com o curso der Publicidade e Propaganda.

Para 2027, a previsão é do retorno de um curso histórico: Economia. A graduação foi encerrada em 2013, mas a instituição voltou a identificar demanda na região, considerando o perfil econômico de Bento Gonçalves e o crescimento do interesse pela área relacionada ao mercado de capitais, bancos e cooperativas de crédito. “Nós percebemos, até pelo tamanho do curso em Caxias, que nós temos condições de abrir o curso aqui, porque é um curso que o jovem voltou a se interessar.”

Larentis relaciona a decisão também à capacidade de abrangência do campus. Atualmente, cerca de 52% dos estudantes que frequentam a unidade residem em Bento Gonçalves, enquanto os demais vêm de municípios da região, em uma área de aproximadamente 100 quilômetros de extensão.

Com 27 cursos de graduação presenciais, a unidade ampliou sua capacidade de atrair estudantes de diferentes municípios. O movimento, na avaliação do sub-reitor, consolidou Bento Gonçalves como um polo regional de Ensino Superior. “Então, a gente está já se estabelecendo, inclusive, como hub regional no Ensino Superior”, comenta.

Saúde e novas áreas de formação

Entre os segmentos que mais cresceram na UCS está a área da saúde, denominada internamente como área da vida. Biomedicina, Fisioterapia, Farmácia, Nutrição e Educação Física estão entre os cursos que apresentam demanda significativa.

Direito permanece como a graduação com maior número de matriculados, seguido por Psicologia, Administração, Engenharia Mecânica e Educação Física. Biomedicina e Arquitetura e Urbanismo também estão entre os cursos de destaque. O curso de Biomedicina, lançado em 2024, apresentou crescimento rápido e já figura entre os maiores do campus.

A expansão da área da saúde também envolve investimentos em estrutura. Larentis cita a implantação de um laboratório voltado à estética, especialmente para o curso de Biomedicina. “A área que a gente chama da vida, mas a área da saúde, é onde mais tivemos crescimento, é a área que mais tem crescido nos últimos anos.”

O crescimento dos cursos ligados à tecnologia também chama atenção, especialmente quando consideradas as graduações de Análise de Sistemas, Ciência da Computação, Engenharia de Software e Engenharia de Computação.

Relação com a FERVI e futuro do campus

Foto: Nathielly Paz

Outro tema que integra o planejamento da UCS é a renovação do comodato com a Fundação Educacional da Região dos Vinhedos, proprietária da área onde está instalado o campus de Bento Gonçalves. As primeiras conversas já ocorreram, e a expectativa é que a fundação apresente uma proposta de minuta para dar início às negociações. “A FERVI agora vai nos apresentar uma proposta de minuta para a renovação, e a gente vai começar as negociações a partir disso.” A renovação deverá envolver discussões sobre o uso das áreas do campus e a relação com a comunidade.

O espaço da UCS tornou-se, nos últimos anos, um ponto utilizado pela população nos finais de semana para caminhadas, convivência e lazer. A universidade possui 64 hectares inseridos na zona urbana de Bento Gonçalves, formando uma das principais áreas verdes do perímetro urbano. “É um espaço que a comunidade adotou”, diz.

A instituição já realiza ações para qualificar a utilização do local, como manutenção, segurança, implantação de trilhas e disponibilização de carregadores elétricos. A intenção é ampliar e estruturar esse uso, embora Larentis ressalte que qualquer avanço dependerá das negociações com a FERVI e das conversas com o poder público.

A aproximação com a comunidade também se manifesta em parcerias com o poder público. Um dos exemplos é o EMTI Universitário, iniciativa construída com a Prefeitura de Bento Gonçalves e que atende cerca de 300 alunos em turno integral.

A relação com a escola ampliou a presença da universidade em atividades educacionais, ambientais e de internacionalização. Entre os projetos estão a reforma da horta e da estufa, trilhas ecológicas, sala maker e ações desenvolvidas com professores e estudantes. A parceria também permitirá que a UCS leve aos alunos, durante a Internacional Week da instituição, experiências de internacionalização, como relatos de professores que estudaram ou viveram no exterior.

Uma instituição voltada para a região

A estratégia de regionalização, na visão de Larentis, o objetivo é conciliar a presença internacional e a produção de conhecimento com uma atuação cada vez mais conectada às demandas locais.

O planejamento institucional para 2026-2030 estabelece como missão “promover a formação integral das pessoas e o desenvolvimento regional sustentável por meio da produção do conhecimento e da inovação”. “Então, por que a própria universidade não pode ser o elemento indutor de reforço da internacionalização dessa região, por exemplo?”

Larentis entende que a UCS pode atuar como articuladora entre municípios, empresas, poder público e comunidade acadêmica. Nesse contexto, iniciativas como os hubs de Nova Prata e Guaporé, a aproximação com a Amesne, as parcerias com as entidades empresariais e sociais, integram uma mesma estratégia: fortalecer a universidade como referência regional.

O movimento ocorre em um cenário de recuperação das matrículas e ampliação da oferta acadêmica, mas também exige sustentabilidade financeira. Como instituição comunitária e beneficente, a UCS não distribui lucro e reinveste os resultados em sua estrutura. “Porque, como a gente é beneficente, não tem distribuição de lucro. Não tem, no final. Então, tudo é reaplicado aqui.”

Bento Gonçalves diante dos desafios

Larentis diz que o município possui características que favorecem o desenvolvimento econômico e a atração de novos moradores. Para ele, a diversidade da matriz produtiva, a geração de empregos e o movimento migratório contribuíram para o crescimento populacional. Segundo dados do Censo, a cidade ganhou cerca de 15 mil moradores entre 2010 e 2022.

Na avaliação dele, a diversificação econômica é um dos principais diferenciais do município. Além dos setores tradicionais, como o moveleiro e o vitivinícola, cita avanços no segmento metalmecânico, o surgimento de empresas de robótica e o fortalecimento do turismo. Ao mesmo tempo, aponta desafios relacionados à logística, mobilidade e às limitações geográficas para a expansão urbana. “O que alcançamos no passado não é garantia do nosso futuro”, pondera.

Larentis entende que a cidade precisará acompanhar as transformações tecnológicas e econômicas para preservar sua capacidade de crescimento. Nesse cenário, também ressalta o associativismo como uma das forças locais, pela participação de empresários, entidades e sociedade civil organizada nas discussões sobre o desenvolvimento do município.

Inovação e próximos investimentos

Larentis afirma que a UCS pretende ampliar a presença do Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação da UCS – TecnoUCS em Bento Gonçalves, com a implantação de uma incubadora e o fortalecimento da relação entre estudantes, empresas e projetos para o desenvolvimento de tecnologia e inovação.

A UCS também atua como Instituição de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICT), condição que permite sua participação em projetos financiados por editais que exigem parceria entre empresas e instituições científicas. A instituição participa da execução do Hub de Inovação Regional, iniciativa vinculada à InovaBento, com ações que incluem sensibilização sobre empreendedorismo e inovação junto a estudantes do Ensino Médio.

Para os próximos anos, Larentis projeta novos cursos, a continuidade da expansão por meio dos hubs de Nova Prata e Guaporé, investimentos em inovação e o fortalecimento das atividades relacionadas à saúde. A área, chamada internamente de “área da vida”, está entre as que mais crescem na unidade de Bento Gonçalves.
Para Larentis, a denominação representa um compromisso com o território e com a formação integral dos estudantes. “Não é apenas o aspecto técnico. É o aspecto comportamental, é a forma como essa pessoa se estabelece enquanto profissional, mas também enquanto ser humano”, afirma.

Para ele, o desenvolvimento regional depende da capacidade de conciliar formação, inovação, oportunidades profissionais e qualidade de vida. “É preciso levar em conta como a gente desenvolve o ser humano e como ele pode ter uma vida boa, um lugar bom para trabalhar e viver”, conclui.

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