A Escola Princesa Isabel prestou uma homenagem especial à professora Neusa Aparecida Minuzzi na terça-feira, 24, celebrando uma trajetória marcada por compromisso, afeto e contribuição significativa à educação. Com décadas de atuação entre as redes estadual e municipal, Neusa construiu uma carreira que ultrapassa o ensino da Educação Física, deixando marcas profundas na formação de gerações de alunos.
A caminhada na educação começou ainda em 1988, quando ingressou na rede estadual de ensino. Antes de chegar ao município, em 2007, foram 25 anos dedicados ao Estado, com passagens por escolas em Cotiporã e Garibaldi, até consolidar sua atuação na Escola Cecília Meireles, referência na formação de professores à época do magistério. “Ali foi o período mais importante da minha formação como professora”, relembra, ao destacar os encontros pedagógicos e a troca de experiências que moldaram sua prática docente.
Segundo ela, esse ambiente contribuía para um olhar mais aprofundado sobre o ensino, algo que, em sua avaliação, hoje enfrenta novos desafios diante das múltiplas demandas atribuídas à escola.

A chegada à rede municipal ocorreu após aposentadoria no Estado, quando prestou concurso específico para Educação Física nas séries iniciais, área que passou a ganhar maior espaço naquele período. Antes de assumir na Escola Princesa Isabel, ela ainda atuou na Secretaria de Educação por dois anos.

Neusa Minuzzi (com a faixa), junto de professoras e equipe da escola durante a homenagem (Foto: Cassiano Battisti/Jornal Semanário)

Foi na escola onde recebeu a homenagem que consolidou um dos vínculos mais duradouros da carreira. Ao longo de 18 anos, acompanhou alunos desde a educação infantil até o quinto ano, criando uma relação próxima com as turmas. “Eu sabia a história de todas as crianças. Isso me fez ficar”, afirma.
Mais do que ensinar esportes e atividades físicas, ela transformava suas aulas em experiências de desenvolvimento integral. Jogos, danças e exercícios eram utilizados como ferramentas para estimular não apenas o corpo, mas também aspectos emocionais e sociais dos alunos. “Ver a evolução deles ao longo dos anos sempre foi muito gratificante”, destaca.

Neusa com seus ex-alunos no São João (Foto: Arquivo pessoal)

Atuação e determinação
A escolha pela docência, no entanto, não foi imediata. Formada inicialmente como técnica pela Escola de Enologia, Neusa não tinha planos de seguir a carreira de professora. Foi o incentivo de docentes e o envolvimento com o esporte que a conduziram à Educação Física, decisão que, segundo ela, nunca trouxe arrependimentos.
Ao longo de quase quatro décadas de atuação, as lembranças são muitas. Entre elas, o reencontro com ex-alunos, alguns dos quais também seguiram a carreira docente. “Muitos dos professores do município já foram meus alunos. Isso é muito significativo”, relata.
A homenagem recebida, porém, também vem acompanhada de sentimentos mistos. Neusa precisou se afastar da sala de aula antes do previsto, em função da aposentadoria compulsória. “Foi muito marcante ter que sair de uma hora para outra, no meio do ano. Eu queria terminar o ano com as crianças”, conta.
Mesmo assim, o carinho recebido da comunidade escolar permanece como uma das maiores recompensas da profissão. “Os abraços, o reconhecimento, isso tudo dá sentido ao nosso trabalho”, afirma.
Ao refletir sobre os desafios atuais da educação, ela aponta para a necessidade de maior valorização dos professores e melhores condições estruturais nas escolas. Segundo ela, o aumento das demandas, aliado à falta de recursos e profissionais, dificulta o trabalho pedagógico. “A escola precisa dar conta de tudo, mas nem sempre tem as condições necessárias”, observa.
Para os novos docentes, o conselho vem carregado de realismo, mas também de compromisso. “É uma profissão desafiadora, que mudou muito. Mas é preciso seguir buscando fazer o melhor pelos alunos, mesmo diante das dificuldades”, conclui.