Celebrado em 15 de julho, o Dia Nacional do Homem vai muito além de uma data simbólica. Criada para incentivar o autocuidado e ampliar a conscientização sobre a saúde masculina, a campanha enfrenta um desafio que ainda persiste no Brasil: a resistência dos homens em procurar atendimento médico e cuidar da saúde física e mental de forma preventiva.
A cultura de que o homem deve ser forte, resistente e invulnerável ainda influencia o comportamento de grande parte da população masculina. Como consequência, muitos deixam de realizar consultas de rotina, procuram os serviços de saúde apenas quando a doença já apresenta sintomas graves e, em muitos casos, também evitam buscar apoio psicológico.
Em Bento Gonçalves, os homens representam uma parcela significativa da população. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município possui 59.695 homens, o equivalente a 48,47% da população. Entre os eleitores, eles correspondem a 47,5% do eleitorado, com aproximadamente 44,4 mil pessoas aptas a votar.
Os reflexos desse comportamento aparecem nos indicadores de saúde. Dados históricos do Ministério da Saúde mostram que os homens vivem, em média, 7,6 anos menos que as mulheres. Um dos principais fatores para essa diferença é a baixa adesão à prevenção.

Entre as mortes registradas no Brasil na faixa etária de 20 a 59 anos – considerada a fase mais produtiva da vida -, cerca de 68% ocorrem entre homens. Entre as Doenças Crônicas Não Transmissíveis, os homens apresentam índices mais elevados de mortalidade prematura. Nas doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), a mortalidade masculina é cerca de 40% superior à feminina, impulsionada por fatores como tabagismo, consumo excessivo de álcool, alimentação inadequada, sedentarismo e estresse.
O cenário também preocupa quando o assunto é câncer. Os homens apresentam maior mortalidade por diversos tipos da doença, principalmente em razão do diagnóstico tardio.
Mais do que uma comemoração, o Dia Nacional do Homem representa um alerta de saúde voltado à mudança de comportamento, estimulando a incorporarem o autocuidado à rotina, consultas periódicas, exames preventivos e a busca por apoio sempre que necessário, seja para a saúde física ou mental. Reservar um tempo para a prevenção pode significar mais anos de vida, mais qualidade no convívio familiar e a oportunidade de permanecer por mais tempo ao lado das pessoas que mais importam.
Texto: Rodrigo Bergsleithner





