Segunda-feira, 07 de Setembro de 2026

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Canetas emagrecedoras não devem ser utilizadas com o objetivo de perder poucos quilos, diz médico

Embora representem um avanço na medicina metabólica, os medicamentos análogos do GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, exigem cautela, prescrição e acompanhamento profissional constante. Segundo o endocrinologista Alexandre Paggi, as medicações atuam de forma semelhante a um hormônio produzido pelo próprio organismo após as refeições. “São medicamentos que já vêm sendo utilizados há muitos anos no tratamento do diabetes e que, mais recentemente, também foram aprovados para o tratamento da obesidade”, ressalta o médico.

Quando é indicado

Até poucos anos atrás, a obesidade contava com poucas opções de tratamento medicamentoso capazes de proporcionar resultados efetivos e duradouros. Embora a orientação nutricional e as mudanças no estilo de vida continuem sendo fundamentais, muitas pessoas não conseguem obter ou manter uma perda de peso significativa apenas com essas medidas.

O médico explica que ela precisa ser compreendida como uma doença crônica, associada ao desenvolvimento de outras doenças e a riscos importantes para a saúde. “Pessoas com obesidade apresentam maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, entre outras condições”, frisa.
Além da perda de peso, o tratamento proporciona melhora do controle da glicose, da pressão arterial, do colesterol e da mobilidade, além da redução do risco cardiovascular e de outras complicações relacionadas à doença. “Também precisamos considerar que a doença pode causar sofrimento diário. Conviver com essa condição é complexo e pode gerar dificuldades em vários aspectos da vida, desde comprar roupas e frequentar uma academia até utilizar assentos e espaços públicos. Por isso, os benefícios para a obesidade são múltiplos: envolvem tanto a saúde física quanto a qualidade de vida e podem ser percebidos a curto, médio e longo prazo”, relata o endocrinologista.

Riscos do uso sem acompanhamento médico

O médico explica que esses medicamentos imitam um hormônio produzido naturalmente pelo organismo e relacionado à saciedade, ao funcionamento do trato digestivo e ao controle da glicose. “Os efeitos adversos mais comuns decorrem justamente dessa atuação sobre o sistema digestivo. Na prática clínica, podem ocorrer náuseas, sensação de estômago cheio, refluxo, vômitos, diarreia ou constipação. Quando a medicação é utilizada em dose excessiva, aumentada rapidamente ou usada de maneira inadequada, esses sintomas podem se tornar intensos e até inviabilizar a continuidade do tratamento”, reforça.

Além disso, não são descartadas complicações menos frequentes, como pancreatite, inflamação da vesícula e desidratação decorrente de vômitos ou diarreia persistentes. Ele alerta também para o uso incorreto, principalmente para fins estéticos. “Não devem ser utilizados indiscriminadamente com o objetivo de perder poucos quilos ou alcançar determinado padrão estético”, menciona.

O endocrinologista menciona que o tratamento não deve ocorrer de forma isolada. “Nenhuma medicação substitui uma alimentação saudável e a prática regular de atividade física. Esses dois elementos são a base não apenas do tratamento da obesidade, mas também da promoção da saúde e da qualidade de vida. Os benefícios de uma alimentação adequada e dos exercícios vão muito além da perda de peso, envolvendo a saúde cardiovascular, metabólica, muscular e mental”, relata.

Preocupações

De acordo com Paggi, uma das grandes apreensões da sociedade médica e dos órgãos reguladores é coibir a venda de medicamentos de origem desconhecida por redes sociais, sites e grupos de mensagens. “Produtos adquiridos no mercado paralelo podem ser falsificados, estar contaminados, conter uma concentração diferente da informada ou até não possuir o princípio ativo esperado. Além disso, não há garantia de que tenham sido transportados e armazenados na temperatura adequada. Como são medicamentos injetáveis, essas irregularidades podem trazer riscos graves à saúde”, menciona.

Ele explica que os medicamentos devem ser adquiridos em farmácias regularizadas, com receita médica e retenção de uma das vias. “Não devem ser comprados em redes sociais nem utilizados a partir de produtos oferecidos ou fracionados em clínicas, consultórios, salões de beleza ou academias, especialmente quando não há garantia de procedência. Também é importante esclarecer que, depois da orientação médica, a aplicação normalmente é feita pelo próprio paciente em casa. Não é necessário comparecer a um estabelecimento para receber cada dose. A prática correta é realizar a consulta, adquirir o medicamento regularizado em uma farmácia e utilizá-lo individualmente, conforme a prescrição”, orienta.

Ele conta que a influência não se restringe apenas aos análogos do GLP-1. “As redes sociais estão repletas de promessas de tratamentos milagrosos, soros, vitaminas e suplementos frequentemente desnecessários e que, além de não proporcionarem o benefício anunciado, podem trazer riscos à saúde. Por isso, a busca por medicamentos, tratamentos ou soluções mágicas nas redes sociais deve ser vista com cautela. Mesmo quando a informação parte de alguém com formação e registro profissional, isso não transforma o conteúdo em uma consulta individualizada”, afirma.

Quem usa

Gizelda Maria Bonatto Alberici conta que o tratamento transformou a forma como passou a cuidar da própria saúde. Segundo ela, a decisão de iniciar o uso da medicação foi tomada após uma avaliação médica. “A minha principal motivação foi a saúde. Eu já estava acima do peso, tinha dificuldade para emagrecer e, em um determinado momento, apresentei um episódio de pressão alta que me levou a procurar um cardiologista. Fiz toda a investigação, incluindo o MAPA, e não foi diagnosticada hipertensão. Paralelamente, durante a avaliação com a endocrinologista, também foi constatado hipotireoidismo. Após analisar meu quadro clínico e os exames, ele indicou o tratamento para a obesidade com o objetivo de melhorar minha saúde e reduzir os riscos associados ao excesso de peso”, menciona.

Segundo ela, além da perda de peso que até o momento foi de 20 kg, ela percebeu melhora na disposição e mais facilidade para realizar as atividades do dia a dia e uma qualidade de vida muito melhor. Porém ela explica que no início do tratamento apresentou efeitos colaterais, como: náuseas e diminuição do apetite. “Com o acompanhamento da minha médica, meu organismo foi se adaptando à medicação e esses sintomas diminuíram. De modo geral, minha experiência foi muito positiva e o tratamento transcorreu de forma segura”, frisa Gizelda.
Além do medicamento, ela diz que o uso foi apenas uma parte do tratamento. “Passei a cuidar muito mais da alimentação, aumentei a ingestão de proteínas, pratiquei atividade física regularmente e mantive o acompanhamento médico. Acho que o resultado aconteceu pela combinação de todos esses fatores”, esclarece.

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