Caminhar cerca de sete mil passos por dia já é suficiente para reduzir de forma significativa o risco de diversos problemas graves de saúde, segundo a maior revisão científica sobre o tema já realizada. O estudo questiona a meta popular de 10 mil passos diários e aponta que benefícios relevantes podem ser alcançados com uma quantidade menor de atividade física.
A marca dos 10 mil passos, amplamente difundida entre usuários de aplicativos e relógios inteligentes, supostamente teria surgido a partir de uma campanha de marketing da década de 1960 para um pedômetro japonês, sem base científica sólida. Para buscar um parâmetro mais confiável, uma equipe internacional de pesquisadores, liderada por acadêmicos da Universidade de Sydney, na Austrália, analisou 57 estudos realizados em diferentes países, envolvendo cerca de 160 mil pessoas.
Os dados, divulgados na revista científica Lancet Public Health, apontaram que pessoas que caminham cerca de sete mil passos por dia apresentam uma redução de aproximadamente 47% no risco de morte precoce por diversas causas, quando comparadas àquelas que dão em torno de dois mil passos diários. A pesquisa também ampliou a análise ao incluir problemas de saúde que ainda não haviam sido explorados em estudos anteriores sobre o tema.
A rotina de caminhar cerca de sete mil passos diariamente esteve relacionada a uma queda de 38% no risco de desenvolver demência, além de uma redução de 25% nas chances de doenças cardiovasculares, 22% de depressão e 14% de diabetes. Os resultados reforçam a importância da atividade física regular na prevenção de diferentes problemas de saúde.
Em relação ao câncer, a quantidade de passos não alterou diretamente o risco de a pessoa desenvolver a doença. No entanto, indivíduos mais ativos apresentaram uma probabilidade 37% menor de morrer em decorrência do câncer quando comparados àqueles com menor nível de atividade física.
De acordo com os autores do artigo publicado, apesar do novo estudo, as pessoas que conseguem dar mais de 10 mil passos por dia devem continuar. “Embora 10 mil passos por dia ainda possa ser uma meta viável para as pessoas mais ativas, sete mil passos por dia estão associados a melhorias clinicamente significativas nos resultados de saúde e podem ser uma meta mais realista e alcançável para alguns”, destacam.
Segundo o coautor do estudo, Paddy Dempsey, pessoas que tendem a caminhar pouco por dia, o ideal é aumentar a frequência. “Se você dá de dois a três mil passos por dia, tente adicionar mais mil passos. Isso equivale a apenas 10 a 15 minutos de caminhada leve ao longo do dia”, disse.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a prática de, no mínimo, 150 minutos de atividade física moderada a intensa por semana, o que equivale a cerca de 30 minutos por dia, cinco vezes na semana. De acordo com a entidade, quase um terço da população mundial não alcança esse nível de exercício, o que aumenta o risco de desenvolvimento de doenças crônicas, como problemas cardiovasculares, diabetes, obesidade e transtornos de saúde mental. A falta de atividade física também está associada a maior mortalidade precoce e pior qualidade de vida.