Em meio à variedade de opções disponíveis no mercado, os brinquedos educativos têm conquistado espaço entre famílias e escolas por aliarem diversão e estímulos ao desenvolvimento infantil. Mais do que entreter, eles contribuem para o aprendizado, a criatividade e o desenvolvimento de habilidades cognitivas, motoras e socioemocionais em diferentes fases da infância.
De acordo com a educadora e psicopedagoga, Cristiane de Oliveira Ramos, esses brinquedos são ferramentas que favorecem o desenvolvimento integral da criança. “Mediante o brincar é que a criança aprende a explorar o ambiente, resolver problemas, desenvolver a imaginação, compreender regras, lidar com emoções e construir relações. Quando o brinquedo é adequado à fase do desenvolvimento, ele estimula a aprendizagem de forma prazerosa e respeita o ritmo natural da infância”, observa.
Além disso, Greice Bettoni Tognon, proprietária da Casa Lúdica de Bento Gonçalves, explica que a principal diferença entre os brinquedos convencionais é que ele é desenvolvido com objetivos de desenvolvimento e aprendizagem, enquanto os convencionais têm como foco principal o entretenimento. “Além de divertir, ele incentiva habilidades importantes de forma natural como: raciocínio, criatividade, coordenação motora, concentração, de acordo com a faixa etária da criança”, afirma.
Idade ideal para cada brinquedo
Tanto Cristiane quanto Greice afirmam que cada fase representa um tipo de brincadeira. “Desde o nascimento é possível sim oferecer estímulos adequados. O mais importante não é a idade em si, mas escolher brinquedos compatíveis com o estágio de desenvolvimento da criança”, afirma Cristiane.
- Zero a dois anos: brinquedos sensoriais, texturas, sons suaves, encaixes simples e objetos seguros para exploração;
- Dois a quatro anos: blocos de montar, quebra-cabeças simples, brinquedos de faz de conta e atividades de coordenação;
- Quatro a seis anos: jogos com regras simples, materiais de arte, construção, letras, números e desafios progressivos;
- Acima de seis anos: jogos estratégicos, experimentos científicos, desafios de lógica, leitura e construção mais complexa.
Adultos e família: jogos de estratégia, desafios de lógica, quebra-cabeças e jogos de tabuleiro, ideais para reunir a família e os amigos, exercitar a mente e proporcionar momentos de diversão e convivência.
Cristiane menciona que para os pais escolherem o ideal é observar se ele faz a criança pensar, criar, experimentar e descobrir. “Vale observar se ele estimula a imaginação, permite diferentes formas de brincar, favorece a resolução de problemas, incentiva a interação, respeita a faixa etária, possui qualidade e segurança”, observa.
Mais procurados
Greice relata que os brinquedos mais procurados em sua loja incluem jogos de desafios, quebra-cabeças, brinquedos magnéticos, peças de construção e atividades voltadas ao desenvolvimento do raciocínio lógico. Segundo ela, um erro comum na escolha de um brinquedo educativo é pensar apenas no entretenimento imediato, sem considerar o potencial de desenvolvimento da criança. “É importante observar a faixa etária, os interesses e as habilidades que podem ser estimuladas. Um bom brinquedo não é aquele que apenas entretém, mas aquele que desafia, envolve e proporciona aprendizado através da brincadeira”, observa.
Ela acrescenta que também tem percebido uma mudança no comportamento das famílias, que buscam cada vez mais alternativas de aprendizado longe das telas. Entre as tendências estão brinquedos sensoriais, de construção, jogos de interação familiar e opções que estimulam a criatividade e as habilidades STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática), além do brincar livre.
Cristiane afirma ainda que quando a criança encontra algo que lhe chama atenção, o uso de telas fica em segundo plano. “O equilíbrio acontece quando: existem momentos diários reservados para brincadeiras livres; as telas são utilizadas com objetivos específicos e por tempo limitado; a rotina inclui atividades ao ar livre, leitura, jogos e convivência familiar. E saliento a importância dos adultos aproveitarem o momento para oferecer um tempo de qualidade longe de telas também. É importante entender que o problema não é apenas a presença da tecnologia, mas o excesso e a substituição das experiências reais de aprendizagem”, orienta.

Brincadeiras simples
É importante mencionar que as atividades do cotidiano também são consideradas práticas saudáveis e educativas, como explica a psicopedagoga. “Resgatar brincadeiras como amarelinha, esconde-esconde, massinha, blocos de madeira, dominó, quebra-cabeças, bola, corda e faz de conta desenvolvem habilidades fundamentais nas crianças”, observa.
Greice afirma que compartilhar com os filhos as brincadeiras vivenciadas na infância também é uma oportunidade de fortalecer os vínculos familiares. Atividades como peteca, pião, Cinco Marias e taco podem ser resgatadas pelos pais como momentos de conexão e interação.
Cristiane também reforça a importância da participação dos pais durante as brincadeiras. “Eles não precisam dirigir elas o tempo todo, mas estar presentes, observar, incentivar, fazer perguntas, validar emoções e ampliar as possibilidades da atividade. Quando um adulto brinca junto, fortalece o vínculo afetivo, favorece o desenvolvimento da linguagem, transmite segurança emocional e cria oportunidades de aprendizagem que dificilmente aconteceriam de forma isolada. Além de ser um momento onde ele também pode aproveitar para visitar suas memórias afetivas, curar sua criança interior e de se divertir muito”, sugere.





