Segunda-feira, 13 de Julho de 2026

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Boa safra de citros contrasta com preços baixos e dificuldade para produtores

Embora a safra seja considerada volumosa neste ano, o cenário tem sido marcado por preços baixos, redução da procura e dificuldades para cobrir os custos de produção. Além disso, a estiagem registrada no início do ano afetou o desenvolvimento dos frutos em algumas variedades, comprometendo parte da qualidade.

Na comunidade de São Luiz, no distrito de Tuiuty, o produtor Mateus Rosina relata que a produtividade ficou acima do esperado, mas a estiagem durante o desenvolvimento das frutas comprometeu o tamanho de parte da produção. Segundo ele, a comercialização também foi prejudicada pela baixa procura. “A safra enfrenta muitas dificuldades devido à alta produtividade, ao menor calibre dos frutos em algumas variedades em razão do baixo volume de chuvas, à baixa procura e aos preços reduzidos”, relata.

Na propriedade, as principais variedades cultivadas são bergamota Ponkan, laranja para suco e laranja Céu. A colheita já está na fase final.

Situação semelhante é vivida pela produtora Aline Marin Sikorski, da Linha Natividade, distrito de Faria Lemos. “A qualidade foi afetada nos meses de janeiro e fevereiro, mas a quantidade ficou bem acima do que esperávamos”, explica.

Entre as variedades cultivadas na propriedade estão as bergamotas Caí, Pareci, Montenegrina e Ponkan. A colheita da variedade Caí já foi encerrada, enquanto a da Pareci está em andamento.

Baixa remuneração dificulta a comercialização

Apesar do bom volume produzido, os agricultores afirmam que os valores pagos atualmente dificultam a manutenção da atividade. Segundo Rosina, quando todos os custos são considerados, o retorno financeiro praticamente não cobre os investimentos realizados ao longo do ciclo produtivo. “Se colocarmos tudo na ponta do lápis, praticamente não cobre o custo de produção”, afirma.

Aline compartilha da mesma avaliação e ressalta que o problema se torna ainda maior quando a fruta é destinada à indústria. “Com o preço praticado hoje está bem complicado cobrir os custos. Para a indústria, o valor pago é muito baixo e, em muitos casos, já não compensa colher”, relata.

Mateus Rosina e a família acompanham a colheita de citros na propriedade (Foto: Arquivo pessoal)

Quando colher deixa de ser viável

Esse cenário faz com que alguns produtores precisem decidir entre colher ou deixar parte da produção no pomar. A decisão depende da variedade, da demanda e do custo da colheita.

Rosina explica que, em sua propriedade, algumas frutas deixam de ser colhidas principalmente pela falta de compradores. “Há variedades em que não compensa, não apenas pelo preço, mas pela baixa procura”, observa.
Já Aline afirma que, em determinadas situações, a perda financeira é menor quando a fruta permanece na planta. “Essa decisão é sempre tomada pensando nos custos. Às vezes, perdemos menos deixando no pé do que realizando a colheita”, diz.

No caso de Rosina e Aline, entretanto, essa alternativa nem sempre é viável. O produtor de Tuiuty explica que a localização da propriedade, às margens do Rio das Antas, acelera o amadurecimento das frutas. “Aqui elas amadurecem mais cedo, então não há como segurar a fruta no pé. Enquanto já estamos terminando a colheita, em áreas mais altas ela ainda nem começou”, relata.

Aline acrescenta que as variedades precoces também possuem uma janela para a colheita. “Quando essas frutas chegam ao ponto ideal, precisam ser colhidas. Elas não permanecem por muito tempo na planta”, explica.
Na avaliação dos entrevistados, o principal fator que pressiona os preços é o excesso de oferta. “Existe muito produto para pouca procura”, resume Rosina.

Aline acrescenta que a expansão da citricultura nos últimos anos também contribuiu para esse cenário. Segundo ela, muitos produtores migraram de outras culturas para o cultivo de citros. “Com a interrupção das vendas de sucos e óleos para fora do país, aumentou a oferta de frutas no mercado. Como todos precisam colher ao mesmo tempo, os preços acabam caindo”, afirma.

Aline Marin Sikorski cultiva diferentes variedades de bergamota (Foto: Arquivo pessoal)

Expectativas

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul e Santa Tereza, Cedenir Postal, a queda nos preços nesta época do ano é um comportamento recorrente do mercado de citros. “Historicamente, neste período, a venda das frutas cítricas não é boa, porque junho e julho concentram o maior pico de produção”, explica.

Postal ressalta que a formação dos preços segue a relação entre oferta e demanda, o que limita a atuação de entidades e do poder público. Conforme ele, diferentemente de outras culturas, como grãos, não há mecanismos de armazenamento que permitam retirar parte da produção do mercado para equilibrar os valores pagos ao produtor. “Quando a oferta é alta, o preço cai. Diferentemente de alguns cereais, não é possível formar estoques para regular o mercado das frutas”, afirma.

Apesar do cenário atual, o presidente do Sindicato acredita que os preços possam apresentar uma recuperação gradual nas próximas semanas, à medida que algumas variedades encerram a colheita e a oferta diminua. “A tendência é que, nos próximos meses, a oferta diminua e os preços subam gradualmente, o que é esperado pelos produtores”, projeta.

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