O bairro Progresso, em Bento Gonçalves, reúne características que o colocam entre os mais valorizados da cidade: localização estratégica, diversidade de serviços e um perfil que mescla áreas residenciais e comerciais. Próximo ao centro, é descrito por moradores como um espaço completo, que atende às necessidades do dia a dia sem abrir mão da tranquilidade.
Crescimento e localização
A movimentação constante e a presença de comércio são alguns dos pontos marcantes por quem vive e trabalha na região. Morador há 40 anos e comerciante há três décadas, Lucindo Redante tem 80 anos e mantém um comércio em frente à Praça Dr. Antônio Casagrande, localizada na Rua Giovani Girardi, considerada a principal área de lazer do bairro.
Segundo ele, a região consolidou-se ao longo das últimas décadas como uma extensão natural da área central da cidade. “É um bairro muito bom. Praticamente, depois do centro, é o Progresso. Tem tudo: mercados, praças, farmácias e bastante movimento. Para o comércio, isso é importante, porque tem circulação de pessoas”, afirma.
A infraestrutura é avaliada de forma positiva, embora haja sugestões de melhorias. Redante frisa a necessidade de um espaço adequado para caminhadas dentro da praça principal, especialmente voltado à população idosa. “A área é grande, tem espaço para isso. Poderia ter um local específico para caminhada, como tem em outros lugares”, sugere.
Apesar da boa avaliação geral, o tráfego intenso é apontado como um dos desafios do bairro. “A sinalização é boa, mas o trânsito é bem elevado. Parece centro”, comenta. Ainda assim, ele considera o saneamento e o abastecimento de água satisfatórios e afirma não perceber faltas frequentes.
Na área da segurança, o morador reconhece a atuação dos órgãos públicos e classifica o bairro como seguro. “Tem policiamento. É um bairro bem seguro. O poder público cuida”, diz. Já em relação à educação, ele ressalta a presença de duas escolas tradicionais, consideradas de boa qualidade.
O crescimento do bairro ao longo do tempo também chama atenção. Redante relembra que, há cerca de 40 anos, o cenário era diferente. “Aqui era estrada de chão, pouco povoado, quase colônia. Foi se desenvolvendo muito com o passar dos anos”, relata.
Sobre a saúde, ele aponta uma demanda recorrente entre os moradores: a localização da Estratégia Saúde da Família (ESF). “O atendimento é bom, mas o posto foi transferido para uma área mais afastada. As pessoas preferiam quando era mais na área central do bairro”, explica.
Olhar do cotidiano
A percepção positiva também é compartilhada por Euclides Rigon, que tem 81 anos e é conhecido pelos amigos do bairro como Chileno. Atualmente morador do Universitário, ele vive na Rua Amábile Campagnolo Souza, via que faz divisa com o Progresso, e mantém uma relação diária com o bairro, onde morou durante grande parte da vida.
Para ele, assim como Redante, o bairro continua sendo um bom lugar para viver, principalmente pela tranquilidade e pela oferta de serviços. “As pessoas estão construindo, o bairro continua mantendo o crescimento. É muito bom. Tem tudo: banco, mercado, posto de gasolina, comércio em geral. O que eu mais gosto é a tranquilidade”, afirma.
No entanto, ele aponta questões pontuais de infraestrutura urbana. Entre elas, a falta de cobertura em paradas de ônibus. “Quando chove, o pessoal precisa esperar de sombrinha. Precisava de abrigo”, diz. Outra preocupação é a ausência de faixa de segurança em frente ao prédio onde mora. “Tinha antes, mas tiraram e não colocaram de novo”, relata.
O trânsito, segundo ele, também apresenta momentos de maior congestionamento, especialmente nos horários de pico. “De manhã cedo, meio-dia e início da noite fica complicado. Tem pontos que o pessoal perde bastante tempo parado”, comenta, sugerindo melhorias na organização viária.
Mesmo com essas ressalvas, Rigon avalia positivamente serviços como saúde, abastecimento de água e educação. “A saúde, para mim, está boa. A educação também, tem várias escolas”, afirma.
Empreender no Progresso
A percepção favorável sobre o bairro também aparece entre empreendedores locais. Morador desde a infância, Cristiano Capellari tem 33 anos e mantém um negócio há 13 anos, sendo seis deles no Progresso, e avalia a região como estruturada e favorável tanto para viver quanto para empreender.
Segundo ele, a infraestrutura atende às demandas do dia a dia. “Temos posto de saúde próximo, iluminação pública boa, asfalto perto da empresa. A limpeza das ruas é feita, não com muita frequência, mas é realizada, e a coleta de lixo também funciona bem, toda semana”, afirma.
A localização é apontada como um diferencial importante para o comércio. “É um bairro de fácil acesso. Quando explicamos para os clientes, eles encontram com facilidade, até por ser próximo de escolas conhecidas e do posto de saúde, que são pontos de referência”, frisa.
Ao relembrar sua trajetória no bairro, ele recorda o desenvolvimento ao longo dos anos e também a educação como um dos pontos fortes da região. “Nasci aqui e vi muita coisa mudar. O bairro cresceu bastante nos últimos anos. Temos escolas boas, como o Mestre, o Pedro Rosa e o Alfredo Aveline. Meu filho estuda no Alfredo, que é uma escola de referência. O pessoal fala muito bem e nós gostamos muito”, relata.
Alerta na mobilidade
Já para o comerciante Lucimar Antônio Cimadon, 42 anos, morador do bairro há 12 anos, a avaliação também é positiva, embora com ressalvas pontuais. Natural do interior, ele se mudou para o Progresso em busca de melhores condições urbanas e, há três anos, mantém um comércio na região. “O bairro é bom, é tranquilo. Abastecimento de água, coleta de lixo e iluminação estão tudo certo”, afirma.
No entanto, ele chama atenção para problemas de mobilidade urbana, especialmente na Rua Pernambuco, onde está localizado seu estabelecimento. “Essa via está bem perigosa. Não tem quebra-mola, não tem nada, e o pessoal passa muito rápido”, relata. Segundo ele, a situação tem resultado em acidentes frequentes. “Já aconteceram vários acidentes aqui na esquina. Teve um há uns 20, 30 dias, e antes disso foram três ou quatro em pouco tempo”, afirma.
O fluxo intenso em determinados horários agrava o problema. “No final do dia fica bem complicado, e como não tem redutor de velocidade, o risco aumenta”, acrescenta.
Na área da saúde, ele relata uma experiência negativa pontual. “Teve uma ocasião em que precisei que o pessoal fosse até a minha casa, porque minha mãe não estava bem, e disseram que não podiam. Eu tive que levar ela até lá depois”, conta.
Sobre o comércio, ele ainda avalia o desempenho como recente. “Comecei há pouco tempo, faz uns três anos. Agora estou ampliando. É o tempo que vai dizer”, finaliza.