Com população predominantemente idosa, o bairro Imigrante passa por uma mudança no perfil dos moradores com a chegada de novas famílias, inclusive de outros países. Muitos dos filhos de antigos moradores deixaram o bairro após constituírem suas próprias famílias. Entre os novos residentes, há famílias vindas de países como Cuba e Venezuela. “Vem muitas pessoas de fora para morar em Bento, e tem muita criança. O bairro é mais formado por pessoas idosas, porque os filhos dos moradores se casaram e saíram, mas agora também chegaram novas famílias”, relata o morador do Imigrante há 45 anos, Jorcy Dal Castel.
Apesar da mudança no perfil da população, a tranquilidade é apontada como uma das características do Imigrante. Para Dal Castel, a sensação permanece ao longo das décadas. “Desde que vim para cá até hoje, nunca tivemos grandes problemas. À noite também é muito tranquilo”, afirma.
Morador do bairro desde a infância, Angelo Lauri Masera também acompanhou as transformações do lugar. Para ele, a expansão da infraestrutura e a maior proximidade de serviços facilitaram a rotina dos moradores. “Hoje está praticamente tudo mais perto, o que facilita bastante para quem mora aqui”, afirma.

Transporte coletivo
A oferta de ônibus aparece entre as principais reclamações relatadas pelos entrevistados. Sirlei Teresinha Geremia Casagrande, responsável por um estabelecimento no bairro há 15 anos, acompanha essa demanda entre os clientes. “Há dois horários: um pela manhã e outro no início da tarde. São horários que atendem principalmente quem precisa ir trabalhar, mas não contemplam quem precisa retornar ou se deslocar em outros períodos”, afirma Sirlei.

Segundo Dal Castel, a necessidade é ainda mais evidente entre os moradores idosos. “Às vezes, as pessoas mais velhas não dirigem e precisam do ônibus para ir ao Centro e para outros locais. Por isso, seria importante ampliar os horários”, acrescenta. Dal Castel também menciona a ausência de transporte aos domingos.
Educação infantil
A principal demanda mencionada pelos moradores é a ausência de uma creche no bairro Dal Castel afirma que a criação de uma creche é uma reivindicação antiga. Conforme o morador, atualmente existe a expectativa de que uma unidade seja instalada na região. “Se a creche ficar na Fenavinho, já ajuda bastante, porque hoje os moradores precisam levar as crianças para locais mais distantes, como Santa Marta e Santa Helena. Para quem tem filhos pequenos, isso dificulta a rotina”, explica.
Espaços de lazer
A praça localizada na frente do ginásio do bairro é outro ponto mencionado pelos moradores. O espaço possui brinquedos e uma área destinada à prática esportiva, mas a quadra de areia tem problemas de acúmulo de água após as chuvas. Dal Castel explica que a situação já foi levada à Prefeitura e que uma das possibilidades apontadas pelos moradores seria elevar a camada de areia para permitir melhor absorção da água. “A quadra acumula água e já houve várias reclamações. Uma possibilidade seria colocar uma quantidade maior de areia, porque atualmente a água não consegue ser absorvida adequadamente e as crianças não conseguem usar até que seque”, relata.
Outra moradora defende ainda melhorias no espaço destinado às crianças. Para ela, além da quadra, o parquinho poderia receber intervenções para oferecer uma estrutura mais adequada às famílias que vivem no bairro. “É importante dar atenção às crianças e oferecer um espaço onde elas possam brincar”, relata.

Obras de infraestrutura
Uma das principais intervenções em andamento no bairro ocorre na Rua João Casagrande, ligação entre o Imigrante e a Fenavinho. A via, que por décadas foi reivindicada pelos moradores, está recebendo obras de asfaltamento. Ex-presidente da Associação de Moradores, Jorcy Dal Castel conta que a abertura da ligação foi uma reivindicação que se estendeu por cerca de 30 anos. Segundo ele, a pavimentação deve ampliar os efeitos dessa conexão para quem circula entre diferentes bairros. “Vai desafogar bastante o trânsito. Quem está aqui e precisa ir em direção a Caxias, Farroupilha ou outros bairros não precisa fazer todo o trajeto pelas vias mais movimentadas. Da mesma forma, quem vem da região da Fenavinho e da Santa Helena poderá utilizar essa ligação”, afirma.
O morador considera que a obra também pode facilitar o deslocamento de trabalhadores entre as diferentes regiões da cidade, já que há pessoas que residem em um bairro e trabalham em outro.
Segundo a Prefeitura, a conclusão está prevista para outubro.

A Rua João Casagrande também concentra a obra de tratamento de esgoto realizada pela Corsan. Os trabalhos provocaram alguns transtornos temporários para moradores e comerciantes, principalmente em relação à circulação e ao acesso para entregas. Sirlei Teresinha relata que, durante as obras, houve transtornos no acesso ao estabelecimento, inclusive para o recebimento de mercadorias.
Apesar das demandas relacionadas à circulação, os moradores reconhecem a importância das intervenções para a infraestrutura do bairro.
A via também concentra uma demanda relacionada à segurança viária. Um morador que vive no bairro há cerca de 40 anos chama atenção para a falta de sinalização e de redutores de velocidade em alguns trechos da via, especialmente na descida. Segundo ele, veículos e motocicletas circulam em alta velocidade pelo local, além de haver motocicletas e carros que produzem ruído excessivo.
Demais serviços
O bairro não possui uma Unidade Básica de Saúde (UBS) própria, mas é atendido pela UBS Fenavinho, localizada nas proximidades. Sirlei afirma que já utilizou o serviço para vacinação e que costuma ouvir avaliações positivas dos moradores sobre o atendimento prestado na unidade.
A segurança também é apontada como um aspecto positivo. Os moradores descrevem o Imigrante como um bairro tranquilo e sem registros frequentes de ocorrências, característica que contribui para a permanência de famílias e de uma população predominantemente idosa na comunidade. Além disso, a proximidade de comércios e serviços básicos é citada pelos entrevistados como um fator que facilita o dia a dia dos moradores.




