Sexta-feira, 14 de Agosto de 2026

ÚLTIMA HORA

Ano sabático

Fomos obrigados.
A diminuir o ritmo dos nossos dias.
Home office, compras pela internet, delivery. Casa, sofá, Netflix, doses alcoólicas e amargas de solidão.
Não nos foram dadas muitas opções, a não ser pijamas quentinhos e qual a estampa da sua máscara hoje? Estamos impedidos de afogar as mágoas, de fingir alegria enquanto a música toca, de fugir dos problemas na sexta e voltar para eles na segunda-feira.

Fomos obrigados.
A exercitar a paciência, a simplicidade, a resiliência, a bondade. Estamos até fazendo campanhas e doações para quem já precisava antes! A diferença é que agora o buraco é mais em baixo, aliás, o buraco também está no nosso bolso e bem que Roberto Justus poderia repartir o pão com a gente. Se ele pode compartilhar, porque a gente não pode? E assim nasce o “faça o que gostaria que fizessem com você”.

Fomos obrigados.
A ficar cara a cara com a gente mesmo, não tem para onde fugir, é da sala para o quarto, do quarto para a cozinha, e aonde eu vou eu estou, não é um saco?
Nos acostumamos a dar atenção para qualquer malabarismo de rua a fim de não enfrentar. É como tomar remédio para dor de cabeça, afinal, não é a cabeça que dói, ela está emitindo um alerta. Mas bora calar o alerta, deixa que os órgãos definhem em silêncio.
E agora, estamos sem remédio para dor de cabeça, descobrindo porque o sistema nervoso parassimpático está entrando em parafuso.

Fomos obrigados.
A tentar driblar o tédio usando o cérebro, a descobrir que o outro é um ser humano com falhas assim como você, a descobrir que não era da pessoa que você gostava e sim do que ela podia te proporcionar.
Em contrapartida, mergulhamos mais fundo e enxergamos o que não se via da margem. Deixamos o “e se” de lado, e incluímos o “vamos ver no que dá” sem muita fé, achando que a quarentena vai ser deletada do calendário. Mas e as consequências do que você viveu nela? Serão deletadas também?

Fomos obrigados.
A ter um ano sabático.
Reclamar não vai ajudar. Lembrar das aglomerações também não. Sentir saudades menos ainda. Não que não possam, porém, como diria o filósofo, é tão eficaz quanto mascar chiclete para resolver uma equação de álgebra.
Não é fácil estar em quarentena sem ter a casa do Rodrigo Faro, nem a academia do Lucas Pinheiro, nem a conta bancária do Jeff Bezos, nem o Rodrigo Hilbert criando seus rebentos à base do é assim que se faz uma casa na árvore depois de um almoço com o bacon que eu mesmo defumei. Mas se não acharem que tudo isso é um sinal, então desisto de vocês.

Respostas de 3

  1. Depois de sei lá eu quantos F5 clicados pela manhã, exatamente às 13:37 ele funcionou.
    Finalmente no último clique, ele estava lá.. parecia que estava ali esperando para ser lido por mim. E há! Como eu esperei por ele hoje, não sei porque, esperei mais do que em todos outros dias de ansiedade. Talvez porque hoje está sendo um dia um tanto quanto cheio de emoções pra mim.. mas eu acho que fui a primeira a ler. E se eu não fui, me deixa ao menos pensar que sim!
    Passamos a vida inteira dizendo, uma para a outra e para tantas outras pessoas talvez, que a única coisa que somos obrigados a fazer na vida é de fato morrer.. mas será mesmo?! Fomos obrigados nessa pandemia a ficar dentro de casa, obrigados a lidar com nós mesmos e com nossos mais profundos sentimentos e pensamentos. E meu deus! Socorro! A gente que lute com essas mentes inquietas e incessantes, porque eu simplesmente não tenho controle sobre a minha grande parte do tempo.
    Passei dias vendo pessoas treinando em casa e meditando.. Oi? Tá aí duas coisas que não consegui fazer.. treinei em casa um dia, e no outra quando tentei meditar, me peguei pensando porque mesmo eu estava ali sentada, depois te tanta coisa que pensei e resolvi mentalmente.
    Já que não foi por bem, porque sim, o Universo provavelmente nos deu inúmeras e incontáveis chances de aprender tudo isso pelo bem, mas parece que funcionamos somente a base de pressão. De aprender a nadar somente quando a água bate na bunda.. resolver somente quando não dá mais. O ser humano gosto de testar até o último fio, pra saber até aonde pode chegar. Então veio tudo isso para que por “mal”, ou obrigados, como queira, a gente aprendesse.
    Aprendesse a se conhecer melhor, a movimentar coisas que estavam paradas, começar aquele projeto que havia sido deixado de lado, repensar, rever. Amar, odiar, surtar e depois se acalmar. Exercitar a paciência, viver da simplicidade, bondade, empatia e tudo o que postam no Instagram mas nunca fazem. Tu achou a empatia que tanto postam? Desculpa mas eu não.
    Fomos obrigados a tratar tudo que fosse necessário, somente nós, com nós mesmos. E… oh! Que coisa mais difícil não é mesmo? Vendo de fora sem pensar muito, pareceria tão fácil… não depende de ninguém a não ser da gente mesmo, não é? Não seria mais fácil? Claro que não! Porque é mais fácil quando nos é imposto ou quando decidem pela gente. Quando não tem outra saída e precisa ser feito, mas quando precisamos nós tomarmos as decisões e enxergar o que de fato está errado, é aí que mora o problema.
    Eu espero que tenhamos aprendido a REclamar menos e a CLAMAR por mais coisas boas para o mundo e pra nós mesmos.
    Hoje retirei somente palavras do teu texto para escrever a minha resposta de sempre, e hoje ele vai sair do whatsapp e ser publicado aqui também. Porque às vezes precisamos de mudanças, são elas que fazem nossa energia fluir e quem sabe coisas melhores acontecerão. Hoje, num dia meio chuvoso, com tantas catástrofes ocorridas pelas fortes chuvas, e com outros assuntos os quais prefiro dividir pessoalmente, sim, a Libriana que vos fala aqui, está mais sentimental que o normal… tão mais que quase chorei lendo teu texto.
    Eu te amo infinito e teu texto foi simplesmente perfeito pro dia de hoje. Tenho certeza de que quando escreveu, já sabia que era isso que o dia 8 de julho precisaria ter.

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