A segunda edição do projeto Além da Escola, que será conduzido pela CT Educação do Bento+20 ao longo deste ano, parte de uma escolha muito importante. Em vez de olhar a evasão escolar de forma superficial, o projeto decide encarar o tema com profundidade. O foco estará no ensino médio, com início a partir de um diagnóstico fático sobre as causas do abandono e da infrequência escolar na rede estadual de Bento Gonçalves, tendo a Escola Dona Isabel como amostragem inicial. A proposta prevê compreender as razões que afastam os estudantes da escola e, a partir disso, construir caminhos concretos para enfrentar esse desafio.

Esse é o tipo de pauta que exige sensibilidade, mas também método. Falar de evasão escolar é falar de jovens interrompendo trajetórias, sonhos sendo adiados e oportunidades que muitas vezes se perdem ainda cedo demais. Por isso, a decisão da CT Educação foi começar pelo que precisa vir primeiro. Entender, ouvir, levantar dados, conhecer o contexto da escola, da comunidade, das famílias, dos professores, da coordenação pedagógica e dos próprios estudantes.

O projeto prevê justamente essa combinação entre análise de dados estatísticos e abordagens mais humanizadas. Não basta saber quantos alunos deixaram de frequentar as aulas. É preciso buscar as razões por trás disso. Questões sociais, econômicas, emocionais, familiares e pedagógicas podem estar nesse processo, e cada uma delas precisa ser considerada com responsabilidade. A proposta da CT Educação inclui reuniões com a direção da escola, levantamento de dados, conversas com professores, coordenação, estudantes e familiares, além da sistematização dessas informações em um diagnóstico detalhado.

Mas o Além da Escola não quer parar na fotografia do problema. Quer avançar para a construção de respostas. Depois do diagnóstico, o trabalho seguirá para a busca de estratégias assertivas para reduzir a evasão, inclusive com levantamento de experiências de outros municípios, comparação com dados do Rio Grande do Sul e do Brasil e formulação de um relatório final com caminhos possíveis para Bento Gonçalves. A entrega prevista até o fim de 2026 reforça esse compromisso de pensar o presente sem perder de vista o futuro.

Há algo muito valioso nisso tudo. O Bento+20 mostra, mais uma vez, que planejar a cidade também é olhar para aquilo que acontece dentro da escola e ao redor dela. Porque enfrentar a evasão não é apenas manter o aluno em sala. É preservar vínculos, ampliar possibilidades e proteger o futuro de uma geração inteira.