Terça-feira, 30 de Junho de 2026

ÚLTIMA HORA

A princesa Lyla e os sete amigos

“Era uma vez uma princesa lhama chamada Lyla. Ela vivia em um castelo e quase nunca saía dele, pois sentia-se muito diferente dos seus amigos. Seu longo e elegante pescoço, que a permitia enxergar longe, era um fardo e achava que ninguém gostava dela por ser assim.
Certo dia Lyla estava, como de costume, observando o pátio da janela do seu quarto, quando sua coroa brilhante caiu. Sem pensar duas vezes, ela saiu do castelo
em busca da única coisa que tinha que lhe fazia
sentir uma princesa.
Já fora do castelo, a pequena lhama sentiu-se livre. O entardecer era perfumado e ela esqueceu que não estava entre as paredes de sua fortaleza. Sem perceber, estava adentrando a floresta quando viu um forte brilho dourado entre os arbustos. Chegando perto, Lyla foi surpreendida por um pequeno ser azul, com várias mãos, brincando com sua coroa. Ele saiu correndo em meio
às árvores e, de imediato, a princesa foi atrás.
O pequeno ser azul foi até o tronco de uma árvore centenária e abriu uma porta quase invisível. Quando Lyla se aproximou, a encontrou semi-aberta, indo de encontro a uma turma que cantarolava enquanto preparavam
uma grande pizza.
Dino prontamente convidou a princesa para participar da festa. “É a noite da pizza e do pijama”, disse. Lyla sentiu-se envergonhada por notar que estava longe do seu refúgio, mas percebeu que todos eram diferentes um do outro. A turma logo entendeu que a lhama era a filha do rei, e o pequeno ser azul, repreendido pelos amigos, entregou a coroa intacta, com as bochehas rosadas de vergonha. “Esse menino, sempre levado…com tantos brinquedos por aqui!”, disse a Boneca Ruiva, enquanto acariciava suas orelhas pontudas e o levava para lavar suas várias mãos, antes do jantar.
O Sr. Porco quebrou a tensão do momento dizendo quais sabores de pizza estava preparando para os amigos. “Fantástico!”, “Você sempre arrasa!”, “O que seria da gente sem você”. A Gatinha ‘lavou’ mais um prato para servir Lyla enquanto ela reparava que, em cima da geladeira, estava um óculos empoeirado. “Ela encontrou! Não vejo mais tudo dobrado”, disse o Castor do Lago, pulando de felicidade.
A turma deliciou-se com a pizza do Sr. Porco em meio à muitas histórias e risadas. Quando já era hora, os amigos preparavam-se para dormir, e o Urso Sábio acompanhava a princesa até o castelo. “Já estava em tempo de você descobrir o mundo, pequena lhama. Suas diferenças, físicas ou não, são únicas e a fazem muito especial,
e quem zombar delas, não será digno de andar
ao seu lado”.
Quando chegou ao quarto, acomodou sua coroa ao lado da cama e foi olhar pela janela. Naquele momento, notou a enorme copa da árvore centenária, e pensou que nunca imaginara que ela estivesse ali, o tempo todo. Feliz por ter encontrado amigos tão bons, Lyla deitou-se naquela noite e agradeceu por não ser igual a mais ninguém.”

Uma resposta

  1. A cada semana, tu me faz pensar em algo, diferente da forma como vejo.

    Com um dia de atraso, mas sem esquecimento, estou aqui. Tuas palavras me fizeram viajar , e nessa viagem linda imaginar cada detalhe do teu castelo e da tua coroa. Mas sabe de uma coisa?

    Eu já conheço eles tão bem, que nem os olhos precisei fechar.
    Inúmeras vezes na vida morremos de medo de ser diferente. De fazer diferente, de pensar diferente. Sei lá quando, alguém impôs pra gente, que o bonito mesmo é ser normal. Ser comum.

    Qual o conceito mesmo de normal? Depende do ponto de vista e da bagagem de cada um.

    Quantas oportunidades deixamos escapar, quantas coisas deixamos de viver, somente por medo de ser, diferente dos outros.

    Desde nossa infância, ouvimos todos dizerem, que o “normal” é nascer, estudar, se formar, aproveitar pouco a vida porque tem que trabalhar e ganhar dinheiro, casar, ter casa, carro, filhos e um cachorro. E nossa! Volta no início aqui… somos diferentes. Temos tudo isso e fizemos tudo diferente. (brincadeira temos quaaaaase tudo). E somos felizes sendo assim não é mesmo?

    Talvez a felicidade esteja em nossas diferenças! Porque é nelas que nos tornamos únicos.

    Sem textão hoje porque o tempo é curto e porque, às vezes gosto também de ser… diferente!

    p.s: que possamos sempre lembrar de agradecer por sermos únicos e diferentes à nossa maneira!

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