Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026

ÚLTIMA HORA

Mesmo após reunião com Complan, vereadores devem manter emendas

Complan rechaçou mudanças, mas algumas proposições consideradas polêmicas devem ser mantidas por parlamentares

Mesmo com as recomendações do Conselho Municipal de Planejamento (Complan), alguns vereadores pretendem manter emendas que alteram o projeto do Plano Diretor, que deve ir à votação na segunda-feira, 18. Entre as proposições que mais causam preocupação ao Conselho, está a verticalização do corredor gastronômico, no bairro São Bento, proposta pelo vereador Rafael Pasqualotto (PP) em coautoria com outros cinco parlamentares, e a retirada de poderes do Complan, transformando-o em órgão consultivo, proposta pelo vereador Gustavo Sperotto (DEM).
Em comunicado oficial, o Complan afirma que a defesa dos interesses da comunidade é prerrogativa da sua existência. Além disso, o órgão reitera que em 40 dias, a Câmara de Vereadores sugeriu cerca de 50 emendas ao projeto, o que causa preocupação diante do tempo exíguo para debater e analisar o projeto.
De acordo com o órgão, sobre o bairro São Bento existem “emendas contraditórias, umas querendo que haja a construção de prédios no corredor gastronômico e outras que restringem a construção nas ruas adjacentes”. Além disso, o Conselho reitera que “a altura de 16 pavimentos com maior recuo entre os prédios tem relação com insolação, ventilação e privacidade” e, que se forem feitos prédios de oito andares, o recuo entre as edificações será reduzido.
Com relação à retirada de poderes do Complan, o órgão informa que a emenda pretende transformar o conselho, hoje deliberativo, em consultivo. Nesse sentido, a instituição afirma que “precisa continuar a ser deliberativo porque proporciona a análise de modelo espacial, expertise hoje ausente na Câmara”.
Entre quinta e sexta, a maioria das emendas rechaçadas pelo Complan foram retiradas, como a proposta de Gilmar Pessutto (PSDB), que incentivava a instalação de indústrias próximo à bacia de captação. O plano ainda foi discutido em audiência pública na quinta-feira, 14.
De acordo com o vereador Moisés Scussel Neto (PSDB), os parlamentares têm liberdade para propor emendas e o plenário é soberano nas suas decisões. “Em um sistema democrático, a maioria dos votos vence”, ressalta.

Justificativa dos vereadores

Para o vereador Pasqualotto, o Complan se utiliza do argumento de que os vereadores não podem mudar o estudo técnico. No entanto, para o parlamentar, o órgão foi político na decisão de ouvir as demandas da comunidade do bairro São Bento e diminuir a altura das edificações. “Não me refiro ao termo político no sentido pejorativo, mas não foram técnicos ao decidir”, argumenta.
Ainda de acordo com o parlamentar, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) recomendava, no plano original, 11 andares no corredor gastronômico. Em reunião com a Câmara, o Complan rebate a informação, expondo que a UFRGS havia proposto quatro andares para a região, e não 11.
Sobre a emenda de Gustavo Sperotto (DEM), que transforma o Complan em órgão consultivo, Pasqualotto afirma que após explicações do Conselho, compreende ser necessário que seja retirada. “Eu quero ouvir o Sperotto, mas gostei muito do que o Complan falou”, comenta.
De acordo com Sperotto, as decisões sobre o Plano Diretor são tomadas apenas internamente, no Complan e no Executivo, o que causa preocupação. “Eu não quero interferir na parte técnica, minha principal preocupação é com a transparência do trabalho”, esclarece. Na reunião entre Conselho e Legislativo, os membros do órgão explicaram que todas as decisões seriam submetidas ao Legislativo.
O vereador autor da emenda ainda reitera que a decisão sobre manter ou não a proposição em pauta será tomada até segunda-feira, 18. “Vou ler toda a proposta de novo para depois decidir”, afirma.

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