Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026

ÚLTIMA HORA

Futuro dos distritos de Bento em discussão

Enquanto alguns moradores pensam que cidade precisa avançar sobre a zona rural, outros veem a questão com resistência

Com o crescimento expressivo de Bento Gonçalves, entra em discussão o rumo ideal para os distritos do município. Enquanto alguns moradores acreditam que o caminho é a urbanização, uma vez que não há mais espaço para o crescimento dentro da cidade, outros veem a possibilidade com desconfiança, sobretudo pela vocação turística da região.
Na Eulália, há uma ampla zona industrializada e, além disso, estão sendo abertos novos loteamentos. No caso de Faria Lemos, de acordo com moradores, já há terrenos que estão surgindo sem a devida infraestrutura. Por outro lado, também há reclamações sobre a burocracia para abrir um novo negócio nessas regiões.

De acordo com residentes, rota da Eulália tem apresentado crescimento significativo no turismo. Foto: Lucas Araldi

Para o vice-presidente da Associação Caminhos de Faria Lemos, Vanildo Enderle, a urbanização e a preservação precisam estar em equilíbrio, visto que o distrito pode se tornar um exemplo de proteção da natureza. “O município de Bento Gonçalves já está suficientemente urbanizado. Aqui em Faria Lemos a natureza é fundamental”, comenta. Ainda de acordo com ele, existem pressões e divergências, de forma que se houver um ‘afrouxamento’ da legislação, o risco de urbanizar se torna maior.
Uma pessoa que preferiu não se identificar, moradora do distrito de Faria Lemos, conta que está tentando abrir uma casa de eventos, mas que por conta da burocracia, a liberação demorou mais de dois anos. “Tudo tem que passar por uma comissão”, afirma.
Apesar disso, ele diz não ser favorável à urbanização de forma desorganizada. “Também não sou tão favorável, se for um loteamento classe média alta, tudo bem. Mas classe média baixa, não. Eles querem que cresça, mas para crescer tem que trazer empresários”, opina.
De acordo com o proprietário de uma vinícola em Faria Lemos, Flávio Rotava, é necessário que tenha urbanização para que o crescimento não se dê de forma desorganizada. “Tem diversos lugares que fizeram loteamento, mas não tem infraestrutura. Aí começa a dar problema porque não tem postes de luz, não tem esgoto. Isso já está acontecendo em Faria Lemos”, avalia.
Ainda segundo ele, é necessário que o direito dos proprietários dos terrenos, em construir, seja preservado. Sobre o turismo, na opinião de Rotava, a urbanização, se organizada, não deve prejudicar. “Primeiro temos que pensar no pessoal que vive na nossa cidade e, depois, no turista. A maioria das pessoas vêm, no máximo, duas ou três vezes”, ressalta.

Eulália: os dilemas da urbanização

As belas paisagens do distrito da Eulália já dividem espaço com empresas, casas e conjuntos habitacionais. Para alguns moradores, o desenvolvimento é visto como algo natural, no entanto, outros questionam a forma como a urbanização ameaça a vocação turística da região.
De acordo com o morador Fabiano Dal Ponte, a favor da urbanização e que está incentivando a construção de loteamentos no distrito, é necessário deixar que a cidade avance. Ele afirma que a agricultura está cada vez mais esquecida e que o Poder Público não dá a devida atenção para a infraestrutura no interior, cenário que deve mudar quando houver mais moradores. “É inevitável porque a agricultura está cada vez pior’, reitera.
Além disso, na sua opinião, o crescimento precisa ser organizado. “Que seja bem feito, para construir lugares de alto padrão”, opina.
Entre as reclamações pontuadas por Dal Ponte, está a ausência de manutenção dos asfaltos e a precaridade da rede elétrica, que apresenta pelo menos uma queda por semana. “Por isso tem que fazer algo bem feito. Tem a questão do esgoto, do lixo, do movimento”, comenta.
Para Raimundo Zucchi, que mantém um empreendimento de turismo, as pessoas vão visitar a Eulália para buscar tranquilidade e fugir do caos urbano. “Eles querem acordar de manhã para ver a natureza e ouvir o canto dos pássaros. O turista não vem para cá para ver cidade”, afirma.
Ele afirma que o turismo na região tem apresentado um crescimento significativo e que os últimos três meses foram de bastante movimento. “Hoje um terreno na Eulália já custa a mesma coisa que no Vale dos Vinhedos”, compara.

Locatelli mora na Eulália desde que nasceu, mas cogita vender suas terras. Foto: Lucas Araldi

Mesmo assim, Zucchi não é completamente contrário à urbanização, mas questiona, sobretudo, o trevo de acesso à Eulália, que não comporta mais moradores. “Tem que ser organizado”, complementa.
Para o agricultor Dilso Locatelli, há pontos positivos e negativos. Por um lado, ele fala que o sossego e a tranquilidade vão desaparecer, mas, por outro, que a tendência é que haja uma valorização das suas terras. “Todos os vizinhos vão fazer loteamentos, então daqui há alguns anos vou me obrigar a vender”, ressalta.
Locatelli expõe que o asfalto foi mal feito e que há um movimento enorme na área, uma vez que muitas pessoas se deslocam diariamente, da Eulália, para o centro de Bento Gonçalves em função dos empregos. “Precisa melhorar a infraestrutura”, avalia.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ANUNCIE CONOSCO

Sua marca em destaque para milhares de leitores