Certa vez falando com um amigo sobre o possível resultado de um Grenal, este lembrou que seu pai dizia que o futebol era a mais cara preocupação dentre as maiores futilidades!
Recebi como uma crítica à minha preocupação colorada e, embora não quisesse contestar o seu pai, respeitosamente, lhe disse somente que, do futebol, restavam apenas as boas memórias, até porque alegrias ou tristezas nesse campo, nenhuma delas pagava minhas contas na segunda-feira.
No futebol, ao término do jogo, vencedores e perdedores seguirão em lados opostos, torcendo pela decadência de seu rival e, via de regra, não esconderão sua bandeira; ao contrário, há ainda aqueles que vestem suas camisas nos piores dias, um recado ao estilo gaúcho “não tá morto quem peleia”!
Na política, a coisa é diferente, pois a derrota ou a vitória do domingo irão refletir nas contas de ambos e não somente das segundas-feiras, mas em todos os dias dos próximos quatro anos.
E aos vencedores os louros da vitória, é isso?
A democracia tem algo mais profundo que a vitória. Ela não é o fim em si mesma, ao menos não deveria ser, e se espera que não seja, mas o início de um grande desafio, ainda mais no momento político que vivemos, cuja ideologia diferente pode morar ao lado, ou, ainda, sob o mesmo teto, quando ainda não vive às custas do dono deste.
O voto da maioria, em síntese, aprova a forma de governar de um grupo político, o estilo de governo, o qual tem e terá um peso enorme na vida das pessoas. Daí o porquê o voto, por mais que seja um direito pessoal, intransferível, reflete o coletivo e, por consequência, o futuro de cada um e daí o temor, ou seja, o medo de que os sonhos sonhados pelos derrotados venham a se tornar pesadelo pelas mãos dos vencedores, ou melhor, de seus escolhidos.
Não há dúvida de que o resultado das eleições presidenciais alterou os polos. O SONHO DA MUDANÇA PELO MEDO DE MUDAR SE TORNOU, AGORA, UNICAMENTE, O MEDO DE NADA MUDAR, OU PIOR, DESCULPE A REDUNDÂNCIA, PIORAR!!!
Contudo, entendo que há uma outra forma de encarar os efeitos da democracia, pois, terminadas as eleições, aos vencedores cabe a responsabilidade de fazer por merecer a escolha que fizeram pelos perdedores, afinal, são 4.430.191 votos de motivos para tanto.
Da mesma forma, são estes mesmos votos que se tornam créditos dos perdedores de exigirem, pelas mãos do escolhido vencedor, as mudanças que almejavam, afinal, ao que tudo parece, o ambiente para a pacificação do país começa a tomar forma, ao menos no palanque da vitória, dada a fala do presidente reeleito: “Ninguém é inimigo de ninguém na democracia. A gente é adversário”. Sinceramente, torcia por ouvir “agora, unicamente brasileiros de uma única pátria e bandeira”.
Queira ou não, essa é a essência da democracia e, por mais que a dor da derrota nas urnas possa causar frustação, desalento, desesperança e, para alguns, até mesmo desconfiança, o dia seguinte pressupõe que a vitória de quem quer que seja venha a ser o melhor, inclusive, para os perdedores. Foi dada a largada…
Já ia esquecendo… Nos campos desta TERRA ADORADA, já um tanto alagadiço de DESPESAS PÚBLICAS, anda um tanto trôpega uma “vaquinha chamada ECONOMIA”, a qual serve de leite a todos à sua volta, mas tem chifres, o que a torna igualmente arredia quando maltratada e assustada em tempos de incerteza, cuja consequência, via de regra, pode secar o leite…
A propósito, de fato, tem sido muito maltratada nos últimos tempos; pior, está ainda a carregar um peso enorme sobre suas costas, o qual tende a aumentar, e muito, logo mais em janeiro do próximo ano, cuja carga, sabemos, chama-se IMPOSTOS.
ESPERA-SE QUE O “NOVO GOVERNO” CUIDE DA “VAQUINHA chamada ECONOMIA”, NÃO FIQUE SOMENTE NO BANCO PARA ORDENHÁ-LA E, POR FAVOR, NÃO CONFUNDA IMPOSTO DO PECADO COM EMPREENDER É PECADO, ESTE ÚLTIMO, NO MÁXIMO SE TRATA DE UMA LOUCURA OU QUEM SABE UM MASOQUISMO DESENFREADO PELO PROGRESSO.
Por fim, uma sugestão, não há necessidade de trocar de alimentação da “vaquinha ECONOMIA”; alimenta-se praticamente do LIVRE MERCADO, sem misturas, em especial, SEM IDEOLOGIAS, pois ideologias lhe causam náuseas. Também, em tal caso, uma certa inflamação, mais conhecida por INFLAÇÃO, podendo, em altas doses, ser ainda FATAL… Melhor cuidar dela o mais breve possível, ANTES QUE ELA VÁ AINDA MAIS PRO BREJO, LEVANDO CONSIGO VENCEDORES E PERDEDORES…




