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Orlando Baú encara a maior prova da carreira na Volta Ciclística de Santa Catarina

O ciclista bento-gonçalvense Orlando Isidoro Baú, de 46 anos, se prepara para disputar a 27ª Volta Ciclística de Santa Catarina, considerada a principal competição de ciclismo de estrada do Brasil. A prova acontece entre os dias 1º e 6 de setembro e reúne equipes nacionais e internacionais em seis etapas por diferentes regiões catarinenses. Chancelada pela UCI America Tour, a competição distribui pontos para o ranking internacional e atrai atletas de países como Uruguai, Argentina e Colômbia.

Integrante da equipe ABC-Concresul, Baú foi convocado no dia 1º de agosto para defender a Seleção Gaúcha após a desistência de atletas que estavam à frente no ranking estadual. A convocação exigiu uma preparação acelerada. Durante o último mês, ele intensificou os treinamentos, acumulando cerca de 68 horas e quase dois mil quilômetros pedalados.

Para conciliar a rotina de trabalho com os treinos, o atleta passou a acordar às 3h30 da manhã e sair às 4h para pedalar pelas ruas de Bento Gonçalves. “Tive que dobrar as horas de treinamento para chegar competitivo à prova”, afirma.

Nos finais de semana, os treinamentos aconteciam em grupo, simulando situações de corrida e percorrendo trajetos superiores a 140 quilômetros pelas estradas da Serra Gaúcha.

Trabalho em equipe

Embora o ciclismo seja frequentemente visto como um esporte individual, a Volta de Santa Catarina é uma competição fortemente baseada no trabalho coletivo. Cada equipe pode contar com até seis integrantes e normalmente trabalha em função de um capitão, atleta que possui maiores chances de alcançar boa colocação na classificação geral.

Baú compara a dinâmica ao futebol. “No ciclismo existe o escalador, o velocista e o contra-relogista. Cada um tem uma característica e desempenha uma função específica para ajudar a equipe”, explica.

Especialista em provas de contra-relógio, o ciclista gaúcho reconhece que as características da competição catarinense favorecem atletas mais leves e especialistas em montanha. Com 1,87 metro de altura e 82 quilos, ele terá como principal missão auxiliar o capitão da equipe durante as etapas mais exigentes.

A temida Serra do Rio do Rastro

Entre os maiores desafios da prova está a chamada “Etapa Rainha”, disputada no dia 5 de setembro. O percurso terá 138 quilômetros entre Orleans e o Mirante da Serra do Rio do Rastro, incluindo uma subida de 17 quilômetros considerada uma das mais difíceis do ciclismo brasileiro. “Essa será provavelmente a etapa mais complicada para mim. Não sou escalador e teremos uma subida de aproximadamente uma hora em um nível de dificuldade muito alto”, admite.

Antes disso, os atletas ainda enfrentarão percursos montanhosos entre Ituporanga, Alfredo Wagner, Urubici e Bom Jardim da Serra, além de um contrarrelógio por equipes em Orleans.

Uma trajetória de superação

Mesmo diante das dificuldades, Baú afirma já se sentir vencedor. O ciclista acumula títulos importantes no cenário estadual, como o Campeonato Gaúcho Master de Contra-Relógio de 2024, o título do ranking master da Federação Gaúcha de Ciclismo no mesmo ano e o vice-campeonato do ranking de contra-relógio em 2025.

A conquista mais significativa, porém, aconteceu fora das pistas. Antes de descobrir o ciclismo de estrada, ele chegou a pesar quase 130 quilos. Hoje, graças ao esporte e à disciplina, mantém uma rotina de treinos e incentiva outras pessoas a adotarem hábitos saudáveis. “Eu me encontrei no ciclismo. Tudo o que vivi até aqui me trouxe até esse momento. Participar de uma prova desse nível já é uma vitória. Agora é fazer o meu melhor e aproveitar essa oportunidade”, conclui.

A prova marcará também sua primeira participação em uma competição de elite com pontuação internacional da UCI.

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