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Centenas de fiéis participam da Festa de São Bento

Fé, tradição e espírito comunitário na 34ª Festa de São Bento, realizada neste domingo, 12, no bairro de mesmo nome, em Bento Gonçalves. Centenas de fiéis participaram da programação religiosa e festiva em homenagem ao padroeiro, que incluiu celebração eucarística, almoço comunitário e momentos de confraternização.
As comemorações começaram ainda no dia 8 de julho, com a abertura do tríduo preparatório. A programação reuniu catequizandos e familiares, além da cerimônia com a bênção do Santíssimo Sacramento. Nos dias seguintes, os fiéis voltaram à igreja para momentos de oração e preparação espiritual, culminando na festa do padroeiro.

No domingo, a programação iniciou às 10h30 com a missa solene celebrada pelo pároco da Paróquia Cristo Rei, padre Sérgio Tonet. Após a missa religiosa, a comunidade participou do tradicional almoço festivo realizado no CTG Laço Velho. O salão ficou completamente lotado e recebeu cerca de 800 pessoas entre moradores, visitantes e devotos.

A festividade foi organizada pelos festeiros Volmir Pasa e Juliana Balestrin Pasa, Renato Roque Cavalli e Sandra Bettoni Cavalli, Névio Pedro Fanton e Anésia Lando Fanton, Raquete e Inês Zambon, além de Paulo Gasparetto e Luciana Petroli Gasparetto. A organização contou ainda com o trabalho da diretoria da comunidade, coordenada por João Strapazzon, tendo Maristela Brandeli Trevisan como tesoureira.

A missão dos festeiros

Para o casal Volmir e Juliana Pasa, assumir o compromisso de organizar a festa representa dar continuidade a uma tradição construída ao longo de muitos anos pela comunidade. Conforme explica Pasa, os festeiros são definidos ainda durante a edição anterior da celebração, permitindo que o planejamento seja desenvolvido ao longo de praticamente um ano. “Nós iniciamos o ano passado, que normalmente, nesse período, já são nomeados os festeiros para o próximo ano. Então, já começa o trabalho. Lógico que ele se intensifica mais nos últimos meses, quando se aproxima da festa, e aí são realizadas muitas reuniões de organização para que a gente consiga, efetivamente, fazer uma festa mais organizada”, afirma.

Segundo ele, eles trabalham em conjunto com o Conselho da comunidade e têm a responsabilidade de mobilizar voluntários, vender ingressos e ampliar a participação da população. “A nossa incumbência é de fazer a festa acontecer, confeccionar os ingressos e fazer a divulgação da festa. Buscar também patrocinadores e doações, além de convidar festeiros de honra. Cada festeiro oficial convida em torno de mais dez festeiros de honra, para que se consiga ter mais capilaridade e alcançar mais pessoas”, explica.

Mais do que organizar o evento, Pasa afirma que a experiência fortaleceu laços de amizade e reforçou valores que fazem parte da história de sua família e da comunidade. “Especialmente, estar servindo a sociedade, no caso a comunidade da Igreja São Bento, ligada à Paróquia Cristo Rei. Tanto eu quanto a Juliana sempre estivemos muito ligados à religiosidade. Os nossos pais também sempre participaram da comunidade, e isso é muito importante. Essa vivência ajuda na construção da família, dos valores, do respeito e da disposição de servir à sociedade”, relata.

Nos próximos dias, serão escolhidos os novos festeiros, que ficarão responsáveis pela organização da próxima edição da festa.

Voluntariado e devoção mantêm viva a tradição

Mais do que uma celebração religiosa, a Festa de São Bento é resultado do trabalho coletivo de dezenas de voluntários que, durante meses, dedicam tempo e esforço para manter viva uma tradição que atravessa gerações. Da organização administrativa ao preparo do almoço, praticamente todas as etapas da festividade contam com o envolvimento da comunidade e de entidades parceiras.

Como a comunidade São Bento não possui salão próprio, o tradicional almoço festivo é realizado no CTG Laço Velho, parceria consolidada há mais de três décadas. Conforme o patrão da entidade, Sérgio De Toni, a organização do evento é compartilhada entre as duas instituições, desde a compra dos alimentos até a divisão dos resultados financeiros. “A gente faz as compras junto com eles, depois senta, faz todos os pagamentos e divide os lucros, 50% para cada um. Então, se dá bom, dá bom para os dois; se dá ruim, dá ruim para os dois. É um evento diferenciado”, afirma.

Segundo De Toni, a participação da comunidade é um dos principais diferenciais da festa. Nesta edição, aproximadamente 800 pessoas participaram do almoço, mantendo uma tradição que se repete ano após ano.
De acordo com o coordenador da comunidade, João Strapazzon, ao longo do ano, a comissão organizadora promove reuniões para definir desde a estimativa de público até o cardápio servido aos participantes. “Depois da última festa, passamos a nos reunir mensalmente para traçar as metas e definir como seria a próxima edição.

Mais recentemente, os encontros passaram a ocorrer a cada 15 dias e, nas duas últimas semanas, estávamos reunidos praticamente a cada duas ou três noites para resolver os últimos detalhes da organização”, relata.
Além dos 10 festeiros oficiais e da equipe do CTG, cerca de dez pessoas integram a diretoria que é responsável pela coordenação da festa. Strapazzon menciona que antigos coordenadores e festeiros continuam colaborando voluntariamente, demonstrando o vínculo da comunidade com a celebração. “Eles continuam colaborando conosco e estão sempre dispostas a ajudar”, observa.

O almoço festivo é um dos momentos mais aguardados da programação, é fruto de um intenso trabalho coletivo. Segundo a cozinheira responsável, Jussara Pava, os trabalhos começaram ainda na manhã de sábado, com a limpeza das carnes, o preparo das sobremesas e a organização dos demais ingredientes. “Limpamos as carnes, lavamos as batatas, preparamos o creme da sobremesa, entre outras atividades”, relata.
No domingo, a equipe retornou à cozinha às 5h para finalizar o cardápio, que incluiu sopa, maionese, saladas e sobremesas. “Estamos em uma cozinheira e três auxiliares”, afirma.

Na churrasqueira, o trabalho também começou cedo no sábado. Conforme o churrasqueiro Abel Poloni, a quantidade de carne e o número de voluntários são definidos de acordo com a estimativa de participantes. “Estamos aqui desde sábado pela manhã nos preparativos. Ontem, uma equipe ficou responsável pelo preparo dos frangos, do porco e dos temperos, para que tudo chegasse ao ponto ideal. Hoje, estamos em oito pessoas na churrasqueira. Normalmente, trabalhamos com uma média de um churrasqueiro para cada 100 convidados”, explica.

Para Strapazzon, o envolvimento de tantas pessoas mostra que a Festa de São Bento vai além da programação religiosa. Segundo ele, a celebração é resultado do compromisso de uma comunidade que, ano após ano, se mobiliza de forma voluntária para preservar uma das tradições mais importantes do bairro.

Legado de São Bento inspira fé e novos projetos

A Festa de São Bento representa, para a comunidade, a renovação da fé e o fortalecimento de uma devoção cultivada ao longo das gerações. Conhecido pelo lema ora et labora (oração e trabalho), São Bento continua sendo uma referência de simplicidade, humildade e serviço para os fiéis.

De acordo com o pároco da Paróquia Cristo Rei, padre Sérgio Tonet, São Bento nasceu na Itália, por volta do ano 480, em uma família nobre. Ainda jovem, decidiu abandonar a vida confortável para dedicar-se inteiramente ao Evangelho, tornando-se monge e construindo uma trajetória marcada pela oração, pelo trabalho e pela disciplina.

Segundo o sacerdote, um dos episódios mais conhecidos da vida do santo explica a origem de um dos principais símbolos ligados à sua devoção. “Ele resolveu abandonar aquela vida mundana para entregar a sua vida no caminho de Cristo. Saiu da cidade para viver uma rotina mais simples e disciplinada. Tanto que o seu lema, conhecido como um lema de ouro, é ora et labora, ou seja, oração e trabalho. Em determinado momento, chegaram a oferecer um cálice de vinho envenenado. Antes de beber, São Bento fez o sinal da cruz e o cálice se partiu”, relata.

Para Tonet, mesmo após quase 1.500 anos, os ensinamentos do santo permanecem atuais e inspiram a vida das famílias e das comunidades cristãs. “Cada comunidade tem o seu santo padroeiro e, a partir dele, procura viver a espiritualidade, a simplicidade e a humildade. São Bento nos recorda que a família tem um lugar especial no coração de Deus. Seu lema mostra que o trabalho não se resume ao que realizamos fora de casa. Também é importante valorizar o trabalho desenvolvido no ambiente familiar e o serviço prestado à comunidade. É um convite para buscar uma vida mais simples e mais próxima de Deus”, cita.

Uma fé construída no serviço

Para a devota Ana Lucia Panizzi Santa Lúcia, a ligação com São Bento nasceu quando ela e o marido se mudaram para o bairro. Pouco tempo depois, ambos foram convidados a atuar como ministros da Eucaristia, iniciando uma caminhada que já dura três décadas. “Naquele momento até relutei em aceitar, mas depois compreendi que era um serviço ao Senhor. A previsão era permanecer por cerca de dois anos, mas já se passaram 30. Hoje vejo São Bento como um exemplo para a nossa vida”, conta.

Segundo Ana Lucia, conhecer a história do santo transformou sua maneira de viver a fé e compreender o significado do trabalho voluntário. “Ele mostrou que a gente não é nada se não se recolher no silêncio para ouvir a voz de Deus. Mas o trabalho também nos santifica. Não apenas o trabalho para o nosso sustento, mas também aquele realizado em favor da comunidade. Quando a gente começa a trabalhar para Deus, a nossa vida muda, porque nos sentimos mais próximos d’Ele. É assim que eu vejo o Bentinho”, relata.

Além de ministra da Palavra, integrante da liturgia e coordenadora das capelinhas, Ana Lucia também participou da preparação dos kits distribuídos aos fiéis durante a missa.
Ao lado de outra voluntária, organizou os saquinhos com pão, sal e a medalha de São Bento, símbolos que representam, respectivamente, a providência, a proteção e a fé. “Em todos os momentos e em todas as nossas orações, sinto que ele nos escuta. O que mais me aproxima de São Bento é preparar as medalhinhas e montar os kits de devoção. É uma forma de manter essa devoção sempre presente na minha vida”, afirma.

Recursos serão investidos na comunidade
Além de preservar uma tradição religiosa, a Festa de São Bento também contribui para a manutenção das atividades desenvolvidas pela comunidade ao longo do ano.
Segundo o coordenador João Strapazzon, os recursos obtidos com a festividade já têm destinação definida. Parte do valor será aplicada na construção de um quiosque destinado à comercialização de artigos religiosos, enquanto o restante será utilizado na manutenção da comunidade e no fortalecimento das atividades de catequese. “Nós estamos procurando uma sala para a catequese. Possivelmente vamos ter que alugar, porque hoje não temos espaço”, explica.

Enquanto a comunidade já planeja os próximos investimentos, a celebração deste ano reforçou aquilo que permanece como sua principal marca: a união entre fé, voluntariado e tradição. Ano após ano, moradores e devotos renovam o compromisso de manter viva a história de São Bento, transformando a festa em um momento de encontro, serviço e fortalecimento dos laços comunitários.

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