Localizado na região sul de Bento Gonçalves, o bairro Verona combina características residenciais e industriais. Além de concentrar moradias e novos empreendimentos habitacionais, a região abriga empresas de diferentes segmentos e tem como um de seus principais marcos a presença da Todeschini, que influencia diariamente o fluxo de trabalhadores e veículos no bairro. A proximidade com importantes vias de ligação e com bairros como Santo Antão, Santa Rita e Botafogo é apontada por moradores e empreendedores como uma das principais vantagens da localidade. Ao mesmo tempo, questões relacionadas à mobilidade, transporte público, infraestrutura viária e oferta de serviços aparecem entre as demandas mais citadas pela comunidade.
Com cerca de três décadas de existência, o bairro passou por mudanças significativas nos últimos anos, especialmente com o aumento da verticalização e da ocupação residencial. O cenário de expansão também traz novos desafios para quem mora e trabalha na localidade.
Bairro familiar e localização estratégica
Moradora há 13 anos e proprietária de uma metalúrgica instalada no bairro há 16 anos, Lisiane Bagatini considera que a tranquilidade é uma das principais características do Verona. “Ele ainda preserva um perfil familiar. As pessoas conhecem os vizinhos e existe uma convivência muito próxima entre os moradores. Além disso, estamos perto de tudo, mas sem a movimentação intensa encontrada em regiões mais centrais”, afirma.
Para quem empreende, a localização também é vista como um diferencial. Segundo Lisiane, a proximidade com fornecedores e outros serviços facilita a rotina da empresa.
A mesma percepção é compartilhada por Sétimo Zagonel, proprietário de uma metalúrgica especializada em inox instalada há cinco anos no bairro. Ele destaca a facilidade de acesso para diferentes regiões da cidade. “Para nós, a localização é muito boa. Temos acesso mais prático para a BR-470, Tamandaré, São Pedro e Barracão. O pavilhão atende bem às necessidades da empresa e a operação funciona de forma tranquila”, relata.
Empresário do setor moveleiro e proprietário de um empreendimento instalado há 13 anos no Verona, Rogério Calgaro também aponta a localização como uma vantagem. “Estamos próximos dos clientes e da cidade. Isso reduz deslocamentos e facilita muito o trabalho do dia a dia”, observa.
Alterações viárias e preocupação com a mobilidade
Se a localização é um dos pontos fortes do bairro, as condições de circulação aparecem entre os temas mais debatidos pelos entrevistados.
Uma das principais reclamações envolve as mudanças realizadas recentemente na sinalização da Alameda Todeschini. Moradores e empresários afirmam que a alteração transformou trechos que antes operavam em mão dupla em vias de sentido único.
Para Lisiane, a mudança trouxe dificuldades para quem utiliza diariamente os acessos do bairro. “O problema é que a alteração foi feita sem ouvir os moradores. Hoje existem pontos em que a visibilidade ficou prejudicada e isso gera insegurança para quem precisa acessar a via”, afirma.
A percepção é semelhante para Marisa da Silva, moradora do Verona há cerca de 20 anos. Ela acredita que a mudança aumentou os deslocamentos de quem vive na região. Segundo a moradora, a justificativa apresentada pela prefeitura para a alteração está relacionada à construção de um novo condomínio residencial na entrada do bairro, que deverá concentrar centenas de apartamentos. “Muitos moradores precisam fazer voltas maiores para chegar em casa. Em horários de pico, especialmente quando há troca de turno nas empresas, o trânsito acaba ficando bastante carregado”, relata.
Além disso, Marisa avalia que a mudança trouxe transtornos para os moradores e questiona a necessidade da alteração neste momento, já que o empreendimento ainda está em construção.
Calgaro também critica a falta de consulta à comunidade antes das alterações. “A prefeitura simplesmente mudou o sentido da rua e os moradores precisaram se adaptar. Faltou diálogo com quem utiliza essas vias todos os dias”, avalia.
Outro aspecto mencionado é a circulação de veículos pesados. Conforme os entrevistados, algumas ruas apresentam limitações para caminhões maiores devido à largura reduzida e à existência de curvas mais fechadas.
Segundo Zagonel, o problema afeta especialmente as empresas que trabalham com cargas maiores. “O que ouvimos de outros empresários é que algumas carretas têm dificuldade para acessar determinados pontos por causa das ruas estreitas e das curvas”, explica.
Além disso, moradores relatam preocupação com a velocidade praticada por alguns veículos na principal via de ligação do bairro com áreas industriais da região.
Lisiane afirma que o fluxo intenso de trabalhadores e veículos exige medidas adicionais de segurança. “Existem muitos pontos utilizados por crianças e famílias para atravessar a rua. Em determinados horários, principalmente no fim da tarde, o movimento aumenta bastante”, comenta.
Acesso escolar preocupa moradores
Embora não possua colégios em seu território, o Verona integra o zoneamento da Escola Municipal Vânia Mincarone, localizada no bairro Santo Antão. A instituição é frequentemente elogiada pelos moradores pela qualidade do ensino, mas o deslocamento dos estudantes até a insituição é apontado como uma das principais dificuldades enfrentadas pelas famílias da região.
Entre as demandas mais recorrentes está a falta de infraestrutura adequada para o trajeto dos alunos. Segundo Lisiane, crianças que frequentam a escola utilizam um percurso sem calçadas em parte do caminho entre a instituição e o bairro. “Nos horários de saída, muitos estudantes acabam dividindo espaço com os veículos. Quando chove, a situação fica ainda mais complicada”, relata.
Ela afirma que o problema já foi apresentado ao poder público em diferentes ocasiões, mas que ainda não houve uma solução definitiva.
A preocupação aumenta porque o horário de saída dos estudantes coincide com a movimentação de trabalhadores de empresas instaladas na região, especialmente nos horários de troca de turno, ampliando o fluxo de veículos no acesso ao bairro.
Transporte público é insuficiente
Moradores e empresários afirmam que a quantidade de horários e itinerários disponíveis não atende plenamente às necessidades da comunidade
De acordo com Lisiane, a frequência reduzida de linhas que atendem diretamente o bairro acaba limitando tanto a mobilidade dos moradores quanto a contratação de trabalhadores pelas empresas instaladas na região. “Já deixei de contratar pessoas qualificadas porque elas dependiam do transporte público. Muitas vezes os horários não coincidem com a jornada de trabalho”, afirma.
A empresária explica que parte dos funcionários precisa desembarcar em pontos mais afastados e concluir o trajeto a pé. Marisa compartilha avaliação semelhante. “Ainda existem poucos horários para atender os moradores. É um ponto que poderia melhorar”, considera.
Segundo ela, algumas linhas passam próximo ao bairro, mas não atendem diretamente todas as áreas residenciais, dificultando o deslocamento diário.
Comércio limitado e dependência de bairros vizinhos
Apesar do crescimento residencial registrado nos últimos anos, os entrevistados afirmam que a oferta de comércio e serviços ainda é reduzida.
Lisiane destaca que existe apenas um pequeno mercado no bairro. “Ele ajuda bastante, principalmente porque fica aberto até mais tarde, mas ainda faltam muitos serviços essenciais para quem mora aqui”, afirma.
A ausência de farmácias e de outros estabelecimentos faz com que muitos moradores dependam de bairros próximos para resolver demandas cotidianas.
Água, obras e infraestrutura urbana
As intervenções realizadas recentemente na rede de abastecimento e seus impactos também foram citadas durante as entrevistas.
Moradores relatam que o bairro enfrentou períodos de desabastecimento nos últimos verões. Segundo Lisiane, uma obra realizada recentemente busca minimizar o problema. “No verão a falta de água era frequente. Foi feita uma intervenção importante e agora existe uma expectativa de melhora”, afirma.
Marisa também acredita que a situação vem apresentando avanços. “Parece que está normalizando, mas tivemos bastante falta de água nos últimos períodos”, comenta.
As obras relacionadas à nova tubulação também geraram impactos temporários na infraestrutura viária. Zagonel relata que alguns transtornos ainda são percebidos em determinadas ruas. “Tivemos problemas durante a execução das obras e, em alguns pontos, os paralelepípedos não ficaram bem ajustados. Algumas correções já foram feitas, mas existem locais que precisam de atenção”, afirma.
Calgaro também cita problemas relacionados à conservação das vias. “Existem trechos em que os buracos acabam causando transtornos frequentes para quem circula diariamente pelo bairro”, relata.
Saúde e educação
Sem estruturas próprias para atender essas áreas, os moradores do Verona dependem de equipamentos públicos localizados em bairros vizinhos.
O principal ponto de referência é a Unidade de Saúde Zona Sul, localizada no bairro Botafogo, que atende também moradores de outros bairros da região.
Na educação, embora a comunidade avalie positivamente o ensino oferecido pela instituição que atende o bairro, os entrevistados apontam desafios relacionados à estrutura e aos investimentos destinados à escola.Apesar dos elogios em relação a qualidade do ensino oferecido pela instituição, também apontam desafios estruturais.
Segundo Lisiane, o colégio enfrenta dificuldades relacionadas à manutenção e à disponibilidade de recursos. Entre os problemas citados pela moradora estão a falta de profissionais de limpeza, merendeiras e professores, além de limitações estruturais que afetam o funcionamento da instituição. “É uma escola reconhecida pelos resultados que apresenta, mas ainda enfrenta problemas que poderiam ser resolvidos com mais investimentos”, afirma.
Marisa também avalia positivamente o trabalho desenvolvido pela instituição. “Meus filhos estudaram e estudam lá. É uma escola muito bem avaliada e que já recebeu diversos reconhecimentos”, destaca.
A falta de creche também aparece entre as reivindicações da comunidade. Sem atendimento desse tipo no Verona, muitas famílias precisam recorrer a instituições localizadas em outros bairros. Conforme Lisiane, a necessidade de deslocamento representa um desafio adicional para os pais, especialmente para aqueles que dependem do transporte coletivo, cuja oferta é considerada limitada na região.
Espaços de lazer aparecem entre as principais carências
Moradores afirmam que a estrutura disponível atualmente é insuficiente para atender a comunidade, especialmente diante do crescimento populacional registrado nos últimos anos.
Marisa afirma que a estrutura atual é insuficiente para atender a comunidade. “Temos uma pracinha pequena e um campo de futebol, mas ainda faltam espaços adequados para as crianças e para as famílias”, relata.
A preocupação aumenta diante da chegada dos novos moradores previstos com a conclusão do condomínio citado anteriormente, que deverá ampliar significativamente a população do bairro nos próximos anos. “É preciso pensar em algo para atender esse crescimento. Mais moradores significam mais crianças e mais demanda por espaços públicos”, observa Marisa.
Lisiane também defende um melhor aproveitamento de áreas disponíveis no bairro para a implantação de equipamentos comunitários. Ela também cita o campo de futebol que permanece fechado na maior parte do tempo e que poderia ser utilizado para atender outras demandas da população.
Segurança divide opiniões
A percepção sobre segurança varia entre os entrevistados.
Marisa considera o Verona um bairro tranquilo. “Por ser um bairro pequeno e familiar, a sensação de segurança é boa. Não temos registros frequentes de ocorrências e vemos circulação da Guarda Civil Municipal e da Brigada Militar”, afirma.
Já Lisiane avalia que a ausência de policiamento noturno é uma preocupação. “Durante o dia vemos viaturas circulando, mas à noite isso praticamente não acontece. Muitas vezes os próprios moradores acabam se organizando para acompanhar movimentações suspeitas”, relata.
Entre os empresários entrevistados, as percepções são distintas. Zagonel afirma não ter enfrentado problemas relacionados à criminalidade desde que instalou a empresa no bairro e considera o ambiente tranquilo para o funcionamento do negócio. Já Calgaro relata que a sensação de segurança mudou nos últimos anos, especialmente em função do aumento de imóveis destinados à locação, embora não cite ocorrências relevantes envolvendo seu empreendimento.
Alagamentos em acesso
Moradores e empresários também relatam problemas em períodos de chuva intensa. O principal ponto citado é a Rua José Giordani, um dos acessos ao Verona, onde o acúmulo de água costumava causar transtornos para quem circula pela região.
Segundo os entrevistados, recentemente foi realizada uma obra no local com o objetivo de minimizar os impactos registrados durante temporais. Apesar da intervenção, a comunidade ainda aguarda a ocorrência de chuvas mais intensas para avaliar se a solução será suficiente para eliminar os problemas.
Apesar das reivindicações apresentadas pelos moradores e empresários, alguns serviços públicos receberam avaliação positiva dos entrevistados. A coleta de resíduos foi considerada satisfatória pela comunidade, assim como a iluminação pública, que passou por melhorias nos últimos anos com a substituição gradual das luminárias em diferentes pontos do bairro