A tenente-coronel Karine Pires Soares assumiu recentemente o comando do 43º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e já deixou claro que sua gestão vai além da simples redução de indicadores criminais. Primeira mulher a liderar a unidade, ela defende uma segurança pública conectada ao crescimento econômico e social de Bento Gonçalves e dos demais municípios atendidos pelo batalhão, sendo Garibaldi, Carlos Barbosa, Veranópolis, Cotiporã, Vila Flores, Fagundes Varela, Boa Vista do Sul, Santa Tereza, Monte Belo do Sul, Pinto Bandeira e Coronel Pilar.

Durante palestra para lideranças empresariais e comunitárias no Auditório do Sicredi Agro na manhã de terça-feira, 24, a comandante destacou que previsibilidade e ordem pública são fatores decisivos para atrair investimentos e manter a confiança social. “Não estamos falando apenas de redução de indicadores criminais. Precisamos pensar no crescimento econômico e social da comunidade. A segurança gera previsibilidade de investimentos. As pessoas querem estar onde se sentem seguras”, afirmou.

Durante palestra, a comandante detalhou os quatro eixos do Plano 2026

Segundo ela, o aumento de moradores vindos de outras regiões em busca de oportunidades reforça o papel estratégico da segurança pública em uma região considerada próspera.

Integração e foco estratégico

A comandante explica que, nos últimos anos, a Brigada Militar do Rio Grande do Sul passou por uma reestruturação para integrar áreas antes fragmentadas. O antigo 3º BPAT deu lugar ao 43º BPM, que hoje é responsável por 12 municípios da Serra.

Bento Gonçalves integra o programa estadual RS Seguro, que monitora cidades responsáveis por mais de 90% das ocorrências criminais do Estado. A inclusão do município no programa, segundo a comandante, exige atenção redobrada e gestão baseada em evidências. “O programa foca nos crimes mais graves. Se somos bons gestores, precisamos concentrar esforços onde há maior demanda”, pontua.

O batalhão atua com duas companhias, uma sediada em Bento Gonçalves e outra em Garibaldi, atendendo também cidades menores da região.

Estrutura operacional e proximidade com a comunidade

Karine detalhou o “portfólio de serviços” do 43º BPM, comparando a atuação da corporação à gestão de uma empresa orientada por resultados.
Entre os grupos especializados estão:
-Força Tática, voltada ao enfrentamento do tráfico de drogas e da criminalidade organizada;
-Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (ROCAM);
-Guarnições do 190, responsáveis pelo atendimento das ocorrências diárias;
-Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD);
-Patrulha Maria da Penha, que fiscaliza medidas protetivas em casos de violência doméstica.

A comandante destaca que o emprego do efetivo é definido com base em análise diária de dados, considerando bairros, horários e dias com maior incidência de ocorrências. “Não há improviso. Cada decisão é estudada. A criminalidade é sazonal e dinâmica. Precisamos saber onde, como e por que empregar nosso efetivo”, explica.

Resultados e alertas

Entre os números apresentados, apenas em Bento Gonçalves no último ano foram:

  • Mais de 24 mil pessoas abordadas;
  • 8,3 mil veículos fiscalizados;
  • 470 prisões em flagrante;
  • Mais de 160 quilos de drogas apreendidos;
  • 72 foragidos recapturados e 39 armas apreendidas.
    O batalhão registrou redução de 21% nos crimes violentos letais intencionais (homicídios) na área total de atuação (os 12 municípios), além de queda de 32% no roubo a pedestres e 37% no roubo de veículos.
    Ainda assim, janeiro deste ano acendeu um sinal de alerta com cinco homicídios em Bento Gonçalves, acima da média histórica de dois a três casos mensais. Em fevereiro, porém, não houve registros fora do sistema prisional. “Não podemos normalizar esses números. Cada vítima representa uma ruptura na sensação de segurança. Nosso objetivo é estabilizar essa linha e reduzir cada vez mais”, reforça.

Segurança como responsabilidade coletiva

A comandante enfatizou que o combate às organizações criminosas exige organização também da comunidade. Para ela, empresários, lideranças e poder público precisam atuar de forma articulada.
Ela citou a importância do Conselho Comunitário Pró-Segurança Pública (CONSEPRO) e do Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública (PISEG), que permite a destinação de parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) devido por empresas para investimentos na área. “Não existe gestão de segurança pública sem parceria. Aqui no interior, essa articulação é uma força”, destaca.

Eixos da nova gestão

Karine apresentou quatro prioridades à frente do 43º BPM:
-Redução qualificada dos crimes mais graves, com integração entre Brigada, Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário;
-Proteção das áreas comerciais e turísticas, fundamentais para a economia regional;
-Segurança escolar e comunitária, com fortalecimento de ações preventivas;
-Valorização da tropa, com investimento em inteligência e emprego estratégico do efetivo.

Ela também revelou o desejo de, futuramente, instalar uma companhia mais próxima da região central de Bento Gonçalves, facilitando o atendimento aos grandes eventos e áreas de maior circulação. “Estamos avançando na direção certa, pensando no bairro Planalto para isso. Mas segurança pública é construção diária. É presença qualificada, trabalho integrado e compromisso coletivo”, conclui, informando que apresentará em breve o projeto ao setor empresarial, pois espera apoio da iniciativa privada.