Para a presidente Adriana Machado de Assis, a medida amplia poder de compra e beneficia cerca de 90% da categoria na região

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para quem recebe até R$5 mil por mês é considerada uma das mudanças tributárias mais relevantes dos últimos anos no país. A nova regra, que entrou em vigor este ano, mais que dobra o limite anterior de isenção, que era de R$2.259,20, e deve alcançar milhões de brasileiros.

Segundo dados do Governo Federal, mais de 15 milhões de contribuintes serão beneficiados, sendo cerca de 10 milhões totalmente isentos e aproximadamente 5 milhões contemplados com redução parcial do imposto. A Receita Federal estima ainda que 90% dos brasileiros que atualmente pagam Imposto de Renda estarão na faixa de isenção total ou parcial, e cerca de 65% dos declarantes ficarão totalmente isentos.

Na avaliação da presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Bento Gonçalves – Sitracom-BG, Adriana Machado de Assis, o impacto é direto sobre a base da categoria e sobre a economia da Serra. “Sem dúvida é muito positiva, pois atinge grande parte dos trabalhadores. A ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$5 mil vai promover maior poder de compra e consequente circulação de recursos no município. Todos ganham”, afirma.
Ela destaca que a medida representa aumento imediato no salário líquido mensal, fortalecendo o consumo e dinamizando setores como construção civil, comércio e serviços.

Economia real no orçamento das famílias

Adriana Machado de Assis

Na prática, a mudança reduz o imposto retido na fonte e amplia a renda disponível. Estimativas apontam que o trabalhador que recebe até R$5 mil poderá economizar até cerca de R$4 mil por ano, considerando também o 13º salário. “Essa medida impacta diretamente no fortalecimento do consumo das famílias. Significa mais dinheiro no bolso do trabalhador, na distribuição de renda, aumento na produção e na geração de empregos”, declara Adriana.

Ela explica que o efeito é multiplicador: quando o governo deixa de reter parte do imposto, o trabalhador passa a ter mais renda disponível para gastar ou investir. “Garante maior consumo e um comércio movimentado, fortalecendo a economia. Para a nossa região da Serra será muito bom”, ressalta.

Base da categoria amplamente beneficiada

De acordo com a dirigente sindical, cerca de 90% da categoria representada pelo Sitracom-BG deve ser beneficiada pela nova faixa de isenção.

Atualmente, o salário previsto em Convenção Coletiva para trabalhadores que passam pelo contrato de experiência é de R$2.226,77. Adriana observa que diversas empresas já pagam valores superiores para atrair mão de obra qualificada. “Temos conhecimento de que vários negócios, para conseguir atrair trabalhadores, estão pagando acima do salário inicial. Isso nos deixa felizes, porque entendemos que as empresas têm fôlego para pagar melhores remunerações e valorizar seus trabalhadores”, afirma.

Justiça social e valorização do trabalho

Para Adriana, a ampliação da isenção é também uma questão de justiça tributária. Ela sustenta que a medida respeita o princípio constitucional da capacidade contributiva, segundo o qual cada cidadão deve contribuir conforme sua condição econômica. “Ela toca diretamente na questão da desigualdade de renda e no princípio de que quem ganha menos não deve arcar com o mesmo peso de impostos que quem ganha mais”, declara.

A presidente reforça que o salário tem natureza de subsistência. “Não é lucro, é fruto do trabalho. Para grande parte da classe trabalhadora, ele mal cobre as despesas essenciais. Tributar essa renda compromete o mínimo necessário para viver com dignidade”, afirma.

Ela também critica a estrutura regressiva do sistema tributário brasileiro, no qual os mais pobres pagam proporcionalmente mais impostos por meio de tributos sobre o consumo. “A isenção do IR para rendas mais baixas ajuda a corrigir essa distorção. Justiça social não é todo mundo pagar igual, mas pagar de forma proporcional para reduzir desigualdades”, pontua.

Adriana defende ainda que a ampliação da isenção deve ser acompanhada de maior tributação sobre altas rendas, lucros, dividendos e grandes fortunas, reforçando o princípio da redistribuição de renda.

Compensação fiscal e debate econômico

O governo federal prevê mecanismos compensatórios para equilibrar a redução de arrecadação, como o aumento da tributação sobre rendimentos anuais mais elevados, especialmente acima de R$600 mil. Segundo o Executivo, a medida mantém o equilíbrio fiscal sem comprometer as contas públicas.
Para o movimento sindical, a discussão tributária precisa caminhar junto com outras pautas estruturais.

Juros altos preocupam sindicato

Além da reforma no Imposto de Renda, Adriana aponta outra angústia central: a taxa de juros. “Uma inquietação nossa e de todo o movimento sindical é essa, que está muito alta. Isso influencia diretamente na vida dos trabalhadores”, afirma.

Ela explica que juros elevados dificultam o acesso ao financiamento da casa própria, à compra de veículos e ao crédito pessoal. “Com juros mais baixos, os trabalhadores teriam crédito mais acessível, mais consumo, mais empregos e melhores condições para conquistarmos aumentos salariais. O ideal seria juros baixos com inflação controlada, para que o poder de compra não seja corroído”, defende.

Organização sindical e mobilização

A presidente enfatiza que a conquista não ocorre de forma espontânea. Segundo ela, o sindicato participa ativamente das mobilizações em defesa da ampliação da isenção. “Passamos o ano engajados nessa pauta, participamos de reuniões com outros sindicatos, com a nossa Central Sindical CUT (Central Única dos Trabalhadores) e com a Federação. Também realizamos mobilizações com mesas coletoras de votos no Centro da cidade e no próprio Sindicato, por meio do Plebiscito Popular. Tivemos ótima participação da comunidade de Bento Gonçalves”, relata.

Ao final, Adriana deixa uma mensagem direta à categoria. “Nenhum avanço cai do céu. Conquistas como a redução do Imposto de Renda só se tornam realidade porque existe organização, mobilização e luta coletiva. É no sindicato que o trabalhador encontra representação e força para negociar melhores condições de trabalho e salários justos”, declara.

Ela conclui reforçando que fortalecer a entidade é consolidar a própria classe trabalhadora. “Somente unidos conseguiremos avançar e garantir que políticas como essa continuem beneficiando quem realmente move a economia do país”, finaliza.