Desde 1954, o Grêmio Tuiuty é mais do que um time de futebol. Fundado no distrito de Tuiuty, no interior de Bento Gonçalves, o clube se consolidou ao longo de mais de sete décadas como um espaço de convivência, pertencimento e resistência comunitária, atravessando gerações e diferentes fases do esporte amador na região.
A origem do clube remonta a um período em que o futebol era um dos principais elos sociais do interior. “Hoje tem muita gente que já faleceu, mas a ligação continua através dos filhos, dos netos, de quem ficou”, relembra o ex-presidente da gestão 2024-2025, Rildo Tomasi. Segundo ele, essa herança é visível no quadro social atual. “Nós temos cerca de 70 sócios vitalícios. Uns 50 são antigos mesmo, gente que está desde os anos 1970. E agora vem uma juventude junto, pai com filho, isso cria uma ligação muito forte”, reforça.
Harmonia
Essa união entre gerações também marca a transição administrativa. Após comandar o clube em diferentes períodos, Rildo passou a presidência para Moacir Tomasi, que lidera a gestão 2026-2027. “Convidei ele para assumir porque já foi presidente anos atrás e tem o mesmo espírito de manter o clube vivo”, afirma Rildo. “A ideia sempre foi misturar sócio velho com novo, quem joga bola e quem não, para levar o Grêmio para frente”, destaca.

Já Moacir destaca que a continuidade foi um fator decisivo para aceitar o desafio. “Não sou melhor que ninguém, mas tenho essa vontade de manter tudo organizado, limpo e com as portas abertas. Eu nasci aqui e, mesmo morando na cidade, todo fim de semana estou no distrito. Isso é importante”, afirma o atual presidente.
Performance
No aspecto esportivo, o Grêmio Tuiuty hoje atua principalmente no futebol de salão distrital e em competições como o Futebol 7, também entre distritos do município. O futebol de campo tradicional está paralisado há cerca de quatro anos, reflexo das dificuldades enfrentadas por clubes do interior. “A maioria deles quebrou porque pagava jogador. Nós sempre jogamos com o time da casa. No campo tu precisa de 15, 20 jogadores. Já no salão são cinco. Fica mais viável”, explica Rildo.
Mesmo assim, o clube mantém presença constante nestes campeonatos. Entre os títulos mais marcantes estão as conquistas da Copa Nossa Itália, no quadro B, em 2010, 2012 e outros anos. “Nós fomos campeões duas, três vezes do quadro B e sempre beliscávamos no quadro A. Era um time que assustava, mesmo sem dinheiro”, recorda Rildo. Mais recentemente, o Grêmio foi vice-campeão do Campeonato Master de Futebol 7 e três anos atrás do Veteranos de futsal.
União
Além dos resultados, o Clube exerce um papel central na integração da comunidade. A iluminação do campo, inaugurada em 2018, foi um divisor de águas. “Se não tivesse feito aquela iluminação, talvez o clube não estivesse mais ativo”, avalia Rildo. “Tudo foi feito com promoção, patrocínio, serviço dos sócios. Todo mundo ajudou de um jeito ou de outro”, afirma.
A estrutura permitiu a realização de jogos noturnos, especialmente às sextas-feiras, o que ajudou a atrair jogadores mais jovens. “A juventude quer coisa diferente hoje. Sexta-feira à noite é atrativo, porque no sábado eles têm outros compromissos. Isso ajudou a trazer de volta gente que tinha se afastado do futebol”, ressalta.

Novas gerações
Outro marco foi a criação da escolinha de futebol, em 2017, que chegou a atender cerca de 40 crianças. “Nós seguramos a escolinha por três anos. Jogavam, ganhavam taça, participavam de campeonatos”, conta o ex-presidente. Parte desses jovens segue no clube até hoje. “Tem uns oito ou dez que passaram pela escolinha e hoje jogam conosco. Se não fosse isso, talvez nem estivessem mais jogando bola”, frisa.
Conservação e futuro
A manutenção do Grêmio depende fortemente do apoio da comunidade, de empresas locais e, de forma complementar, do poder público. “A prefeitura ajudou com o que pôde, lâmpadas, brita, algumas coisas. Mas quem fez mesmo fomos nós, os sócios”, destaca Rildo.
Para os próximos anos, a nova diretoria projeta investimentos importantes. “O grande desafio agora é trocar os refletores de mercúrio por LED. O custo da iluminação vai cair bastante e isso permite mais jogos durante a semana”, explica o presidente atual. Também está nos planos a melhoria da estrutura do salão comunitário. “Os banheiros estão precários. A ideia é fazer um projeto e buscar apoio para executar em dois ou três anos”, acrescenta.
Ao falar sobre o futuro, ambos reforçam a importância da participação coletiva. “Manter o clube não é só jogar bola. É ser sócio, trabalhar, ajudar. Eu agradeço muito aos antigos que estão aqui há 50 anos e também aos novos que estão chegando”, pontuam.
O presidente complementa com um olhar atento aos desafios atuais. “Hoje é difícil manter times no interior. Os jovens têm outras distrações e não querem compromisso. Mas quando eles veem essa mistura de gente mais velha com nova funcionando, eles aprendem e acabam ficando. É assim que a gente mantém esse legado”, finaliza.
Os representantes:
Diretoria 2026-2027:
Presidente: Moacir Tomasi;
Vice: Jocimar Duz;
Primeiro secretário: Pedro da Silva Barros.
Diretoria 2024-2025:
Presidente: Rildo Tomasi;
Vice: Vanderson Favoreto;
Primeiro secretário: Douglas Augusto Bottura.