
Na última sexta-feira, dia 30/01, o Bento+20 participou do lançamento do Manifesto Empreendedor 2026, publicado pela FEDERASUL. O documento não começa com promessas, mas sim com um teste de consciência: “Uma criança que entrou com 6 anos na educação fundamental em 2023, que Estado vai encontrar em 20 de Setembro de 2035?”.
A pergunta é incômoda porque tem prazo e tem rosto. Em 2035, essa criança terá 18 anos. Ou ela encontrará um Rio Grande do Sul com oportunidades, serviços que funcionem e um ambiente fértil para trabalhar e empreender, ou buscará futuro em outro lugar, aumentando o processo da “fuga de cérebros”. E aqui não adianta poesia cívica: o bicentenário farroupilha só terá sentido se estiver amarrado a resultados verificáveis.
O Manifesto também acerta ao apontar o paradoxo do nosso tempo: avanços extraordinários convivendo com empobrecimento do discernimento coletivo. Ele descreve um mundo de energia mais abundante, redes instantâneas, biotecnologia e inteligência artificial influenciando opiniões e decisões por algoritmos. Mas, simultaneamente, não garante profundidade, virtude ou responsabilidade pública.
Essa provocação precisa nos tirar do conforto. Tecnologia não substitui caráter, e inovação não compensa mediocridade institucional. Se o Estado (e os municípios) continuarem reféns do curto prazo, a inteligência artificial vai apenas acelerar desigualdades, burocracias e desinformação, porque a máquina amplifica o que já existe.
É por isso que o Bento+20 tem feito o que muitos evitam, que é transformar futuro em método. O Masterplan não é um texto para prateleira, bem como não é um apoio de monitor, mas sim uma carteira de diretrizes convertidas em projetos, com responsáveis, prazos, custos estimados e acompanhamento. As câmaras temáticas funcionam como linha de produção de soluções, com diagnósticos, evidências, propostas executáveis e pressão pública organizada para que saiam do papel.
Na prática, isso se traduz em medidas objetivas: foco em educação como eixo estruturante, com articulação de parcerias e projetos que elevem qualidade e infraestrutura, bem como insistência na agenda de conectividade e logística, porque sem mobilidade e competitividade não há emprego de qualidade, além do fortalecimento do ecossistema de inovação para qualificar pessoas e negócios, especialmente contando com utilidade social.
Se queremos responder, com honestidade, à pergunta de 2035, precisamos parar de administrar o presente como se ele fosse infinito. O Bento+20 existe para encurtar a distância entre ideia e entrega, e para lembrar que o futuro não chega. Ele é construído, ou é perdido.





