Segunda-feira, 10 de Agosto de 2026

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Vitaminas e Suplementos alimentares: setor em expansão atrai consumidores na busca por uma saúde de qualidade

Inseridos em um mercado bilionário, os nutracêuticos, mais conhecidos como suplementos alimentares, apresentam uma estimativa de crescimento de 7,5% até 2025, segundo estudo realizado pela Future Market Insights (FMI), e o mercado global deve ultrapassar a marca de US$ 252 bilhões (cerca de R$1,4 trilhão de reais). No Brasil, de acordo com a segunda edição da pesquisa “Hábitos de Consumo de Suplementos Alimentares no Brasil”, feita pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais (Abiad), houve um aumento de 48% no consumo de suplementos devido à quarentena.

Especializada na fabricação de encapsulados, suplementos solúveis e líquidos, a empresa iCapsulas é a única do segmento em Bento Gonçalves. Com quase um ano de funcionamento, a startup iniciou suas atividades em novembro de 2023, com o apoio do município e o trabalho dos sócios Gustavo Rossetto, Elisiane Fátima de Moraes, Marcelo e Leonardo Reche.

A ideia de iniciar um negócio dentro do mercado de suplementos surgiu da vontade de trazer mais saúde e qualidade de vida, que, segundo Rossetto e Leonardo Reche, é uma necessidade crescente desde o período da pandemia de Covid. Além disso, com os anos vendendo produtos da área, eles perceberam a necessidade de uma indústria que seguisse os padrões estipulados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O investimento foi alto, e os cuidados para se encaixar nas normas foram essenciais para a criação da indústria, que passa pela fiscalização regularmente.

O trabalho que a empresa desenvolve é focado na terceirização, em que é desenvolvido desde o produto, até os logotipos de clientes que querem criar suas próprias marcas, que geralmente são pequenos e médios empresários. Rossetto explica mais sobre. “Pegamos desde o registro da marca, até a autorização da Anvisa, para deixar os produtos nos conformes, desenvolvemos o design e também auxiliamos os clientes no posicionamento das vendas on-line e presenciais. Também vendemos fórmulas prontas que o cliente pode colocar sua marca em cima”, conta. Além dos serviços de terceirização, a empresa possui marca própria, a Vital Z, que já está presente em academias do município, através de parcerias, lojas, farmácias e outras distribuidoras.

Hoje, sua produção média mensal chega a mais de 200 mil unidades, alcançando estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e o principal comprador, São Paulo. A expectativa é passar de um milhão mensal até o fim de 2025. Reche conta que há vários tipos de clientes que a empresa consegue alcançar. “Temos desde farmácias, lojas de suplementos, produtores digitais que vendem e-commerce, Mercado Livre, Shopee, Amazon e também existe uma plataforma de afiliados que está em alta no Brasil, que são os produtores digitais. Eles têm as suas marcas de suplementos e tem os afiliados que vendem para eles na internet através do Google Ads, esse é o segmento que mais temos clientes, além do pessoal que vende para as grandes farmácias, que competem com marcas maiores ainda”, comenta.

Ainda há muitos desafios para quem ingressa e para quem já está dentro da produção de nutracêuticos. A recente alteração na regulamentação da Anvisa determina novas regras para a comercialização de suplementos alimentares, com o propósito de garantir transparência nas informações dos produtos e melhorar o controle sanitário.

Os sócios falam sobre a importância de seguir os protocolos corretos para conseguirem entregar qualidade e relevância. “Estamos aqui para fazer o melhor, até porque a cidade já é referência nacional como Capital do Vinho e reconhecida pelo turismo. Prezamos pela qualidade, realizando um controle rigoroso junto com a responsável técnica e seguindo a legislação, para no fim, entregar o melhor produto para os clientes que irão consumir”, finalizam Rossetto e Reche.

O que são os suplementos alimentares

São produtos que têm o objetivo de complementar a dieta normal e que contêm nutrientes como vitaminas, minerais, aminoácidos, ácidos graxos ou fibras, entre outras substâncias.
De acordo com a pesquisa da Abiad, em 59% dos lares brasileiros há pelo menos uma pessoa que consome esses complementos alimentares. A pesquisa também aponta que 28% dos entrevistados afirmam que os suplementos aumentam a disposição física.

A nutricionista especializada em emagrecimento definitivo, Julia Severgnini, ressalta que o uso de nutracêuticos não é apenas para quem pratica esporte, mas também para questões de saúde. “Cerca de 90% dos meus clientes usam algum tipo de suplementação, seja para complementar a proteína diária, repor vitaminas ou melhorar outras deficiências nutricionais”, comenta. Apesar de suplementos como, por exemplo, o whey protein substituir a proteína de uma refeição, ela ressalta que é importante preservar na dieta o uso de alimentos in natura.

Lizandra Mazzoccato, de 50 anos, é uma das pacientes de Julia, e comenta sobre sua rotina. “Uso há 12 meses por indicação da nutricionista e já vejo os resultados. Sigo uma dieta específica para o meu biotipo, idade e rotina de atividades físicas, com o objetivo de ganhar massa magra. Os suplementos me ajudam a ter mais disposição para treinar e alcançar meus objetivos”, diz.

Julia também destaca que o uso de suplementos pode ser um aliado, desde que orientado por um profissional. “Os suplementos podem trazer diversos benefícios para a saúde, como a melhora do desempenho esportivo, correção de deficiências nutricionais, melhora da saúde e imunidade, mas sempre lembrando que devem ser indicados por um profissional, pois se utilizados de maneira incorreta, podem causar toxicidade, efeitos colaterais e reações adversas”, enfatiza. Um exemplo dos riscos que um suplemento pode causar quando utilizado de maneira incorreta, é a intoxicação pela vitamina D, que pode gerar pedras nos rins, elevação de cálcio sanguíneo que pode causar confusão mental, vômitos, fraqueza muscular e desmineralização óssea a longo prazo.

Novos hábitos alimentares

A pandemia foi um fator que alterou a rotina de milhares de brasileiros, que passaram a levar os cuidados com a saúde e alimentação mais a sério. Segundo a pesquisa feita pela Abiad, cerca de 72% dos entrevistados melhoraram seus hábitos alimentares.

A Dra. Francine Lopes Petry, especialista em medicina interna e nutrologia, fala sobre como a pandemia impulsionou a procura de suplementos. “Houve uma preocupação maior relacionada com estilo de vida, na tentativa de evitar os fatores que contribuíram para a mortalidade do Covid. Nesse sentido, suplementos que já vinham sendo de longa data atribuídos à melhora da imunidade começaram a ganhar força para serem utilizados. Com o isolamento social e a disseminação de informação nas redes sociais, iniciou-se uma cultura de desmistificação de diversos temas de saúde, dando voz a profissionais que orientam de forma geral os hábitos e suplementos mais indicados”, comenta.

Se por um lado a internet facilitou para que as pessoas pudessem procurar ajuda profissional sobre os suplementos, ela também fez com que muitas outras oferecessem soluções rápidas e ineficazes, desprovidas de embasamento científico e, por vezes, até perigosas, sem levar em consideração a importância de adaptar as recomendações às necessidades individuais, o que pode resultar no consumo indiscriminado de substâncias prejudiciais à saúde.

A médica finaliza. “Deve-se sempre buscar como primeira ação, a correção dos erros alimentares, na tentativa de melhorar o consumo. Porém, uma vez identificada a necessidade, através da manifestação de sintomas e da realização de exames laboratoriais, quando necessários, a suplementação passa a ser fundamental. Por isso, é essencial que qualquer uso de suplemento seja supervisionado por um profissional de saúde qualificado, para garantir segurança e eficácia”, conclui.

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