O Ginásio do Ibirapuera foi cenário de um momento marcante para o esporte regional na quarta-feira, 29 de abril. No tradicional palco paulista, o atleta Wilson Giovanni Martinez Tuiran, representante da academia André Cristofoli Brazilian Jiu-jitsu (ACBJJ), conquistou o título do Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu 2026, organizado pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu. “É um dos torneios mais respeitados e importantes do mundo, então só para entender a magnitude do evento, pois ali estão os melhores e vem de todos lados. Estar ali e compartilhar momentos com grandes atletas de referência mundial é uma experiência única. Me preparei muito para estar naquele lugar, pois não é fácil ser pai de família, trabalhar e treinar. No entanto, conto com ajuda de uma mulher maravilhosa que me apoia sempre, minha esposa Maria de Los Angeles Montenegro”, pontua.
Segundo ele, nas lutas teve que ser muito tranquilo na hora de decidir o que fazer para poder ter um bom desempenho. “Minha primeira foi com um japonês, essa foi difícil, mas graças a Deus consegui fazer meu jogo, com rapidez e passagem de guarda. Na semifinal teve um cara muito técnico mas consegui dominar e estabilizar ele. Na final foi uma luta muito forte. O adversário bem preparado e forte saiu na frente com uma vantagem, tentei derrubar ele não consegui, mas nós últimos 40 segundos consegui colocar ele no chão, pegar as costas, montar e finalizar”, conta.
A rotina é bem puxada. É só correria, 17h30min todo mundo chegando em casa, às 18h saímos para ACBJJ, 18h30min começa o primeiro treino, depois as 19h30min até às 21h o segundo treino”, indica.
Um legado de família
A filha de Tuiran, Victoria, também participou, ficando em 3º lugar na categoria Juvenil azul leve. “Ver a minha aluna lutar no Campeonato Brasileiro em São Paulo, o maior evento de Jiu-Jitsu já registrado, foi um privilégio que palavras mal conseguem descrever. O que assistimos no tatame não foi apenas uma sucessão de lutas. Foi um show moderno. Vimos uma técnica refinada, um jogo inteligente e a beleza de quem domina a arte com leveza e precisão. Ela não apenas lutou; deu uma aula de evolução técnica”, afirma André Cristofoli.
Uma maratona rumo ao topo
O mestre enfatiza sobre a magnitude do feito. “Victoria estava em uma chave com 32 atletas duríssimos, vindas do mundo inteiro. Em um torneio desse nível, não existe luta fácil. Cada vitória foi um passo em um campo minado de talentos internacionais, e ela sobressaiu com um jiu-jitsu de altíssimo nível, provando que está entre as melhores do planeta”, avalia.
Superação por trás das medalhas
Como professor, o orgulho transborda porque Cristofoli conhece os bastidores. “Eu sei de cada barreira e de todos os sacrifícios que a Viki e sua família enfrentam para manter o compromisso com o treino. Nada veio de graça. Cada pegada e cada estratégia de hoje foram construídas com o suor de quem entende o valor da persistência”, afirma.
A trajetória foi construída após saírem da Venezuela com a meta de ter uma vida melhor para as filhas. “Victoria com 15, Alexa com 14 e a Rebecca com 9, todas elas atletas de jiu-jitsu e já campeãs mundiais, cada uma em sua categoria. Isso é algo que como pais temos muito orgulho, além de serem meninas educadas e inteligentes. Sendo quatro atletas na família e ter esse tipo de competições sem patrocínio, é mais difícil. Graças a Deus ganharam um bolsa atleta que com certeza ajuda um pouco, mas estamos em busca de patrocínio para continuar nesta batalha”, afirma Tuiran.
Ele faz um agradecimento especial aos professores, em especial Cristofoli, Ezequiel Almeida e Sanderson de Sousa. “São os três faixas pretas que estão na frente do time. Nosso mestre Cristofoli não é só nosso professor, é amigo e uma pessoa incrível. Para nós é uma honra representar sua bandeira e levar nossa academia sempre ao mais alto do topo”, conclui.