Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026

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Vítima de acidente, Gabriela será lembrada pelo sorriso constante e pelo amor à família e amigos

A alegria de viver, a disposição para ajudar e a preocupação constante com quem estava ao seu redor são algumas das características que marcaram a trajetória de Gabriela Duarte dos Santos, que morreu aos 32 anos em um acidente de trânsito em Bento Gonçalves, na madrugada de sábado, 24.

A colisão entre um Volkswagen Golf e um caminhão VW 24.250 aconteceu às 4h14min, no km 214, próximo à Pavimentadora União, no bairro Maria Goretti. Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Golf, seguia no sentido Garibaldi a Veranópolis, enquanto o caminhão, trafegava no sentido contrário. Segundo a PRF, o automóvel teria invadido a pista contrária.

Gabriela, que era passageira do Golf, morreu no local, enquanto o motorista e outra passageira ficaram gravemente feridos. Os dois sobreviventes foram encaminhados em estado grave pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para atendimento médico. O motorista do caminhão não sofreu ferimentos.

Memória que permanecerá

Amiga de Gabriela há cerca de seis anos, Caren Nunes descreve a jovem como uma pessoa que procurava enxergar o lado positivo das situações e estava sempre disposta a ajudar. “Ela foi muito feliz, sempre de bem com a vida. Se preocupava com os amigos, fazendo tudo o que era possível para ajudar”, recorda.

As lembranças dos encontros entre amigos se misturam à saudade e à dificuldade de aceitar a perda. “Ela foi uma pessoa maravilhosa, que está fazendo muita falta. A gente não se conforma ainda”, afirma.

Gabriela e colegas de trabalho

Uma mulher que colocou a família em primeiro lugar

A dedicação à família é uma das marcas mais lembradas por quem conviveu com Gabriela. Segundo a amiga, ela deixou os empregos para assumir os cuidados da mãe Solange e do irmão André, com quem morava, no bairro Aparecida. Os demais irmãos são Tiago, Gustavo, Bruna e Guilherme.

Antes, Gabriela trabalhava em dois empregos e também alimentava o desejo de continuar os estudos. Com a nova responsabilidade, passou a concentrar o tempo e a energia nos cuidados à família.

Conforme a amiga, ela pensava em voltar a estudar e buscava a possibilidade de conseguir um trabalho de meio período, que lhe permitisse ter renda própria sem deixar a família de lado.

A ex-coordenadora de Gabriela no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) Balão Mágico, Márcia Jornada Peres, também recorda a dedicação da jovem à família. Para ela, Gabriela era uma mulher guerreira, que enfrentava as dificuldades sem perder a disposição para seguir em frente. “Era muito difícil alguma coisa colocá-la para baixo”, conta Márcia.

Wagner Moura, Caren Nunes, Eder Wellington Porto e Gabriela

O carinho que deixou entre as crianças

Gabriela trabalhou como educadora social no SCFV Balão Mágico entre o ínicio de 2022 e o final de 2025. Durante o período, participou de atividades voltadas à convivência, à socialização e ao desenvolvimento das crianças atendidas pelo serviço.

A relação construída com os pequenos era uma das características mais marcantes de sua atuação. Gostava de propor brincadeiras, organizar jogos e criar atividades diferentes, especialmente na área artística. Também demonstrava atenção às necessidades individuais das crianças, preocupando-se com aquelas que estavam doentes ou precisavam de roupas e outros cuidados.

Márcia lembra que Gabriela procurava demonstrar carinho em gestos cotidianos. Quando percebia que as crianças haviam se comportado bem, por exemplo, às vezes comprava doces para elas no mercadinho. “Ela gostava muito das crianças, pensava bastante nelas. Ela era muito querida com todos”, relata a coordenadora.

Caren Nunes e Gabriela Duarte dos Santos

O jeito espontâneo e verdadeiro também fazia parte de sua personalidade. Segundo Márcia, não costumava esconder o que pensava, mas sabia reconhecer os próprios erros e pedir desculpas quando necessário. Para Márcia, essa combinação de sinceridade, carisma e disposição para aprender tornava a convivência com ela especial.

Gabriela tinha planos de investir na própria formação. Segundo a coordenadora, a intenção era cursar uma faculdade, com interesse na área de Artes, e ampliar os conhecimentos que já colocava em prática no trabalho como educadora social. Os compromissos familiares, no entanto, acabaram adiando esse projeto.

Os momentos anteriores ao ocorrido

A convivência com Gabriela deixou lembranças entre os amigos que gostavam de ir no bar do bairro. Fabiano Schefer, dono do estabelecimento, conta que ela costumava frequentar o local e que na noite anterior ao acidente, ela esteve no bar acompanhada de amigos, como fazia em outras ocasiões.

Segundo Schefer, ela e os amigos chegaram por volta das 20h30min e permaneceram até aproximadamente as 22h.

Ele afirma que a jovem mantinha uma relação tranquila com os vizinhos. “Como cliente e amiga era uma pessoa maravilhosa. Não era de incomodar, tinha amizade com todo mundo”, finaliza.

Gabriela com os amigos, Brian Alves Diniz e Elizeu Dias Berghann

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