Sexta-feira, 02 de Outubro de 2026

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Valmir Schulz deixa legado de amizade, trabalho e dedicação à família

Valmir Schulz, de 52 anos, de Carlos Barbosa, morreu na tarde de terça-feira, 29, após sofrer uma descarga elétrica enquanto realizava serviços de manutenção em um depósito localizado no bairro Cairú, em Garibaldi. Ele trabalhava no local pela empresa Schadek Montagens Ltda. quando ocorreu o acidente. Equipes de socorro foram acionadas, mas ele não resistiu aos ferimentos. Valmir e o proprietário da empresa, Gilberto Schadek, estavam em um equipamento semelhante a uma cesta, acoplado a um caminhão munck, quando houve contato com a rede elétrica. Gilberto se encontra na UTI do Hospital Beneficente São Pedro, em Garibaldi.

Mais do que a tragédia que interrompeu sua vida, familiares e amigos preferem lembrar de Valmir pelo homem que foi: um pai dedicado, amigo leal, trabalhador incansável e presença constante nos momentos mais importantes de quem conviveu com ele.

Uma trajetória construída pelo trabalho e pela família

Nascido em 26 de abril de 1974, em Roca Sales, Valmir era filho de Clídio Schulz e Nair Scaravonatti Schulz. Seu pai faleceu em agosto deste ano. Ele deixa também um irmão gêmeo, Volmir Schulz, e uma irmã mais nova, Maristela Schulz Ferrari.

Valmir com o pai falecido este ano, Clídio Schulz

Ainda criança, mudou-se com a família para Garibaldi e, posteriormente, para Bento Gonçalves. Em 1987, retornou para o interior de Roca Sales, na comunidade de Campinhos, onde manteve fortes raízes familiares.

Ao longo da vida, atuou como cobrador de ônibus na linha entre Muçum e Bento Gonçalves, trabalhou em empresas como Valza e Farina e, em 1993, ingressou no Exército Brasileiro, onde permaneceu até 2003. Depois, dedicou mais de 15 anos de sua carreira à Concresul. Também trabalhou como autônomo, passou pela OST Pneus e, mais recentemente, integrava a equipe da Schadek Montagens Ltda.

Segundo o primo Leandro Schulz, Valmir era uma pessoa muito conhecida por onde passava, justamente pela facilidade em criar laços e cultivar amizades.

O maior orgulho: os filhos

Entre as maiores conquistas de sua vida estavam os três filhos: Augusto César, de 17 anos, João Gabriel, de 14, e Ângelo Miguel, de 9 anos.

Ele mantinha forte vínculo com a família e era reconhecido pelo carinho e dedicação aos filhos. Para quem conviveu com ele, a paternidade era uma das características mais marcantes de sua personalidade.

Valmir e os filhos, João Gabriel, Ângelo Miguel e Augusto César Schulz

“Um irmão que a vida me deu”

Entre as muitas amizades cultivadas ao longo da vida, uma das mais próximas era a de Sidinei Kolling. Nas lembranças do amigo, Valmir era conhecido pelo apelido de infância e juventude: “Quati”. “Ele era um amigão. Sou casado há 15 anos e minha mulher já conhecia ele por causa da Julieta, sua ex-mulher. O ‘Quati’, era um grande pai. Íamos muito no sítio dele e fazíamos muitas festas. Ele adorava os amigos e nós adorávamos eles. Uma família de ouro, sempre prestativo com todos”, recorda.

Sidinei afirma que a amizade era baseada na reciprocidade e na confiança. “Eu ajudava ele e ele me ajudava. Era o irmão que nunca tive. Sempre falava para ele que era mais do que um irmão e que sempre poderia contar comigo.”

Grande parte das memórias deixadas por Valmir está ligada aos encontros no sítio da família, em Boa Vista do Sul. Era ali que amigos e familiares se reuniam para celebrar a convivência simples e sincera que ele tanto valorizava. “As festas eram regadas a caipira, cerveja e muitas risadas. Dormíamos no sítio e, de manhã, ele fazia pão no forno de tijolo. Os assados eram muito bons. As músicas eram as antigas, Teixeirinha, Boate Azul. Vivemos muitos finais de semana perfeitos”, lembra Sidinei.

O filho João Gabriel no carro, Valmir e o amigo Sidinei Kolling

Entre os momentos mais emocionantes, ele frisa o convite para ser padrinho de batismo de um dos filhos de Valmir, o João Gabriel. “A história mais marcante foi a noite em que nos convidaram para sermos padrinhos. Todos choraram. Foi um momento muito especial.”

Um legado que permanece

Quando questionado sobre como o amigo gostaria de ser lembrado, Sidinei não hesita: “Certamente gostaria de ser lembrado para sempre como o ‘Quati’. O legado que ele deixa é muito especial, fora de série. Sempre prestativo, amigo, sempre pronto para ajudar.”

Valmor Rigoni, outro grande amigo de Valmir complementa que “ele era um ser humano alegre, de um sorriso cativante, de um coração bondoso. Acredito que gostaria de ser lembrado pelo seu jeito simples e pela amizade verdadeira no qual sempre demonstrou”, frisa.

Ele ressalta que o maior legado que deixa é a importância da verdadeira amizade, dos bons momentos vividos, da alegria de estar em família e de ser um excelente trabalhador. “Mostrou que estar presente na vida das pessoas era o que mais importava”, conclui.

Valmor Rigoni, Daniel Deolindo, Leandro Schulz, Geraldo Valiatti e Sidinei Kolling. Na frente, Valmir com os filhos

A partida repentina de Valmir Schulz deixa um vazio entre familiares, amigos e colegas de trabalho. Ao mesmo tempo, permanece viva a lembrança do homem que construiu sua história com simplicidade, dedicação e companheirismo.

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