Quase um terço dos estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos já experimentou cigarro eletrônico. É o que aponta a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada no fim de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento revela que 29,6% dos jovens já tiveram contato com o dispositivo, com maior incidência entre meninas (31,7%) do que entre meninos (27,4%). Além disso, 26,3% relataram uso nos 30 dias anteriores à pesquisa.
Os dados indicam um avanço expressivo na experimentação desse tipo de produto em relação a 2019, quando o percentual era de 16,8%. O crescimento foi registrado em todas as regiões do país, com destaque para o Centro-Oeste (42,0%) e o Sul (38,3%), que apresentam os maiores índices. Já Nordeste (22,5%) e Norte (21,5%) concentram as menores proporções.
A pesquisa também aponta diferenças entre redes de ensino: a experimentação é mais frequente entre estudantes da rede pública (30,4%) do que da privada (24,9%). O aumento no uso recente de cigarros eletrônicos supera 300% no período analisado, enquanto o consumo de narguilê caiu pela metade. Apesar dessas mudanças, o percentual de estudantes que afirmaram não ter utilizado outros produtos do tabaco permaneceu praticamente estável, passando de 61,7% em 2019 para 62,3% em 2024.
Por outro lado, o uso de cigarro tradicional apresenta queda. A proporção de estudantes que já fumaram alguma vez passou de 22,6% em 2019 para 18,5% em 2024. O consumo recente também diminuiu, de 6,8% para 5,6%. Nesse indicador, há diferença entre as redes: 6,1% entre alunos de escolas públicas e 2,8% nas privadas. Já entre meninos (5,9%) e meninas (5,3%), a variação não é considerada estatisticamente significativa.
Consumo de álcool diminui, mas meninas seguem à frente
A experimentação de bebidas alcoólicas atinge mais da metade dos adolescentes (53,6%). O índice varia conforme a idade, sendo de 46,4% entre jovens de 13 a 15 anos e de 66,3% entre os de 16 e 17 anos. As meninas continuam liderando o consumo: 57,5% já experimentaram álcool, frente a 49,7% dos meninos.
Apesar disso, houve redução em comparação a 2019, quando os percentuais eram mais elevados (66,9% entre meninas e 59,6% entre meninos). O consumo recente também caiu de forma significativa, passando de 28,1% para 20,4%. Ainda assim, as meninas seguem com maior prevalência (23,5%) em relação aos meninos (17,2%).
No caso do consumo abusivo, os dados também mostram queda: entre os meninos, o índice passou para 17,7%, e entre as meninas, para 24,2%, abaixo dos 26,8% e 33,0% registrados em 2019, respectivamente.
Queda no uso e na iniciação de drogas
A pesquisa indica diminuição no uso de drogas entre estudantes. A experimentação caiu para 8,3%, após ter atingido 13,0% em 2019. O índice é menor na rede privada (5,7%) do que na pública (8,7%). O consumo recente também recuou, passando de 5,1% para 3,1%.
A iniciação precoce, até os 13 anos, também apresentou redução, de 4,3% para 2,7%. Esse tipo de experimentação é mais frequente entre meninos (3,1%) do que entre meninas (2,2%) e ocorre mais entre estudantes da rede pública (3,0%) do que da privada (1,3%).
Uso de preservativo diminui entre jovens
Outro dado que chama atenção é a redução no uso de preservativos. Entre estudantes que já iniciaram a vida sexual, 20,7% dos jovens de 13 a 15 anos e 47,6% dos de 16 e 17 anos, 61,7% afirmaram ter usado camisinha na primeira relação, queda de 1,6 ponto percentual em relação a 2019.
Na última relação sexual, o uso também diminuiu, passando de 59,1% para 57,2%. Entre os métodos contraceptivos, a pílula anticoncepcional é a mais citada (51,1%), seguida pela pílula do dia seguinte (11,7%). Outros métodos somam 15,0%, incluindo tanto opções como DIU e implante (4,7%) quanto práticas como tabelinha e coito interrompido (10,3%). O anticoncepcional injetável foi mencionado por 11,6% dos estudantes.
A pesquisa ainda aponta que cerca de 121 mil meninas de 13 a 17 anos já engravidaram alguma vez, o que representa 7,3% daquelas que já tiveram relação sexual. A grande maioria (98,7%) é estudante da rede pública. A desigualdade entre redes de ensino aumentou: se em 2019 a proporção de adolescentes que já haviam engravidado era quase três vezes maior na rede pública, em 2024 essa diferença passou a ser oito vezes maior.