Deputado federal afirma que pretende ampliar a defesa dos interesses gaúchos em Brasília e aponta segurança pública, infraestrutura e representação política como prioridades

Em visita à Serra Gaúcha no sábado, 7 de março, o deputado federal Ubiratan Sanderson (PL) confirmou que se prepara para disputar uma vaga no Senado pelo Rio Grande do Sul nas próximas eleições. Durante a passagem por Bento Gonçalves, o parlamentar participou de encontros com empresários e lideranças regionais e afirmou que tem intensificado agendas pelo Estado para ouvir demandas locais e discutir o cenário político nacional.

Segundo Sanderson, a agenda na região ocorre após participação na Festa da Uva, em Caxias do Sul, e integra uma série de visitas realizadas em diferentes municípios gaúchos. O deputado afirma que os encontros têm como objetivo aproximar o mandato das necessidades regionais e atualizar lideranças locais sobre as movimentações políticas em nível nacional. “Nós estamos ouvindo as necessidades da população e também apresentando o que está acontecendo no cenário político nacional e no Rio Grande do Sul”, afirma.

Prefeito Diogo Siqueira e Ubiratan Sanderson

O parlamentar ressalta que o Partido Liberal tem estruturado candidaturas em todo o país para as próximas eleições. De acordo com ele, a sigla pretende disputar governos estaduais, ampliar a bancada na Câmara dos Deputados e fortalecer a presença no Senado Federal. Sanderson também menciona a articulação de uma candidatura presidencial ligada ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Infraestrutura e demandas regionais

Entre os temas apontados como prioritários está a situação da BR-470, rodovia considerada estratégica para o escoamento da produção da Serra Gaúcha. Sanderson afirma que a paralisação das obras tem provocado prejuízos logísticos e econômicos para a região. O deputado relata que já solicitou informações ao Ministério dos Transportes e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e encaminhou o tema ao Tribunal de Contas da União (TCU) para apuração das razões que impedem o avanço da obra. “O orçamento foi aprovado no Congresso Nacional para 2024 e 2025. A previsão existe, então é preciso esclarecer por que a obra não avança”, declara.

Para o parlamentar, a demora compromete a competitividade econômica da região. Ele argumenta que dificuldades de infraestrutura elevam custos logísticos e podem afastar investimentos. Sanderson também compara a situação do trecho gaúcho com o andamento da mesma rodovia em Santa Catarina. “A mesma BR-470, no estado vizinho, está praticamente concluída”, afirma.

Recursos federais e situação do Estado

O deputado também aborda o impacto de decisões orçamentárias recentes do governo federal. Segundo ele, cortes em emendas parlamentares atingiram deputados de todo o país e reduziram recursos destinados a projetos regionais.

Sanderson afirma que cada parlamentar perdeu cerca de R$5 milhões em investimentos previstos. Ele relata que a bancada gaúcha tentou negociar um tratamento diferenciado para o Rio Grande do Sul devido aos prejuízos provocados por enchentes e períodos prolongados de estiagem registrados nos últimos anos. “O Rio Grande do Sul passou por eventos climáticos severos e deveria receber atenção especial”, avalia.

O parlamentar também menciona discussões sobre alternativas para a dívida do Estado com a União. Entre as propostas debatidas no Congresso estavam a suspensão temporária dos pagamentos ou a revisão do montante devido. Segundo Sanderson, parte da bancada gaúcha votou contra medidas que poderiam beneficiar o Estado.

Segurança pública

Outro ponto destacado pelo deputado é a segurança pública. Sanderson defende maior integração entre União, estados e municípios no enfrentamento à criminalidade e afirma que as administrações municipais precisam participar mais ativamente das ações preventivas. Ele cita como exemplo a proposta de emenda constitucional que amplia o papel das guardas municipais. “Segurança pública é responsabilidade de todos os níveis de governo”, afirma. O parlamentar também demonstra preocupação com o avanço de facções criminosas em cidades de menor porte. Segundo ele, há casos em que comerciantes teriam sido intimidados por grupos ligados ao crime organizado.

Para Sanderson, a resposta do poder público precisa envolver ações coordenadas entre diferentes forças de segurança e maior presença do Estado nas regiões afetadas.

Violência contra a mulher

O deputado também comentou o aumento dos casos de feminicídio no país. Ele defende o fortalecimento das estruturas de proteção às mulheres e a aplicação mais rigorosa das leis existentes. Para o parlamentar, a efetividade das punições é um fator decisivo no combate à violência doméstica. “O agressor deixa de agir quando percebe que será responsabilizado”, afirma. Sanderson acrescenta que políticas públicas devem ampliar mecanismos de prevenção, além de garantir resposta rápida das autoridades diante de denúncias e ameaças.

Projeto político

Ao falar sobre a pré-candidatura ao Senado, Sanderson afirma que recebeu o convite de lideranças nacionais do Partido Liberal para disputar a vaga pelo Rio Grande do Sul. Segundo ele, a decisão foi tomada após conversas internas na sigla e alinhamento com o projeto político do partido. “Recebi essa missão com honra e responsabilidade”, declara.

O deputado relata que, desde o ano passado, tem percorrido diferentes regiões do Estado para identificar prioridades e demandas locais. Ele ressalta que o Senado exerce papel específico na estrutura do Congresso Nacional. “O senador representa o Estado, enquanto o deputado representa a população”, explica.

Sanderson também menciona a possibilidade de atuação conjunta com o deputado federal Marcel van Hattem em pautas alinhadas politicamente. Segundo ele, uma atuação mais articulada da bancada gaúcha poderia ampliar a defesa dos interesses do Estado em Brasília. Para o parlamentar, o objetivo da candidatura é fortalecer a presença do Rio Grande do Sul nas decisões nacionais. “O povo gaúcho merece uma representação mais firme e atuante”, afirma.