Imagine a seguinte situação: de repente, seu pequeno ou pequena começa a gritar durante a noite, transpirando e se debatendo. O que você faria? É comum que, diante de um caso de pesadelo ou terror noturno infantil, os adultos fiquem bastante preocupados e até desorientados. Na tentativa de acalmar a criança, por exemplo, muitos escolhem levar os pequenos e pequenas para dormir com eles. Ou, então, passam a dormir no quarto das crianças.
Porém, é importante entender exatamente o que está acontecendo em cada caso, para que essas decisões sejam tomadas de maneira consciente. Afinal, embora essas manifestações sejam parecidas, são cenários muito distintos. Pensando nisso, vamos conversar sobre as diferenças entre pesadelo e terror noturno infantil?
O que é um pesadelo?
De acordo com Leonardo Martins, doutor em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), o pesadelo acontece na fase REM do sono. Nesta fase, que acontece em ciclos que se repetem de 4 a 5 vezes por noite, os olhos se movimentam de forma rápida. É justamente nestes momentos em que sonhamos, o que também dá abertura para os pesadelos.
Na verdade, os pesadelos são muito mais comuns do que imaginamos: uma pesquisa da Universidade de Montreal revelou que até 80% do conteúdo dos sonhos é, de alguma forma, ansiogênico. Ou seja, promovem sensações ruins, como ansiedade ou medo. Portanto, são pesadelos!
Apesar disso, os adultos costumam distinguir com facilidade o que é realidade do que é ilusão. Por isso, não nos abalamos ou acabamos despertando quando temos pesadelos vívidos, não é mesmo?
Já as crianças, especialmente as mais novinhas, têm dificuldade para separar realidade e fantasia. Então, quando os pequenos e pequenas sonham com algo ruim, acordam e podem ficar confusas, com medo, na dúvida se aquele monstro é de verdade ou não. E isso resulta em problemas para relaxar e voltar a dormir.
Além disso, em episódios de pesadelo, é comum que a criança lembre com maior clareza do que aconteceu. Assim, ela poderá descrever em detalhes o que a assustou.
- Em caso de pesadelo, o que os adultos podem fazer?
- Consolar e acalmar a criança;
- Explicar que os pesadelos não são reais;
- Conversar sobre o que pode estar preocupando o pequeno ou pequena;
- Deixar com a criança algum objeto do qual ela goste (uma pelúcia, um cobertor ou outro brinquedo que promova sensações de conforto);
- Desenvolver um ritual para a hora do sono, para que a criança possa relaxar e voltar a dormir mais facilmente.
O que é terror noturno infantil?
Diferente do pesadelo, o terror noturno infantil acontece na fase não-REM do sono. Durante os episódios, que duram alguns segundos até 15 minutos, a criança pode manifestar sinais de pânico intenso, bem como conversar, chorar, gritar, se debater, ficar de olhos abertos ou mesmo se sentar na cama, por exemplo.
Porém, ainda que esteja muito agitado(a), normalmente o pequeno ou pequena continua dormindo, não nota a presença dos adultos e não se lembra do que aconteceu. Portanto, a criança age de forma inconsciente.
Conforme as teorias científicas sugerem, esse distúrbio do sono se deve provavelmente à imaturidade do sistema nervoso central da criança. Como esse processo de maturação acontece aos poucos, de acordo com o crescimento do pequeno ou pequena, os episódios se tornam cada vez mais raros, até se extinguirem de vez na adolescência.
Apesar de assustadores, os episódios de terror noturno infantil são relativamente comuns. E pesquisas sugerem que não há prejuízos significativos na vida ou no desenvolvimento das crianças. No entanto, os pais, mães e pessoas responsáveis precisam ficar atentos se tais episódios forem muito frequentes.
Caso os episódios de terror noturno infantil aconteçam apenas de 1 a 2 vezes por semana, é mais provável que seja apenas uma fase. Porém, se as crianças apresentarem maiores dificuldades para dormir, é indicado procurar ajuda profissional, como o(a) médico(a) pediatra.
De qualquer forma, para evitar o terror noturno infantil, as famílias devem evitar situações de estresse, assim como luzes ou barulhos que atrapalham o sono das crianças. Além disso, podem estabelecer uma rotina do sono e incentivar que os pequenos e pequenas durmam o tempo adequado para cada faixa etária.
Em caso de terror noturno infantil, o que os adultos podem fazer?
- Acalmar a criança através de abraços e carinhos;
- Cuidar para que o pequeno ou pequena não se machuque;
- Esperar o episódio de terror noturno infantil passar;
- Lembre-se: não é necessário acordar a criança.
Fonte: leiturinha.com.br