Uma nova engrenagem do estelionato digital vem mobilizando as autoridades policiais do Rio Grande do Sul e espalhando medo entre moradores da Serra Gaúcha. Conhecido nos bastidores da segurança como o golpe da falsa facção ou “do talarico”, o crime consiste em telefonemas e mensagens de áudio altamente agressivos. Neles, os golpistas fingem ser lideranças de facções criminosas para extorquir dinheiro sob forte ameaça de morte ou agressão física. O município de Bento Gonçalves já contabiliza registros recentes dessa fraude.
O pretexto da “mulher casada”
A vítima recebe uma ligação de um suposto chefe de facção alegando que ela “mexeu” com a esposa ou a irmã de um integrante do grupo criminoso. Os estelionatários simulam um falso decreto de um “tribunal do crime” e exigem transferências via Pix para suspender a ordem de perseguição.
A falsa Garota de Programa ou acompanhante
Os criminosos utilizam anúncios falsos em sites de acompanhantes como isca. Após um contato inicial ou desistência do serviço por parte da vítima, o suposto “cafetão” liga cobrando taxas inexistentes ou alegando que a pessoa saiu com a garota e não pagou. Para cessar as ameaças de expor o caso para a família e iniciar represálias físicas, exigem depósitos bancários imediatos.
A extorsão com travestis
Em uma variação do golpe dos anúncios de acompanhantes, os criminosos focam em homens que buscaram serviços de travestis ou mulheres trans. Os golpistas ligam alegando que a vítima causou algum prejuízo à trabalhadora, não pagou o valor correto ou que o ato gerou “problemas com a comunidade”. O foco principal aqui é a chantagem baseada no preconceito e no sigilo, ameaçando expor a orientação ou as buscas da vítima para esposas, familiares e colegas de trabalho caso o Pix não seja feito.
O que diz a polícia?
A sofisticação do golpe reflete a explosão das fraudes por telefone e internet no interior do Estado. Em Bento Gonçalves, a comunidade também se tornou alvo frequente de diferentes modalidades de engenharia social. A delegada Raquel Machado Peixoto, titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil (2ª DP) no município, aponta que a prevenção individual e a desconfiança ainda são os melhores escudos contra as quadrilhas.




