Sexta-feira, 09 de Outubro de 2026

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MPRS combate esquema de empréstimos abusivos que movimentou R$ 32 milhões em Bento e Barbosa

O que começava com a oferta de empréstimos na Serra Gaúcha terminava em ameaças, cobranças sucessivas e exigências financeiras que continuavam mesmo após pagamentos realizados pelas vítimas. Para desarticular o esquema, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta sexta-feira, 9 de outubro, a Operação Multiplicação em Bento Gonçalves e Carlos Barbosa.

A ação, que resultou em três prisões preventivas e em mais duas em flagrante por posse irregular de arma de fogo, tem como foco oito investigados que usavam o vínculo que têm com o crime organizado e com uma facção para aumentar o poder de intimidação perante devedores.

Os agiotas responderão por extorsão, organização criminosa, usura e lavagem de dinheiro. A ação resultou em três prisões e tem como foco um grupo investigado por movimentar cerca de R$ 32,3 milhões. A operação é um desdobramento da Operação Contas Abertas, realizada pelo MPRS para investigar a estrutura financeira da mesma facção, identificando mecanismos utilizados para movimentação e ocultação de recursos ilícitos.

Com esta nova etapa, o objetivo é avançar no sufocamento das atividades econômicas e dos negócios mantidos pela organização criminosa. A investigação e operação são coordenadas pelo promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, do 5º Núcleo Regional do GAECO – Serra. Também participaram os promotores de Justiça Diego Pessi e João Fábio Munhoz Manzano. A ação foi integrada com o 4° Batalhão de Choque da Brigada Militar (BM).

Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos documentos, aparelhos eletrônicos, celulares e outros materiais que auxiliarão no aprofundamento da investigação, especialmente na identificação de novas vítimas. Os delitos ocorreram entre janeiro de 2022 e novembro do ano passado. As buscas foram realizadas em 13 locais, com apreensão de armas e munição, além da indisponibilização de três imóveis e sete veículos vinculados aos investigados.

Como funcionava

Segundo Manoel Figueiredo Antunes, os agiotas concediam empréstimos com cobrança de juros elevados e, posteriormente, exigiam novos pagamentos das vítimas por meio de intimidações e ameaças. Mesmo após a quitação de valores inicialmente acordados, as cobranças continuavam, aumentando o endividamento e o prejuízo financeiro das pessoas atingidas.

As apurações apontam que o grupo utilizava contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados para receber e movimentar os valores obtidos. Empresas e terceiros também eram usados para circulação dos recursos, dificultando o rastreamento do dinheiro e a identificação de sua origem.

Em um dos casos apurados, a vítima contraiu um empréstimo de R$ 50 mil, realizou diversos pagamentos e chegou a entregar uma caminhonete como garantia. Ainda assim, as cobranças prosseguiram. Mensagens, áudios, comprovantes bancários e outros documentos reunidos pelo MPRS indicam a continuidade das exigências financeiras mesmo após os pagamentos efetuados.

Casa da vítima incendiada

Em outro episódio investigado, uma das vítimas teve a casa incendiada como forma de ameaça durante a cobrança de um empréstimo. Conforme apurado, a ação também teve o objetivo de intimidar outros devedores e reforçar o poder de coerção exercido pelo grupo.

A investigação também identificou movimentações financeiras incompatíveis com a renda formal de parte dos investigados, além de transferências entre contas vinculadas ao grupo, empresas e terceiros. Conforme a análise do GAECO, as transações financeiras examinadas alcançam aproximadamente R$ 32,3 milhões.

“Além da coleta de novas provas, a Operação Multiplicação buscou interromper a atuação do grupo investigado, aprofundar a identificação dos envolvidos e mapear a extensão do patrimônio relacionado aos fatos apurados, bem como chegar a um número mais preciso de vítimas. O trabalho também pretende esclarecer a origem dos recursos movimentados e a possível utilização de empresas, contas bancárias, veículos e imóveis para ocultação patrimonial”, disse o promotor.

Resumo da operação

  • Oito investigados ligados ao crime organizado e a uma facção criminosa.
  • Cinco presos, armas e munição apreendidas.
  • Mandados cumpridos em 13 locais de Bento Gonçalves e Carlos Barbosa.
  • Operação é desdobramento da Operação Contas Abertas.
  • Esquema de empréstimos abusivos mediante ameaças.
  • Investigados atuavam como agiotas.
  • Movimentação financeira de R$ 32,3 milhões.
  • Empresas e contas de terceiros usadas para circulação dos valores.
  • Três imóveis e sete veículos indisponibilizados.
  • Investigação busca identificar novas vítimas.
  • Caso de residência incendiada como forma de ameaça e intimidação.
  • Objetivo de sufocar as atividades econômicas da facção criminosa.
  • Crimes entre janeiro de 2022 e novembro de 2025.
  • Extorsão, organização criminosa, usura e lavagem de dinheiro

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