Com as baixas temperaturas do inverno, o uso de fogões a lenha e lareiras aumenta. Mesmo sendo opções válidas para aquecer as famílias nos dias mais frios, esses equipamentos precisam ser utilizados da maneira correta, a fim de evitar acidentes.
O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) tem orientado a população sobre o manejo correto desses equipamentos. Neste período do ano, há aumento do risco de incêndios residenciais e intoxicação por fumaça. “Os erros mais comuns observados pelo Corpo de Bombeiros são utilizar álcool, gasolina ou outros líquidos inflamáveis para acender ou reativar o fogo; deixar materiais combustíveis próximos à lareira ou ao fogão, como cortinas, móveis, roupas e tapetes; não realizar a limpeza periódica de chaminés e dutos; deixar crianças desacompanhadas próximas ao fogão; dormir com o fogo aceso sem os devidos cuidados; improvisar instalações ou utilizar equipamentos sem manutenção adequada”, detalha.
Na última semana, o CBMRS, por meio da 3ª Companhia de Bombeiro Militar (3ª CBM), atendeu a um princípio de incêndio em uma residência no bairro Vila Nova II. O foco estava no fogão a lenha da casa. O forro localizado acima do equipamento foi destruído, mas ninguém ficou ferido.

Além do risco de incêndio e queimaduras, também há possibilidade de intoxicação. De acordo com a pneumologista Francielle Moro Fuligo, a fumaça decorrente da queima da lenha contém partículas finas e gases tóxicos, como o monóxido de carbono, que podem penetrar nos pulmões. “A exposição à fumaça provoca irritação e inflamação do trato respiratório, além de reduzir a qualidade do ar dentro do ambiente. Quando a exposição é frequente, pode aumentar o risco de doenças respiratórias, cardiovasculares e de intoxicação por monóxido de carbono, principalmente quando ocorre em ambientes fechados e com pouca ventilação”, explica.
Até mesmo pessoas sem problemas respiratórios podem enfrentar dificuldades, segundo Francielle, como irritação nos olhos, no nariz e na garganta, além de tosse, rouquidão, dor de cabeça e sensação de falta de ar após a exposição à fumaça. “A exposição repetida e prolongada também está associada a um maior risco de doenças respiratórias e cardiovasculares.”
As crianças estão entre os grupos mais vulneráveis, visto que os pulmões ainda estão em desenvolvimento. Os idosos também, devido à redução natural da reserva pulmonar e à maior frequência de doenças crônicas. “As gestantes merecem uma atenção maior, pois a exposição ao monóxido de carbono pode reduzir a oferta de oxigênio para mãe e bebê. As pessoas com doenças como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) podem apresentar piora dos sintomas e maior risco de complicações”, relata a pneumologista.
Jonas Tomasin, morador de Bento Gonçalves, tem uma lareira em casa há cinco anos e a utiliza praticamente todos os dias durante o inverno. “Na sexta-feira acendemos ela no fim do dia e só apagamos na segunda de manhã”, comenta.
Para ele, o equipamento é essencial. “A lareira traz mais conforto e sensação de bem-estar, porque o calor se mantém enquanto há brasas, diferente do ar-condicionado, que, ao ser desligado, faz a casa começar a esfriar”, diz. Uma das vantagens da lareira, segundo Tomasin, é o calor constante e a diminuição da umidade em todos os ambientes da casa. A desvantagem é a necessidade de limpeza frequente. “Faço apenas a manutenção preventiva. Limpo a chaminé e os dutos que distribuem o calor para os ambientes todos os anos. Assim, não acumula fuligem e garante o bom funcionamento”, afirma.
A lenha utilizada é produzida pela própria família, no interior do município. “Ano passado gastei seis metros de lenha. Neste ano já gastei essa mesma quantidade, já que o inverno está mais rigoroso”, explica.
O armazenamento da lenha também faz parte dos cuidados para evitar acidentes. O Corpo de Bombeiros orienta que o material seja acomodado em local seco e ventilado, afastado de fontes de calor e de instalações elétricas. “Preferencialmente, deve ser armazenado fora da residência ou em área específica para isso, sem obstruir saídas de emergência e rotas de circulação, organizado de forma estável, evitando risco de queda”, orienta.
Para Tomasin, a lareira a lenha é segura. “Acendo o fogo com gravetos e papel e oriento as crianças a não encostarem nela enquanto estamos usando, já que podem ocorrer queimaduras por causa do calor.”

Os bombeiros reforçam que nunca devem ser utilizados álcool líquido, gasolina, diesel, querosene, solventes, tíner ou outros produtos inflamáveis para acender o fogo. “Esses materiais podem provocar explosões, queimaduras graves e incêndios de rápida propagação”, alertam.
Em caso de emergência, a orientação do órgão de segurança é manter a calma e acionar a corporação pelo telefone 193. “Se houver condições seguras, utilizar um extintor de incêndio ou outro meio inicial de combate, além de desligar a energia elétrica do ambiente, se possível. Deve-se retirar as pessoas do local e isolar a área. Caso o fogo se propague rapidamente, é necessário abandonar o ambiente imediatamente e aguardar a chegada das equipes de emergência”, orienta.





