Quarta-feira, 29 de Julho de 2026

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Julho Amarelo: Campanha alerta para as hepatites virais

Silenciosas e, muitas vezes, sem apresentar sintomas nas fases iniciais, as hepatites virais continuam sendo um importante desafio para a saúde pública. Visando a conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento dessas doenças, o mês é voltado à campanha Julho Amarelo. O alerta é sobre a importância da realização de testes, vacinação contra as hepatites A e B, quando indicada, e adoção de medidas preventivas para reduzir a transmissão dos vírus que afetam o fígado.

Dados da Vigilância Epidemiológica de Bento Gonçalves mostram que, entre janeiro e julho de 2026, foram registrados 16 casos de hepatites virais, sendo nove de hepatite B e sete de hepatite C. No mesmo período de 2025, foram contabilizados 17 casos, dos quais seis eram de hepatite B e 11 de hepatite C. Apesar da estabilidade no número total de notificações, o comparativo entre os dois anos revela um aumento dos casos de hepatite B e uma redução nos registros de hepatite C.

No cenário nacional, dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil confirmou mais de 826 mil casos de hepatites virais entre 2000 e 2024. Atualmente, o país registra mais de 25 mil novos casos por ano, com maior incidência das hepatites B e C, que representam os principais desafios para a saúde pública devido ao potencial de evolução silenciosa e às complicações decorrentes da falta de diagnóstico e tratamento precoces.

A médica Roberta Afonso relata que a campanha Julho Amarelo é fundamental porque as hepatites virais continuam sendo um importante problema de saúde pública. Segundo ela, milhões de pessoas convivem com a infecção sem saber, o que favorece a transmissão e aumenta o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. “Instituída no Brasil pela Lei nº 13.802/2019, a campanha tem como principal objetivo ampliar a informação sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento dessas doenças”, afirma.

Roberta Afonso

Tipos de hepatite
As hepatites virais são infecções que provocam inflamação no fígado e podem ser causadas pelos vírus A, B, C, D e E. Cada tipo possui características e formas de transmissão distintas. A hepatite A é transmitida principalmente pelo consumo de água e alimentos contaminados. A hepatite B ocorre pelo contato com sangue e fluidos corporais, incluindo relações sexuais desprotegidas e a transmissão da mãe para o bebê. Já a hepatite C é transmitida, principalmente, pelo contato com sangue contaminado. A hepatite D acomete apenas pessoas infectadas pelo vírus da hepatite B, enquanto a hepatite E está relacionada, em geral, ao consumo de água contaminada e é mais frequente em regiões com condições sanitárias precárias.

A Enfermeira Coordenadora do SAE/CTA, Adriana Cirolini explica que, no Brasil, as hepatites mais comuns são as causadas pelos vírus A, B e C. “Existem ainda, com menor frequência, o vírus da hepatite D, mais comum na região Norte do país, e o vírus da hepatite E, que é menos comum no Brasil, sendo encontrado com maior facilidade na África e na Ásia”, menciona.

Sinais e sintomas
Entre os principais sintomas das hepatites virais estão cansaço excessivo, mal-estar, náuseas, vômitos, dor abdominal, urina escura, fezes claras e pele e olhos amarelados (icterícia). No entanto, Roberta alerta que esses sinais costumam surgir apenas em fases mais avançadas da doença. “Como esses sintomas podem aparecer somente quando o fígado já está comprometido, muitas pessoas descobrem a doença tardiamente”, explica.

Diagnóstico
Durante o Julho Amarelo, a Secretaria Municipal de Saúde intensificou as ações de conscientização e testagem. Segundo Adriana, o município iniciou o mês com uma atividade de testagem rápida no Centro e mantém, durante todo o ano, a oferta de testes rápidos para HIV, sífilis, hepatites B e C no Serviço de Assistência Especializada (SAE) e nas unidades de saúde. “Normalmente é oferecido a todo o usuário que procura os serviços, por livre demanda, ou conforme a rotina. Da mesma forma, materiais educativos, preservativos masculinos e femininos são distribuídos e estão disponíveis nos serviços de saúde do município”, afirma.

A médica Roberta lembra que o Ministério da Saúde recomenda que todos os adultos realizem, pelo menos uma vez na vida, os testes para hepatites B e C. A recomendação é ainda mais importante para gestantes, pessoas que receberam transfusão de sangue antes de 1993, usuários de drogas injetáveis ou inaladas, pessoas vivendo com HIV, profissionais da saúde, pessoas privadas de liberdade e indivíduos com múltiplos parceiros sexuais ou outras situações de maior exposição.

As hepatites têm cura?
O tratamento e o prognóstico variam conforme o tipo de hepatite. A hepatite A costuma evoluir para a cura espontânea, sem necessidade de tratamento específico. Já a hepatite B ainda não possui cura definitiva na maioria dos casos, mas os medicamentos disponíveis conseguem controlar a replicação do vírus, reduzindo significativamente o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado.

No caso da hepatite C, os avanços da medicina transformaram o tratamento. Atualmente, mais de 95% dos pacientes podem ser curados com o uso de antivirais de ação direta, administrados por via oral durante um período de aproximadamente oito a doze semanas. “No Brasil, esses tratamentos são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme critérios clínicos”, ressalta Roberta.

Vacinação
A vacinação é uma das principais formas de prevenção das hepatites A e B. Conforme Adriana, ambas fazem parte do calendário vacinal infantil. No caso da hepatite B, adultos que não possuem comprovação da vacinação devem procurar a unidade de saúde mais próxima para receber a imunização. “A vacina contra a hepatite B é ofertada de forma universal e gratuita pelo SUS. Já a hepatite C ainda não possui vacina, mas conta com medicamentos altamente eficazes que permitem a cura da doença”, explica.

Medicamentos oferecidos
Os medicamentos para o tratamento das hepatites B e C são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Bento Gonçalves, a medicação é disponibilizada na Farmácia Zona Sul, sempre mediante prescrição, e acompanhamento especializado.
O atendimento é realizado pelo Serviço de Assistência Especializada (SAE), localizado na Rua Goiânia, nº 590, no bairro Botafogo. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 11h30 e das 13h às 17h.

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