Fundado em 2006, o grupo Louca Vontade surgiu de uma conversa entre amigos de escola. Na época, os integrantes eram jovens e tinham o desejo de construir um projeto musical próprio. A identificação com o samba e o pagode deu os primeiros contornos ao grupo, que começou a realizar apresentações.
O vocalista Marlo Mártin conta que o grupo tomou outro rumo quando decidiu sair de Bento Gonçalves em busca de novas experiências. Durante dez anos, percorreram diferentes lugares do Brasil, conhecendo músicos, estudando música e tendo contato com outros ritmos e culturas.
Ao retornar à cidade, trouxeram novas referências e a vontade de reformular o projeto. Assim, o Louca Vontade retomou as atividades com uma proposta musical mais abrangente, deixando de se limitar ao pagode para explorar diferentes vertentes da música brasileira.

Atualmente, além de Marlo, a formação conta com Kassiel dos Santos, no cavaquinho, e Felipe do Carmo, na percussão. A proposta é apresentar clássicos conhecidos pelo público, com influências de samba-rock, samba, pagode, reggae, pop-rock e MPB. “Não queremos apenas chegar e tocar um repertório pronto, mas entender o ambiente, o público e criar uma experiência musical personalizada”, explica Marlo. A intenção é adaptar cada apresentação às características do evento, mantendo uma sonoridade alegre e dançante.
Os desafios
Conciliar a rotina profissional e familiar com os compromissos do grupo é um dos principais desafios enfrentados pelo Louca Vontade. Os integrantes possuem diferentes atividades fora dos palcos, o que exige organização para manter ensaios, reuniões e apresentações.
Marlo ressalta que o trabalho envolve uma preparação que nem sempre é percebida pelo público. Além da dedicação musical, há planejamento, produção e investimentos em equipamentos profissionais para garantir a qualidade dos shows.
A experiência acumulada também deixou histórias curiosas. Uma das mais marcantes ocorreu quando o grupo precisou realizar três apresentações no mesmo dia. Durante o deslocamento para o último evento, em um sítio, uma forte chuva começou durante o percurso. “Acabamos trabalhando literalmente com lama até os joelhos”, conta.
Apesar das dificuldades, os integrantes conseguiram cumprir toda a agenda. Para o vocalista, situações como essa demonstram a parceria e o comprometimento necessários para manter o projeto.
Entre os próximos objetivos estão fortalecer a presença do Louca Vontade no mercado de eventos e começar a gravar músicas autorais. Segundo Marlo, o grupo já possui composições escritas e pretende apresentar ao público um pouco mais de sua identidade artística.
Mais de duas décadas de história
Já o grupo Swing Natural, fundado em 2005 por Marcos Kareka, passou por diferentes formações e períodos de atividade. Entre as experiências lembradas por Kareka estão apresentações em eventos tradicionais, como ExpoBento, Fenakiwi, Fenachamp e carnavais, além da participação em shows de grandes nomes do pagode nacional. O grupo teve a oportunidade de abrir apresentações de artistas como Revelação, Sorriso Maroto, Mumuzinho e Turma do Pagode.
Para o fundador, a construção de uma identidade própria e o reconhecimento do público foram fundamentais para a permanência do projeto. As apresentações em diferentes cidades do Estado também contribuíram para ampliar a presença do Swing Natural.

Assim como ocorre com o Louca Vontade, manter o grupo ativo exige conciliar a música com os compromissos pessoais e profissionais dos integrantes. A organização dos ensaios e da agenda de shows, além da necessidade de garantir a sustentabilidade financeira do projeto, estão entre os principais obstáculos. “Para um grupo durar tantos anos, não basta apenas gostar de música. É preciso ter união, planejamento, persistência e vontade de fazer acontecer”, afirma.
Renovação e conexão
Em 2026, o Swing Natural iniciou uma nova fase com a chegada de Jaques Mainardi como vocalista. Conforme Kareka, a mudança representa a oportunidade de incorporar novas ideias e possibilidades musicais, sem abandonar as características que construíram a identidade do grupo.
A proposta é preservar o repertório já conhecido pelo público, mas abrir espaço para novas interpretações e músicas. A renovação também acompanha as transformações na maneira como diferentes gerações consomem e acompanham o pagode.
O fundador observa que quem cresceu ouvindo o gênero nas décadas de 1990 e 2000 costuma manter uma relação afetiva com os clássicos, enquanto os mais jovens chegam com referências atuais e acompanham os artistas também pelas redes sociais.
Mesmo com essas diferenças, Kareka acredita que o gênero tem a capacidade de aproximar públicos de diferentes idades. Por isso, o repertório procura equilibrar músicas que marcaram época com novidades.
Para os próximos anos, o objetivo é ampliar a agenda de apresentações, conquistar novos espaços e produzir materiais que representem a atual fase do grupo. Segundo Kareka, ainda não há uma data definida para lançamentos.
Do Mania de Pagode à carreira solo, Will Carvalho escreve novo capítulo na música
A paixão pelo samba e pelo pagode acompanha Will Carvalho desde a infância. Criado em uma família de músicos e influenciado principalmente pelo pai, que também era sambista, ele encontrou na música não apenas uma forma de expressão, mas o caminho que transformou em profissão. Hoje, morando em Bento Gonçalves há quase dez anos, o cantor vive exclusivamente do pagode, percorrendo diferentes cidades do Rio Grande do Sul.
O contato com a música começou cedo, ainda na igreja, onde Will já cantava. A aproximação com o pagode veio naturalmente, especialmente pela influência familiar.
Embora seja natural de Gravataí, Will encontrou em Bento Gonçalves o ambiente onde começou a desenvolver sua carreira musical. Ele afirma que se sente parte da comunidade e demonstra gratidão pelas oportunidades que recebeu.
Um dos primeiros passos importantes ocorreu com a entrada no grupo Mania de Pagode, no qual permaneceu por cinco anos. O período, segundo ele, representou uma escola, tanto pelo aprendizado musical quanto pelas amizades construídas. Parte dos músicos que conheceu naquela época continua ao seu lado no atual projeto.

O encerramento das atividades do grupo aconteceu quando os integrantes decidiram seguir caminhos diferentes, cada um em busca de seus próprios objetivos. Will, porém, guarda boas lembranças da experiência e mantém o respeito pelos antigos companheiros.
Projeto solo e reconhecimento
Há aproximadamente sete meses, Will iniciou uma nova etapa da carreira com o projeto solo. Apesar do receio inicial de investir profissionalmente na música, por não saber como o público receberia seu trabalho, o cantor conta que os resultados têm superado as expectativas.
O reconhecimento veio acompanhado de apresentações em diferentes municípios, como Caxias do Sul, Carlos Barbosa, Garibaldi, Lajeado, Pelotas e Porto Alegre.
O artista atribui boa parte desse crescimento ao apoio das pessoas que acompanham suas apresentações e divulgam seu trabalho. Ele também conta com um público fiel, incluindo admiradoras que organizaram até um fã-clube, as Will Lovers. “O trabalho está alcançando tantas pessoas. Se não fossem as pessoas procurando e consumindo, não seria possível”, reconhece.
Com o aumento da visibilidade, também cresceu a responsabilidade. Para Will, conquistar espaço exige manter a qualidade das apresentações, melhorar continuamente e preservar características que considera fundamentais, como humildade, pontualidade e educação.
Viver exclusivamente da música nem sempre foi uma realidade. Antes de conseguir se dedicar integralmente, Will trabalhou em diferentes áreas, como vendas, telefonia, telemarketing e entrega de móveis. Segundo ele, foi preciso persistência até que a música se tornasse sua principal fonte de renda.
Ele reconhece que trabalhar com pagode na Serra Gaúcha apresenta particularidades, já que o gênero não possui a mesma força que em outras regiões. Ainda assim, considera que Bento tem recebido bem os artistas e projetos locais. Para o cantor, a profissionalização é um dos caminhos para conquistar novas oportunidades.
Voz do Povo e novos projetos
Entre as iniciativas que considera mais importantes está o Voz do Povo, projeto idealizado a partir do sonho de reunir amigos e diferentes públicos em uma roda de samba. A proposta é criar um ambiente de integração, no qual pessoas de diferentes classes sociais e religiões possam compartilhar a música sem julgamentos.
Atualmente na terceira edição, o evento vem ampliando seu alcance e se tornou uma das principais apostas do cantor. O objetivo é levar a iniciativa para um espaço aberto, com capacidade para receber ainda mais pessoas, inclusive de outros municípios. “É um projeto onde eu abraço todas as pessoas. Quero que elas se sintam bem no local, curtam, cantem e sejam quem elas querem ser”, explica.
Outra novidade marca o atual momento da carreira. Para o dia 13 de dezembro, o cantor prepara o lançamento de sua primeira música autoral: “Morrer de Amor”. A faixa terá um videoclipe, que será lançado em 2027. Até então, seu repertório é formado principalmente por covers, mas a intenção é ampliar gradualmente o espaço das composições próprias.
Ele define o lançamento como um passo importante e demonstra ansiedade com a novidade. Para o próximo ano, o objetivo é investir ainda mais nas músicas autorais, além de expandir o Voz do Povo.
Ao falar sobre o cenário do pagode em Bento Gonçalves, Will também faz questão de reconhecer quem abriu caminhos para os músicos da cidade. Entre eles, cita Cassidy du Samba, a quem atribui um papel importante na formação de artistas e no fortalecimento da cena local. Para ele, o artista veterano, que não se apresenta mais, representa um legado que permanece na história musical do município.




