Produtores intensificam tratamentos para prevenir doenças nas videiras e enfrentam maior uso de insumos durante o período chuvoso
A primavera deste ano prevê precipitações acima da média em todo o Sul do Brasil. A previsão aponta para maior frequência de temporais, enquanto a atuação de um El Niño muito forte deve reforçar o padrão de chuvas. A MetSul projeta uma primavera com numerosos episódios de tempestades e volumes de chuva podem ficar acima do normal, aumentando os riscos de enchentes e deslizamentos na Serra Gaúcha.
Para os produtores de uva, o período exige atenção especial. A primavera é uma fase importante para o desenvolvimento dos parreirais e, neste momento, muitas videiras estão em diferentes etapas de floração. Até a última semana, não havia registro de perdas na produção de uvas comunicado ao Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul, Pinto Bandeira e Santa Tereza ou à Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Bento Gonçalves, em razão das chuvas.
Segundo o técnico da Emater, Neiton Peruffo, a chuva, isoladamente, não representa prejuízo para a viticultura neste momento. “Mas, a sequência de chuva por um período grande, pode sim prejudicar e se tornar um agravante quanto às questões sanitárias, principalmente de desenvolvimento de fungos”, explica.
Prevenção
Com o excesso de umidade, um dos principais cuidados dos produtores é evitar que doenças se desenvolvam nas videiras. Como o míldio e a antracnose, que podem comprometer a produção.
Na Linha De Mari, em Tuiuty, a produtora Osana Maria Possamai Waikowski conta que o tratamento dos parreirais tem sido intensificado. Segundo ela, a chuva pode interromper o efeito das aplicações, exigindo novos tratamentos em um intervalo menor do que o habitual. “Assim que para de chover, a gente já trata de novo”, relata. A produtora explica que as videiras estão em diferentes momentos de floração, o que aumenta a necessidade de cuidado. “No período crítico, que o cuidado tem que ser redobrado.”
O produtor Roberto Zanesi de São Pedro também ressalta a importância de agir preventivamente. “Às vezes, pode ser necessário fazer a aplicação a cada cinco dias. Se fosse um ano normal, com menos chuva e umidade, seria possível fazer as aplicações a cada sete ou dez dias”, explica.
Isso também eleva os custos para quem produz, já que exige maior utilização de insumos.
Janelas
Para a Emater, o momento em que o produtor consegue realizar os tratamentos também é importante. Neiton explica que as chamadas “janelas de tratamentos fitossanitários” são os períodos em que há condições de tempo seco para realizar as aplicações. “Quando parar a chuva, sim, daí tem que analisar a situação e entrar com tratamento para evitar o desenvolvimento de fungos”, orienta.
Além da preocupação sanitária, o produtor Luciano DeMari chama atenção para as condições do solo para a utilização dos equipamentos. “A atenção também precisa ser redobrada com o maquinário, especialmente os tratores, porque, com a terra bastante encharcada e molhada, o processo de pulverização se torna muito perigoso ”, afirma.
Luciano também acompanha o período com maior atenção por viver na Linha De Mari, uma região de vales e morros. Em 2024, uma área de mais de três hectares que pertence a ele foi atingida por uma barreira durante as fortes chuvas. Desde então, segundo o produtor, a observação das condições do terreno passou a fazer parte dos cuidados.
Solo
Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Cedenir Postal, uma das preocupações é a perda de nutrientes provocada pela água.
De acordo com ele, a situação pode ser mais prejudicial em áreas que possuem pouca cobertura verde, tanto nos parreirais quanto em outras frutíferas. As chuvas também podem danificar estradas dentro das propriedades, obrigando os agricultores a refazer os acessos.
Neiton explica que, caso a sequência de precipitações se prolongue, os problemas podem aparecer principalmente nas questões sanitárias e estruturais. Entre os possíveis danos estão deslizamentos em áreas de convergência, inclusive em locais onde agricultores retomaram estruturas dos parreirais.
Para os produtores, portanto, o período exige acompanhamento constante das condições do tempo, atenção às condições do solo e aproveitamento dos períodos de estiagem para a realização dos tratamentos. O objetivo é evitar que a combinação entre chuva e umidade favoreça o surgimento de doenças e comprometa o desenvolvimento das videiras.




