Os três investigados pela morte de Claudir Boroto são representados pelo advogado Vinicius Boniatti. Em entrevista, ele afirmou que acompanhou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e de prisão e que ainda está tendo acesso ao conteúdo da investigação.
Boniatti classificou o procedimento como extenso e complexo e explicou que, neste momento, a defesa está reunindo informações para definir a estratégia jurídica mais adequada para os clientes. “Eu, aos poucos, estou tomando conhecimento das investigações. Então, conforme a polícia e o Judiciário vão liberando, eu vou tendo acesso e conhecendo um pouco mais”, afirma.
O advogado também ressaltou que considera prematuro antecipar manifestações sobre o mérito do caso ou as medidas que pretende adotar. Questionado sobre a possibilidade de apresentar pedidos de habeas corpus para buscar a liberdade dos investigados, afirmou que ainda não há uma definição. “É cedo para dizer. Eu realmente vou definir a estratégia e verificar o que é mais conveniente do ponto de vista jurídico”, declara.
O ocorrido
A investigação sobre a morte do empresário Claudir Ademir Boroto, de 53 anos, resultou na prisão temporária de três homens na segunda-feira, 19. O empresário foi morto na madrugada de 29 de agosto, em sua residência, no interior de Farroupilha. Entre o crime e as prisões transcorreram 51 dias.
As prisões foram decretadas pela Justiça a pedido da investigação. Os três são suspeitos de participação no crime e ainda não foram condenados.
Um homem de 45 anos é apontado pela investigação como o possível mandante do homicídio. Segundo a polícia, ele e Boroto eram amigos de longa data. A principal linha investigativa indica que dívidas que o mandante teria com o empresário podem ter motivado o crime.
Um outro indivíduo de 36 anos, por sua vez, seria funcionário do mandante e teria sido chamado para executar o homicídio, com o auxílio de um outro jovem de 20 anos, que não teria vínculo anterior com o mandante e teria recebido cerca de R$ 2 mil para participar da ação.
A polícia também atribui ao mandante a responsabilidade por buscar os outros dois investigados após o incêndio do Jeep Renegade pertencente à vítima. A dinâmica e a participação de cada suspeito fazem parte da investigação conduzida pela Polícia Civil. Nenhum dos três investigados possui antecedentes criminais.
Os homens de 45 e 36 anos foram presos enquanto prestavam depoimento na 1ª e na 2ª Delegacias de Polícia de Bento Gonçalves. Já o mais novo foi detido no local onde trabalhava, também em Bento Gonçalves.
Segundo o delegado Fernando Cruz Alexandre, da Delegacia de Farroupilha, que é responsável pelo caso, o esclarecimento foi resultado de um trabalho investigativo detalhado, que incluiu a coleta e a análise de um grande volume de imagens de videomonitoramento.
A partir desse material, os policiais conseguiram, conforme o delegado, reconstruir os deslocamentos dos investigados e estabelecer a sequência dos acontecimentos na noite do crime. As imagens, aliadas a outras técnicas de investigação e diligências, contribuíram para a identificação dos três suspeitos.
Segundo o Delegado, as investigações irão continuar, com análise dos celulares dos suspeitos, objetos apreendidos e outras medidas dentro do prazo legal, que é de 30 dias e de 60 no total, se for necessária a prorrogação.
Prisões têm prazo determinado
As prisões dos três homens são temporárias, modalidade de custódia cautelar decretada por prazo determinado durante a investigação criminal. A medida não representa condenação nem significa, por si só, que os investigados sejam culpados.
O prazo pode ser prorrogado nas hipóteses previstas em lei, mediante decisão judicial. Ao término do período, os presos devem ser colocados em liberdade, caso não haja outra ordem judicial que justifique a manutenção da custódia, como a decretação de prisão preventiva.




