Há cinco décadas, a De Toni Componentes começava a construir sua trajetória em Bento Gonçalves a partir de uma estrutura enxuta, formada por duas máquinas e pela disposição de uma família em identificar oportunidades e transformar necessidades do mercado em novos negócios. Fundada em 3 de setembro de 1976 por Cyro De Toni, juntamente com os filhos Davi e Domingos, a empresa iniciou as atividades com a fabricação de componentes de aço para a indústria em geral. Ao longo dos anos, a capacidade de acompanhar as mudanças dos setores atendidos conduziu a empresa por diferentes mercados e ampliou seu portfólio.
O início ocorreu com a produção de peças usinadas para terceiros. A partir da observação das necessidades do mercado, a De Toni passou a fabricar componentes para esquadrias metálicas, entre eles roldanas e dobradiças para portões, portas e janelas de aço. A mudança marcou um dos primeiros movimentos de diversificação da empresa. “Eles começaram fabricando componentes para a indústria em geral, principalmente peças de aço. A estrutura inicial era simples: tinham um ou dois tornos e uma pequena prensa. Então, começaram basicamente com duas máquinas”, relembra Deonir De Toni, membro do conselho administrativo da empresa.
Uma trajetória construída pela adaptação
A história da De Toni é marcada por movimentos de expansão que acompanharam as transformações dos mercados. Em 2000, a empresa criou a divisão de fixação, iniciando a fabricação de parafusos e rebites. Oito anos depois, ampliou sua estrutura para uma área superior a 3 mil metros quadrados, incorporou novos produtos destinados aos segmentos de madeira e ferro e investiu em equipamentos para atender ao crescimento da demanda.
Em 2010, a empresa ingressou no mercado moveleiro com a linha Avanti, voltada a componentes para móveis. Em 2012, ampliou novamente o espaço físico e acrescentou barras roscadas, rebites de repuxo, porcas e parafusos autoperfurantes ao portfólio. No ano seguinte, lançou a linha de componentes para esquadrias de PVC.
A expansão da estrutura acompanhou a diversificação dos produtos. Em 2015, a De Toni inaugurou uma nova área administrativa com showroom. Em 2016, lançou a linha de soldas. Em 2021, o parque fabril chegou a 14 mil metros quadrados. No ano seguinte, a empresa ingressou no segmento de Drywall e, em 2023, lançou a linha de componentes para esquadrias de alumínio.
Para Deonir, a permanência em diferentes segmentos está diretamente relacionada à disposição para aprender e melhorar continuamente. “Buscamos nos transformar e melhorar todos os dias. Uma das nossas políticas é a melhoria contínua, uma filosofia de inspiração japonesa que aplicamos tanto aos processos produtivos e administrativos quanto ao nosso desenvolvimento como gestores e pessoas”, afirma.

Essa postura também orientou a maneira como a empresa identifica novas oportunidades. Mais do que acompanhar indicadores, a estratégia envolve estar próximo de quem participa diretamente dos mercados em transformação. “A chave é estar presente no mercado. Para entender o que está acontecendo, você precisa vivenciá-lo: visitar clientes, acompanhar a concorrência e buscar inovações em feiras e eventos”, ressalta.
A diversificação, segundo Deonir, ocorreu a partir da percepção de movimentos nos próprios setores. A empresa aproveitou conhecimentos acumulados, especialmente em sistemas de movimentação e componentes, para avançar de um segmento a outro. “Conforme o mercado de esquadrias de madeira declinou e o de PVC ganhou espaço, entramos nesse segmento, que também vem desempenhando muito bem”, explica.
Atualmente, a De Toni mantém representantes em 27 estados brasileiros, além de Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. A presença em diferentes regiões também proporcionou ao executivo uma visão particular sobre a diversidade do mercado nacional. “O Brasil é um continente com realidades muito diversas. A cultura do Sul é diferente da do Nordeste, por exemplo. Mas uma coisa que aprendi nas viagens é que ninguém é superior a ninguém”, ressalta.
Da produção à gestão
A trajetória de cinco décadas também se mistura à história pessoal de Deonir. Depois de deixar o seminário, onde permaneceu por cinco anos estudando para o sacerdócio, ele ingressou na empresa e começou trabalhando diretamente na produção. A experiência permitiu conhecer de perto os processos e a rotina do chão de fábrica antes de assumir responsabilidades administrativas. “Aprendi muito sobre o processo produtivo: operar e regular máquinas, fazer montagem e acompanhar toda essa rotina”, relata.
A entrada na gestão ocorreu em um momento em que a empresa ainda tinha uma estrutura pequena. Com cerca de 20 a 30 pessoas no chão de fábrica e apenas dois funcionários no escritório, Deonir assumiu a direção quando um dos irmãos passou a se dedicar às vendas externas. “Tenho fotos daquela época operando com máquina de escrever. Era um período muito difícil, com inflação de 30% a 40% ao mês e custos calculados manualmente. Dava um trabalho enorme. Desde então, sigo na gestão há mais de 30 anos, sempre aprendendo”, conta.

A formação acadêmica acompanhou essa trajetória. Depois da Filosofia, Deonir cursou Administração, fez mestrado, doutorado e pós- -doutorado na área e construiu também uma carreira como professor da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Para ele, a combinação entre estudo e experiência empresarial sustenta uma postura de aprendizado permanente. “Não digo que sou um bom ou um excelente gestor; considero-me um gestor em movimento. Sempre dá para melhorar, pois os resultados do passado e de hoje não garantem os resultados de amanhã. Por isso, precisamos evoluir constantemente”, afirma.
Tecnologia como condição de competitividade
A transformação da empresa também passa pela modernização dos processos. Equipamentos, automação, sistemas e treinamento dos colaboradores integram a estratégia de melhoria contínua, especialmente diante de um cenário de concorrência internacional.
Para Deonir, a presença de produtos chineses no mercado brasileiro aumenta a pressão sobre a indústria e torna a atualização tecnológica uma condição para permanecer competitivo. “Hoje, ter tecnologia atualizada e automação deixou de ser um diferencial e virou uma necessidade de sobrevivência. O setor industrial enfrenta a forte concorrência dos produtos chineses, que chegam ao Brasil com custos muitas vezes inferiores ao nosso próprio custo de fabricação”, afirma.
A resposta, segundo ele, está na busca permanente por produtividade e inovação. “Investir em tecnologia, automação e novos métodos de produção é a nossa forma de manter a competitividade frente a essa concorrência global. Se a empresa não inovar continuamente, perderá espaço no mercado”, pontua.
Ao mesmo tempo em que moderniza processos, a empresa enfrenta um desafio que ultrapassa a questão tecnológica: encontrar e manter profissionais qualificados. A escassez de mão de obra aparece, na avaliação de Deonir, entre as principais dificuldades do setor industrial. “O grande desafio das empresas, além de contratar, é reter os colaboradores para que construam uma trajetória e contribuam com a organização”, observa.
Na De Toni, a estratégia envolve treinamento, segurança, benefícios e um ambiente que favoreça a permanência das equipes. A empresa também afirma adotar igualdade salarial e de oportunidades, utilizando a meritocracia como critério para o crescimento profissional e a ocupação de cargos de gestão.
Valores que atravessam gerações
Se a estrutura, os produtos e os processos mudaram ao longo de 50 anos, alguns princípios permanecem ligados à origem da empresa. Deonir identifica quatro pilares transmitidos pelo fundador: humildade, economia, fé e trabalho.
A humildade está relacionada à disposição para aprender com diferentes pessoas, independentemente da posição que ocupam. A economia se traduz no cuidado com desperdícios e custos. A fé integra a visão de mundo deixada por Cyro De Toni, enquanto o trabalho é compreendido como parte da realização humana. “É preciso humildade: entendemos que não sabemos tudo e que sempre temos algo a aprender com qualquer pessoa, desde a mais simples. Também aprendemos constantemente com o mercado, clientes, fornecedores e concorrentes”, explica.
A ideia de economia também permanece vinculada à história familiar. “Como a família passou por muitas dificuldades financeiras no passado, a economia e o combate aos desperdícios de custos e processos continuam sendo valores fortes para nós”, ressalta.
Com o passar dos anos, esses princípios foram reorganizados na filosofia dos chamados “7 Cs”: confiança, comprometimento, competência, crescimento, coragem, constância e cooperação. A proposta é atualizar os valores recebidos do fundador para uma empresa que precisa responder a novos desafios sem perder sua essência. “Eles traduzem a nossa filosofia e a trajetória de como nos mantemos competitivos. Queremos continuar no mercado por muito mais tempo”, afirma.

A longevidade, para Deonir, também é resultado de uma construção coletiva. Ao olhar para os 50 anos, ele faz questão de reconhecer a participação do pai, dos irmãos e da família na formação da empresa. “Os 50 anos representam, em primeiro lugar, a valorização da nossa história. É uma imensa gratidão ao meu pai, Sr. Cyro De Toni, e aos outros sócios e irmãos, Davi, Domingos e Dorvalino, que fizeram parte dessa jornada. O sucesso atual da empresa não é fruto apenas da minha gestão, mas de toda a base e preparação construídas por eles no passado”, ressalta.
Uma história que continua em movimento
Chegar ao meio século, para a De Toni, não representa uma conclusão. A empresa projeta uma nova etapa de expansão, com investimentos na ampliação da fábrica, implantação de uma linha de galvanização, uma linha de slitter, desenvolvimento de produtos, busca por novos mercados e crescimento das exportações. “O objetivo da De Toni é continuar crescendo. Estamos ampliando a fábrica, incluindo uma linha de galvanização, uma linha de slitter, agregando novos produtos, explorando novos mercados e buscando expandir as exportações. O futuro é a busca pelo crescimento constante”, projeta.
Para Deonir, olhar para a trajetória é também uma forma de compreender o que permitiu chegar até aqui e estabelecer os próximos passos. “Entendo que o passado nos permite compreender como chegamos até aqui aos 50 anos, enquanto o futuro nos dá o direcionamento”, resume.
E, ao projetar os próximos anos, a síntese da filosofia que acompanha essa trajetória permanece simples: “olho para trás e compreendo; olho para o futuro e direciono; olho para o presente e vivo”, conclui.
Depoimentos
Marijane Paese
“A De Toni é uma empresa que, em 50 anos, construiu uma trajetória sólida. Hoje, é uma organização que não tem medo de investir, pois acredita no país e enxerga as pessoas como o fator fundamental para o seu desenvolvimento. Além disso, investe fortemente em inovação. Por isso, possui uma tecnologia de ponta e está cada vez mais preocupada em aprimorar os seus processos.”
Mariana Paese De Toni
“Estou na empresa desde janeiro de 2024, atuando na Engenharia Industrial, e nesse período venho aprendendo muito, tanto profissionalmente quanto sobre tudo o que foi construído ao longo desses 50 anos. Trabalhar aqui tem um significado que vai muito além do profissional. Eu cresci acompanhando a história da empresa e hoje tenho a oportunidade de fazer parte dela de uma forma muito mais ativa. Como terceira geração da família e futura sucessora, também existe um sentimento muito grande de responsabilidade e de orgulho. É muito especial poder dar continuidade a uma história que começou com o meu avô e que hoje começa a fazer parte da minha própria trajetória. O que eu mais gosto é justamente isso: poder aprender com tudo o que já foi construído e, ao mesmo tempo, contribuir com novas ideias e ajudar a construir os próximos capítulos da De Toni.”
Andriele De Toni
“Gosto de trabalhar na De Toni porque é uma empresa que valoriza as pessoas e onde sempre tenho a oportunidade de aprender e evoluir. Ao longo desse tempo, acumulei experiências e momentos marcantes que levarei para a vida. Completar 50 anos é algo muito especial, e sinto um orgulho imenso de fazer parte dessa história. Poder contribuir com o meu trabalho e acompanhar o crescimento da empresa é uma grande satisfação. Afinal, quando gostamos do que fazemos e do lugar onde estamos, crescemos juntos.”
Miguel De Toni
“Acho a De Toni uma empresa muito boa. Os funcionários e a empresa são muito acolhedores, e os proprietários também são incrivelmente queridos. É um ótimo lugar para se trabalhar, e a empresa oferece diversos benefícios. Trata-se de uma metalúrgica que já está há bastante tempo no mercado. Estou aqui há cerca de oito meses.”

Dante A. C. Gomes
“Vai fazer três anos que estou aqui. O que me faz gostar de trabalhar é o fato de ser uma empresa sólida no setor metalmecânico. Em relação ao dia a dia da minha função, não há aquela exigência excessiva que pode existir em outros lugares. Comparada a outras empresas em que trabalhei, é muito bom estar aqui. O ambiente de trabalho é bom, os horários são favoráveis e a parte das refeições é melhor do que em outros locais.”
Ivanir Tonello
“É bom trabalhar aqui, em primeiro lugar, porque gosto do que faço. Tenho pouco mais de 47 anos de tempo de serviço e estou financeiramente estabilizado. O melhor que a empresa oferece é a liberdade, pois temos acessibilidade a tudo e apoio dos colegas, o que ajuda no dia a dia. O fundamental é estar bem, gostar do que faz e de onde se está; ninguém fica forçado.”
Rodrigo Rostirolla
“Este ano completamos 20 anos de parceria com a De Toni. Com certeza, o relacionamento que temos com todos os funcionários e com a direção, o método de trabalho e os princípios da empresa nos fazem gostar do que fazemos e de trabalhar aqui.”




