Domingo, 06 de Setembro de 2026

ÚLTIMA HORA

Da padaria ao gramado do Esportivo, as raízes de Renato Portaluppi no clube

Antes de se transformar em lenda e conquistar o mundo pelo Grêmio, um jovem do interior de Guaporé, de 16 anos, trocou o balcão de uma padaria pelo sonho da bola no Estádio da Montanha, jogando pelos juniores do Esportivo e estreando na equipe principal em 1979, sob o comando do técnico Valdir Espinosa. O seu nome? Renato Portaluppi. Mais tarde, em 1983, o mesmo Renato conquistava a América e o Mundo com o Grêmio, novamente sob o comando de Espinosa

A trajetória de um dos maiores personagens do futebol brasileiro começou muito antes dos gols antológicos, dos títulos e das entrevistas icônicas. Antes de desfilar sua classe nos gramados do país, o jovem Renato Portaluppi, nascido em Guaporé e criado em Bento Gonçalves, conheceu o suor do trabalho duro bem longe dos refletores: ele foi auxiliar de padeiro, trabalhando por dois anos na padaria do senhor Azir Favaretto para ajudar a família.

O Gauchão de 1979

Mas o destino guardava uma virada espetacular para aquele guri franzino, porém de físico avantajado e força impressionante. Descoberto para os gramados nas categorias de base do Clube Esportivo, Renato encontrou em Valdir Espinosa, então técnico do time alviazul, o mentor que mudaria o rumo de sua vida.

Com o plantel enxuto e sofrendo com lesões e suspensões na reta decisiva do campeonato gaúcho de 1979, Espinosa não hesitou: puxou alguns garotos da base para compor o grupo profissional. E foi assim que, no dia 12 de agosto de 1979, o Esportivo desceu a Serra para enfrentar o Grêmio no místico Estádio Olímpico, em Porto Alegre, pela quarta rodada da fase final do estadual. Apesar da derrota alviazul por 3 a 0, a tarde entrou para a história por marcar o batismo de fogo de Renato no futebol profissional. Com apenas 16 anos, ele foi lançado ao gramado durante o segundo tempo da partida.

Portaluppi e o Semanário

Em entrevista concedida ao jornalista Rodrigo Bergsleithner do Jornal Semanário, Renato Portaluppi, hoje técnico morando no Rio de Janeiro, e atualmente não comandando nenhum clube, disse que desde a primeira vez em que fardou nas categorias de base do Esportivo e pisou no gramado da Montanha, sempre teve a certeza que iria realizar todos os seus sonhos no futebol. “Sempre tive certeza do meu caminho. Conhecendo o meu potencial e as minhas qualidades, eu repetia para mim mesmo: vou chegar logo à Seleção Brasileira. E cheguei. Sempre respeitando a todos, mas consciente do que eu era capaz de conquistar”, relembra.
Portaluppi nunca escondeu que o futebol foi a ferramenta para transformar a vida de seus pais e de seus 12 irmãos. Ele relembrou o choque de realidade ao começar a ganhar dinheiro. “Eu nasci para vencer. Eu sou um vencedor. Os números não negam. Então, quero ser lembrado, quero ser falado sempre pelas pessoas. Esse cara passou aqui e fez muito”, disse.

Em 1983, Renato Portaluppi, foi o herói da conquista mundial do Grêmio, marcando os dois gols da final, na vitória por 2 a 1 diante do Hamburgo, da Alemanha

Renato, Grêmio e Esportivo

A trajetória de Renato Portaluppi no futebol está profundamente entrelaçada à história do Clube Esportivo Bento Gonçalves. Foi nas categorias de base do clube da Serra Gaúcha que o jovem atacante deu seus primeiros passos no esporte, sob o comando do técnico Valdir Espinosa. A estreia profissional do atleta ocorreu justamente diante do Grêmio, no Estádio Olímpico, abrindo caminhos para uma parceria lendária. Anos mais tarde, jogador e treinador reeditaram o sucesso na capital, conquistando a Copa Libertadores da América e o Mundial de Clubes em 1983 pelo Tricolor.

A sintonia fina se repetiu em 2016, quando Renato, como técnico, e Espinosa, como coordenador técnico, lideraram o Grêmio na conquista do pentacampeonato da Copa do Brasil. O reencontro com as origens ganhou um novo capítulo em 2021. Pela primeira vez na carreira de treinador, Renato enfrentou a equipe que o projetou para o futebol mundial.

O confronto inédito, válido pelo Campeonato Gaúcho, foi disputado no Estádio Parque Montanha dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, e terminou com vitória gremista por 2 a 0. O duelo marcou não apenas a disputa por pontos na tabela, mas também o resgate de memórias afetivas que moldaram a vitoriosa carreira do comandante tricolor. “Tenho um carinho e uma gratidão imensa pelo Esportivo, pois foi onde tudo começou para mim na base, tendo o Espinosa como o meu primeiro comandante. Estrear nos profissionais contra o Grêmio no Olímpico e, anos depois, ganhar o mundo ao lado do próprio Espinosa foram momentos inesquecíveis. Voltar a Bento Gonçalves em 2021 para enfrentá-los pela primeira vez como técnico mexeu muito comigo, porque aquela cidade faz parte da minha história”, finaliza.

A carreira de jogador

Como jogador, Renato Portaluppi jogou no Esportivo, Grêmio, Flamengo, Cruzeiro, Fluminense, Botafogo, Roma (Itália), Atlético Mineiro, Bangu e seleção brasileira. No Grêmio, conquistou o campeonato brasileiro, a Copa Libertadores da América, o Mundial de Clubes e dois campeonatos gaúchos. No Flamengo, Renato foi campeão brasileiro, da Taça Guanabara e da Copa do Brasil. No Cruzeiro, campeão mineiro e da Supercopa da América. No Fluminense foi campeão carioca e pela seleção brasileira, conquistou a Copa América e esteve na Copa do Mundo de 1990.

A carreira de treinador

Como técnico do Grêmio, Portaluppi foi campeão da Copa Libertadores, da Copa do Brasil, da Recopa Sul-Americana, pentacampeão gaúcho e bicampeão da Recopa Gaúcha. E no Fluminense, foi campeão da Copa do Brasil. Além do Grêmio, Renato treinou o Flamengo, Fluminense, Madureira/RJ, Bahia, Athletico Paranaense e Vasco da Gama. Há dois meses, Portaluppi segue sem treinar nenhum clube.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ANUNCIE CONOSCO

Sua marca em destaque para milhares de leitores